Ainda sobre o Mundial Interclubes

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“Não tá morto quem peleia”, alguém já disse e muitos repetem a todo instante. Há poucos dias mesmo, Roberto Thomé, excelente repórter, gremista confesso, repetiu esta frase, para dizer que, mesmo reconhecendo o favoritismo do Real Madrid na final do Mundial – que acabou se confirmando – o Grêmio ia para a luta e, embora com chances menores, poderia surpreender e conquistar o bi.

“Não tá morto quem peleia”, mas ouço pessoas achando que os times brasileiros, alguns falam até nos sul-americanos, deviam desistir de disputar o Mundial Interclubes, patrocinado pela Fifa, por conta da superioridade gritante imposta pelos clubes europeus faz bom tempo.

Nos últimos 12 anos ganhamos apenas três: São Paulo (2005), Internacional (2006) e Corinthians (2012). Ruim, mas nem tão ruim assim, se lembrarmos que dos 58 disputados desde 1960, apenas nove títulos vieram para cá. Santos 1962/63, Flamengo 1981, Grêmio 1983, São Paulo 1992/93/2005, Inter 2006 e Corinthians 2012. Tem o título do Corinthians vencido no Rio, em 2000 – em um torneio experimental. Sendo considerado, passaria a dez.

Ruim o aproveitamento. Pior, ainda, se olharmos que dos 58 torneios jogados, estivemos em apenas 17 (18, se considerar o do Rio). Seria mesmo o caso dos times dessa banda do mundo – incluindo ou não os hermanos em geral, desistirem de pelear. Assim como o garoto que ganhou bola novinha de Papai Noel, chamou a turma do prédio para a quadra do condomínio, mas desiste e recolhe a bola depois do seu time perder três seguidas?

Caminhando por aí, logo alguém proporia aos times brasileiros saírem também da Libertadores. Afinal, faturamos apenas 17 – veja que não se acrescenta aqui a que seria de 2000, porque foi ganha pelo Boca Juniors. Tomamos um banho danado dos argentinos e dos uruguaios. Já sei, alguns dirão que por bom tempo os times brasileiros não se interessavam pela Libertadores, porque rendia pouco. Aceite quem quiser.

Se um time ou seleção só entrar num torneio quando tem chances de ganhar o título, imagine a Copa do Mundo com, exagerando, dez seleções: as oito que venceram até agora as 20 disputadas – Brasil, Itália, Alemanha,Uruguai, Argentina, Inglaterra, França e Espanha, mais a quase sempre excelente Holanda e uma outra para servir de zebra.

Seria por aí? Claro que não. Quem nunca ouviu falar da fantástica Hungria de 1954? Da própria Holanda em 1974 e 78? E na “Dinamáquina”? Mais de uma vez conversei com Parreira sobre a Copa em que um time africano surpreenderá. Ele acha que nunca, pelo menos no nosso tempo de vida. Acho que sim, se for…

Vai ser difícil um time brasileiro, e mesmo sul-americano, ganhar novamente um Mundial. Isso parece bem claro. Mas é preciso entender os motivos, que nada têm a ver com a baixa qualidade dos jogadores brasileiros. Sim, já não aparecem tantos grandes jogadores como antes, mas é pela mesma causa. Se vão daqui muito cedo – no que fazem muito bem, já que futebol é profissão e nada tem a ver com nacionalismo, defesa da pátria amada idolatrada. Com os melhores saindo cedinho, os que os levam formam verdadeiras seleções, e ganham os títulos, que justificam seus investimentos. O que tem de errado nisso?

Errado é fugir da raia só porque sabe que as chances de vencer são mínimas, embora não inexistentes. São Paulo e Corinthians provaram que não. Feio é fazer como o garoto dono da bola que ganhou de Papai Noel. E quem não entende que “não tá morto quem peleia”.

7 comentários em: “Ainda sobre o Mundial Interclubes

  1. Assino embaixo, mestre José Aquino! Até porque em outros tempos foram os europeus que não costumavam se dar bem, por exemplo, entre 80 e 84, nas cinco primeiras edições da “Copa Toyota”, no Japão, só os sul-americanos venceram.

    Enfim, é assim que são as coisas, e se ficou mais difícil, na mesma medida ficará mais prazeroso quando acontecer de algum time daqui ganhar… 😉

  2. Não assino embaixo, com o devido respeito. Quando falo em acabar com o mundial, não me refiro apenas à ótica brasileira. O torneio perde o sentido e o atrativo a partir da constatação do desequilíbrio vultoso na disputa. Sendo que, agora sim falando em visão nacional, chegará um momento em que nem a mais bela retórica convencerá o torcedor a achar romântico e guerreiro ir todo ano pra, ainda quem não apanhe em campo, jogar uma partida em que a perspectiva de vitória consiste em achar um gol e rezar pra que seu goleiro e sua defesa se consagrem. Simplesmente cansa. Não temos cultura de futebol paraguaio, por motivos óbvios. Entendo a intenção edificante ao se formular tais argumentos neste momento, mas não duvido que vocês mesmos revejam este ponto de vista mais adiante, inteligentes e inteligíveis que são.

  3. Aceitar a diferença é o primeiro passo. Não precisamos desistir, mas ter a consciência de que estar na final já é a conquista possível.
    Além de não vencermos, por 3 vezes os sulamericanos ficaram de fora da final! E este ótimo Grêmio – para padrões brasileiros – fez um jgo duríssimo contra o Pachuca.

    Admitir a inferioridade é bom. Aceitar ser zebra é o que nos resta.

  4. Eu só tenho curiosdade é de saber se o futebol europeu vai continuar sempre assim concentrado em Barcelona e Real Madrid!!!!!! Porque se der uma descentralizada, já facilita mais!!!!!!!!!!!!!!!!

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