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Um São Paulo raras vezes (ou nunca) visto

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Créditos da imagem: Friedemann Vogel/Getty Images

Qualquer amante do futebol brasileiro nos últimos vinte ou trinta anos sempre soube – consentindo ou não – vários dos chavões do esporte no nosso país. Um deles: “o São Paulo é o clube mais poderoso do país. Modelo de gestão, dentro e fora de campo, equilibrado politicamente, instituição mais vencedora, estrutura de base e preparação física sem igual, etc.”

Mas… Era. Acabou. Quem vê a situação política do clube paulistano, originado, nos anos 30 do século passado, da integração entre várias associações da capital – algumas abastadas, de classes dominantes, outras nem tanto, mas, certamente, unidas gerando uma massa muito robusta – não consegue acreditar que a turbulência hoje vivida pelo tricolor paulista possa ser considerada efêmera. Crise política é um dos cânceres mais malignos em uma instituição esportiva. São rachaduras presentes na raiz de toda administração que ambiciona ser chamada de eficaz.

É o que acontece no São Paulo.

Resultados em campo, sim, são muitas vezes passageiros, tanto para o bem como para o mal. Mas é certo que, cedo ou tarde, a realidade daquilo que o vestiário e o campo herdam dos salões do conselho do clube irá se impor. No caso do São Paulo, as perspectivas são bastante obscuras.

Tal como um bom cumpridor da velha cartilha do marketing pessoal, segundo a qual para ser é necessário antes parecer, ainda que a imprensa íntima sempre soubesse das agruras internas do clube e as noticiasse, e do potencial explosivo que diferentes correntes políticas concorrentes eram capazes de criar – processo inerente e inevitável em todo ambiente forjado por anexação de grupos – por muito o São Paulo cuidou sem dores de seus calos e manteve sua marca forte no futebol brasileiro e até mesmo mundial. Conquistas dentro de campo ajudavam na perpetuação dessa imagem de sucesso. Só que a casa está ruindo.

A força da economia no futebol, combinada com o avanço do profissionalismo na gestão dos clubes, propiciou às instituições mais populares uma taxa de crescimento mais íngreme. Contratos mais ricos com investidores da televisão, patrocinadores de camisa, de material esportivo e até o aumento violento do quadro social têm alterado rapidamente o panorama do futebol e tirado o São Paulo do seu cenário de conforto que por muitos anos perdurou. Hoje o Corinthians e o Flamengo, com torcidas maiores, avançam a passos largos e já não devem tanto em estrutura e nem mesmo em prestígio. Este foi um trunfo que o São Paulo sustentou por décadas. Sem ele, perde seu diferencial e tende a afundar diante da exposição de suas crises internas.

O clube não está naufragando. Longe disso: mora no núcleo do dinheiro no país e segue sendo uma das suas maiores potências. E, mesmo em crise técnica, disputa a cobiçada Libertadores da América. Mas, acabou o charme.

Me atenho à questão competitiva. Agora, o pomposo REFFIS precisa ter suas paredes pintadas novamente. Os aparelhos renovados. Os jornais estão quebrando com mais força as ratoeiras do CT de Cotia. Milton Cruz não é mais aquele velho ponto de apoio de uma comissão técnica autêntica, sobre a qual o alto escalão diretivo tinha controle. Aquele craque em ano sabático já não prioriza ligar para o clube do Morumbi para se recuperar fisicamente. Há dúvidas, e concorrência pesada. Se estou sendo compreendido… os chavões perderam a “caixa alta”.

O São Paulo implode aos poucos e os primeiros gemidos já começam a ser escutados. O abafo é frágil e os rachas entre cardeais deixaram de ter cunho apenas promocional.

Logo no momento em que o futebol brasileiro mais aproveita para avançar no consumo de entretenimento no país. Logo quando a crise chegou, e investir sem confiança de mercado consumidor se torna ainda mais arriscado. Com Corinthians e Palmeiras, que gozam do – irônico – privilégio de nunca terem precisado defender reputação alguma, escalando rapidamente rumo a um topo onde o tricolor sempre foi visto, quem vai apostar nesse clube cambaleante a essa altura do campeonato?

Uma oportunidade estratégica para a estrela do Botafogo voltar a brilhar
Flamengo e R10, um divórcio de 17 milhões. E um até breve.

Escrito por:

- possui 23 artigos no No Ângulo.

Portoalegrense de nascimento e residência desde sempre, é administrador de empresas e tem como dois de seus principais hobbies o futebol e a escrita. É neste espaço que essas paixões poderão se unir: a leitura da bola através da riqueza da palavra.

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9 respostas para “Um São Paulo raras vezes (ou nunca) visto”

  1. Leandro Silva disse:

    São Paulo tá voltando pro lugar dele,ficou rico por causa de Corinthians e Palmeiras que alugava o Morumbi depois do pacto os clubes não alugaram mais e o clube perdeu uma renda grande!

  2. Eu como Santista,estou adorando de ver um time totalmente sem alma,esse do SP..sei q meu time é limitado,mas os caras correm o tempo todo

  3. Rico Tristao disse:

    Verdade agora não aluga mas o Morumbi pro outros times grande não tem mas verba ora montar time agora vive só do passado si quiser ver o grandioso são Paulo tem que ir no museu pós atualmente só piada

  4. Eduardo Silva disse:

    O sao paulo e uma bosta

  5. Ronaldo Rocha disse:

    ” O sp é uma bostata ” com três mundial ,menos ta.

  6. Rodrigo Dutra disse:

    bambis viado kkkkkkkkk


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Jornalista há 19 anos, já cobriu Copa do Mundo, NBA, Nascar, Pan, Mundial de vôlei, Copa do Mundo de ginástica, Libertadores e as principais competições do futebol nacional. Começou no A Gazeta Esportiva, passou pelo site do Milton Neves, Agência Estado, Agora São Paulo, Terra, ESPN e está na TV Gazeta. A trabalho, conheceu 8 países, 18 estados do Brasil e mais de 100 estádios.

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