Ainda sobre a seleção argentina (e sua real importância em Copas, comparada ao Brasil)

Créditos da imagem: Futebol Na Veia

Rivalidade – si! Pero, en Copas, no mucho!

Aviso: se você abriu esta coluna esperando menções a Lionel Messi, Maradona e discussões sobre “quem é melhor?”, procure outro endereço. Este texto vai muito além de ambos. Vai questionar, inclusive, uma lenda de quando nenhum dos dois era nascido.

Mais uma participação melancólica da Argentina se encerra. Não deveria espantar tanto assim. Apesar de cinco finais, com dois títulos, o futebol argentino tem mais lembranças de campanhas tristes que muito memoráveis. O Brasil, além das cinco conquistas e dois vice-campeonatos, desde 1938 cumula mais participações dignas que fracassos retumbantes. Dá para contar nos dedos: 1966, 1990 e 2014. Esta última, um quarto lugar, “apenas” pelo desastre do Mineirão. Somam-se a estas as irrelevantes passagens em 1930 e 1934. Nada mal para quem esteve presente em todas as Copas. Vejamos, todavia, o que falar da Argentina.

Para começar, além de voluntariamente terem ficado de fora das Copas de 1938, 1950 e 1954, os argentinos não se classificaram para a Copa de 1970. Ainda assim considerando as quatro Copas que jogaram a menos, eis os momentos constrangedores:

1934 – eliminados na primeira fase.

1958 – eliminados na primeira fase, tomando uma goleada de 6 a 1 da Tchecoslováquia. O jogador Carrizo, um dos presentes, admitiu que os anos longe da disputa e a debandada de jogadores para a Europa provocaram grande atraso no futebol argentino.

1962 – eliminados na primeira fase, sendo que seu melhor jogador pré-Maradona, Di Stefano, jogou pela seleção espanhola – ainda por conta das conturbações que, no final dos anos 1940, levou ao êxodo de atletas e aos boicotes das edições no Brasil e na Suíça.

1994 – eliminados nas oitavas-de-final – o contorno trágico foi o doping de Maradona após três vitórias na primeira fase. Devastados com a revelação de que o camisa 10 só entrou em forma desse jeito*, os argentinos voltaram à insegurança pela surra colombiana em 1993.

2002 – eliminados na primeira fase – a seleção do Loco Bielsa, mestre de Sampaoli, chegou como favorita após campanha brilhante nas eliminatórias. Mas caíram no grupo da morte e ainda sentiram a pressão pela crise econômica local. Ganhar pelo “pueblo sofrido” é complicado.

2010 – eliminados nas quartas-de-final – OK, não parece ruim, mas ir para casa com um 4 a 0 não é algo a ser lembrado com carinho. Não falo do técnico e do camisa 10 por força do prometido acima.

2018 – sem comentários, pois estamos presenciando os fatos.

São sete em dezessete participações. Comparada a outras seleções, até está OK. Mas, quando o parâmetro é o vizinho, fica absolutamente fora de propósito colocar Brasil e Argentina no mesmo degrau de relevância. A seleção brasileira vence em todos os quesitos. Incluindo o “campanha nos anos em que o rival venceu”. Em 1986, que comento no site, uma derrota nos pênaltis para a favorita França, naquele que pode ter sido o melhor jogo da Copa. Em 1978, não fomos à final por diferença no saldo de gols, graças a uma tabela que permitiu aos argentinos entrar em campo sabendo do resultado necessário, contra um Peru sem chances. Já o inverso é cruel. Uma ausência, três eliminações na primeira fase e outra nas oitavas-de-final. Aliás, um indício bastante favorável para a presente edição – para desespero dos redatores do jornal argentino Olé.

A bengala argentina, sustentada inclusive por comentaristas antigos do Brasil, é a década de 1940. Argumenta-se que a Segunda Guerra Mundial, ao inviabilizar as edições de 1942 e 1946, veio a impedir duas conquistas “certas” da mais brilhante geração já vista. Foram quatro Copas América seguidas (1941 a 1947), de forma invicta. Fantástico. Mas prever o passado, ainda mais com “certeza” de conquista, é algo que raramente soa preciso. O que poderia assegurar que, não fosse o conflito, seleções europeias não teriam boas chances? Fazer grandes campanhas seria uma coisa. Ganhar as duas seria bem outra. A Holanda teve uma geração inesquecível nos anos 1970 e não levou nada para casa. E o que dizer da Hungria de 1954? Se há uma coisa que a Copa do Mundo mostra é que ninguém é vencedor por decreto. Absolutamente ninguém.

Para uma seleção que não conquista sequer uma Copa América desde 1993, perdendo até edições em que o Brasil levou equipes alternativas, quanto menos fatores de pressão, melhor. Para igualar o que a seleção brasileira tem, no mínimo serão necessários doze anos. Isso com um tricampeonato autêntico que nem as duas gerações de Pelé conseguiram. Mais: teriam que ganhar além do dobro do que venceram até hoje. Portanto, se quiserem pensar em diminuir a vantagem, o primeiro passo é cair na real. Em Copa do Mundo, que é o que importa, o maior rival tem outros maiores rivais. “Hasta 2022” – se estiverem lá.

* existe uma teoria da conspiração, segundo a qual a FIFA e os organizadores da Copa teriam consentido com o doping de Maradona, porque achavam comercialmente vital sua presença no Mundial. Após críticas deste durante a Copa, teriam resolvido quebrar a promessa de aliviar nos exames. Só alguns jornalistas muito fanáticos – argentinos e brasileiros – acreditam nessa bobagem.

17 comentários em: “Ainda sobre a seleção argentina (e sua real importância em Copas, comparada ao Brasil)

  1. Não tem comparação Maradona foi muito mais jogador que o Messi quem viu o Maradona jogar pode falar melhor que o Maradona só o Pelé e ninguém mais

  2. A Argentina tem é muito azar em copas do mundo pois sempre caem em grupos da morte já o Brasil só cai em grupos fáceis onde ele vai ganhando e pegando confiança no resto da competição. Mas cá pra nós a Argentina já ganhou uma copa em casa enquanto o Brasil levou 7 da Alemanha.

  3. Um ajuste. Me permita. A campanha de 1994 da Argentina não foi de três vitórias. Foram duas vitórias (4×0 na Grécia e 2×1 na Nigéria) uma derrota (0x2 com a Bulgária) .

  4. Fernando Ribeiro tanto mimimi o Brasil sempre foi beneficiado pela arbitragem na copa de 1962 houve um pênalti e i juiz não deu contra o Brasil, em 1994 Branco faz uma falta antes de sofrer uma falta contra a Holanda e o Juiz não deu, 2002 falta fora da área o Juiz da pênalti contra a Turquia, em 2002 gol legal da Bélgica o Juiz invalida alegando falta.

  5. Verdade mesmo. São 5 copas do mundo dando sorte. Infelizmente o maior vencedor entre todas seleções deu foi é sorte. E a Argentina q não ganha nada a mais 20 anos q são uns azarados pq só pegam times difíceis e só caem em grupos da morte.

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