Análise: coroando uma carreira de altos e baixos e grandes feitos, Jô merece mesmo a Seleção

Créditos da imagem: Show de Bola Futebol Clube

Jô é um desses jogadores que por  viverem altos e baixos -muito mais relacionados a questões emocionais do que técnicas- não têm o crédito que merecem.

Ao longo de 14 anos de carreira profissional, foi construindo uma carreira sem muito alarde, mas com grandes feitos que foram passando despercebidos. Agora, vivendo o auge da carreira e demonstrando uma grande maturidade, Jô vai conduzindo o surpreendente líder Corinthians em uma rota que parece levar à conquista do Campeonato Brasileiro. Hoje, venceria o prestigiado prêmio Bola de Ouro, como o melhor jogador do campeonato.

Se isso realmente se confirmar, e Jô for a principal liderança técnica de uma conquista de equipe tão popular, em uma competição tão importante, creio que finalmente o valor desse raro centroavante será definitivamente reconhecido.

Um de seus feitos veio logo que surgiu entre os profissionais: aos 16 anos, tornou-se o jogador mais jovem a atuar e a marcar um gol pelo Corinthians -um dos maiores clubes do mundo e que tem mais de 100 anos de história. Apareceu e seguiu no clube sem ser uma grande promessa, ou joia badalada, como segundo atacante, mas desempenhou bom papel no título brasileiro de 2005.

Depois disso, foi vendido para o CSKA da Rússia, ainda sem badalação. Até que, no meio de 2008, foi contratado pelo Manchester City no que foi a então maior transação da história do clube, por US$ 37 milhões. Nessa mesma época, fez parte da campanha brasileira que chegou à Medalha de Bronze nos Jogos Olímpicos de Pequim (na qual marcou dois gols). Mas a passagem pelo clube foi um fiasco, e hoje o atleta diz que se deslumbrou nessa fase.

Veio então um período tenebroso na carreira, com breves passagens por vários clubes, até o fundo do poço que foi a dispensa por indisciplina no Internacional, em 2012. Logo em seguida, foi para o Atlético Mineiro de Cuca e Ronaldinho Gaúcho, onde se encaixou logo de cara e viveu grande fase, conseguindo mais um feito: teve papel muito importante na inédita conquista da Libertadores pelo Galo, em 2013.

O bom desempenho na Galo o levou à Seleção Brasileira de Felipão, onde foi reserva de Fred na conquista da Copa das Confederações de 2013 (na qual também marcou dois gols) e na disputa da Copa do Mundo de 2014 (que acabou “queimando o filme” de quase todos os convocados, ou seja, nenhum deles pode ser responsabilizado).

Depois disso, nova queda. Passou a ser pouco utilizado no Galo, até ir “se esconder” nos Emirados Árabes Unidos e na China.

Quando foi anunciado pelo Corinthians para a temporada 2017, parecia quase um ato de filantropia do clube alvinegro. Mesmo em se tratando de um “jogador de Copa do Mundo” na flor da idade, poucos cogitavam ao menos a possibilidade de que viesse a jogar bem. Mas hoje vem sendo a única coisa que faltava em sua carreira: protagonista de um time vencedor.

Tecnicamente, Jô é um centroavante raro: alto e veloz, não faz feio fora da área, é excelente cabeceador, marca e recompõe defensivamente e faz um trabalho de pivô de excelência mundial. É completo, e ainda gosta de jogos grandes. Na atualidade, não vejo nenhum nome melhor para ser o camisa 9 reserva da Seleção. E pensar que é um jogador que já atuou em três continentes, campeão da América e com experiência de Olimpíadas e Copa do Mundo, só reforça como deveria estar entre os convocados.

Concorrentes como Jonas, Firmino e Diego Souza não possuem as mesmas credenciais. Diego Tardelli infelizmente optou por atuar na China, longe da competição em alto nível. Fred, Ricardo Oliveira e Luis Fabiano parecem sentir a idade e entrar na fase descendente. Se Jô continuar tendo o protagonismo que vem tendo em 2017, sua presença entre os convocados me parece mandatória. E uma eventual conquista do Brasileirão deverá colocá-lo finalmente no patamar em que merece. A ver.

5 comentários em: “Análise: coroando uma carreira de altos e baixos e grandes feitos, Jô merece mesmo a Seleção

  1. Simplesmente um jogador comum, como muitos que temos por aqui. Já não se faz mais craque como antigamente.

Deixe sua opinião e colabore na discussão