Ano 2018, do ponto de vista do torcedor

Créditos da imagem: Montagem / No Ângulo

Este texto não fará previsões sobre quem é favorito a campeão ou a quarta força. Mas pretende tratar do que pode deixar um torcedor tranquilo ou infeliz em relação ao futuro, tendo em vista o passado. A expectativa depende muito do histórico recente. Por isso, em linhas gerais, imagino que as pretensões dos torcedores sejam as seguintes:

Palmeiras e Flamengo – Estão com a espada no peito. Donos dos melhores elencos e maiores recursos financeiros, ficaram a dever muito em 2017. Erráticos no ano passado, fizeram virar fumaça o favoritismo que tinham. Erraram muito. O Palmeiras teve a aposta incerta de Eduardo Baptista no início do ano. Deu ruim. Ressuscitou Cuca e foi um fracasso. Terminou o ano sem títulos e frustrado. Aposta agora em um técnico novo e sem trabalho solidificado. E ainda viu o rival Corinthians fazer a festa.

O Flamengo começou 2017 com a promessa Zé Ricardo. Não deu força ao jovem treinador e acabou o ano sem títulos importantes. O técnico Rueda (ou Zé Ruela) mostrou uma possibilidade, mas pisou na bola no início deste ano, enrolando e largando os rubro-negros sem constrangimento. O clube fixou o antiquado Carpegiani (de grande passado, mas com presente e futuro discutíveis). Palmeirense e flamenguistas correm sério risco de ficarem novamente sentados na grana vendo os rivais colecionando vitórias.

Corinthians, Grêmio e Cruzeiro – Ganharam títulos importantes em 2017. Talvez, com exceção dos mineiros, além das expectativas. Não há garantias de que repetirão o sucesso, mas estão dentro do prazo de validade das conquistas recentes. Mesmo que não conquistem taças, se não houver vexames, poderão passar o ano de forma ainda positiva.

São Paulo – por incrível que pareça, o são-paulino é o que mais tem margem para se satisfazer em 2018. Sem título importante desde o tri no Brasileiro de 2008, o Tricolor tem passado períodos difíceis nos últimos anos. Em especial 2017, quando esteve às portas do rebaixamento. Uma ação rápida, e não pouco desastrada, salvou o time da série B. Agora, depois das saídas de Hernanes e Pratto, e da incerteza em relação a Cueva, o são-paulino deverá respirar aliviado se tiver um ano sem grandes aflições. Não precisa ser campeão. Basta ser competitivo e não correr riscos. Se acontecer algum título, mesmo do Paulistão, será uma festa.

Santos – Está devendo. A torcida quer ganhar algo. A última foi a Libertadores de 2011. Vice ou terceiro lugar no Brasileiro é pouco para o torcedor santista. Se não ganhar nada, terá problemas.

Botafogo – a saída de Jair Ventura dá mais prazo à diretoria para usar o discurso da construção ou da reconstrução. O botafoguense está curtido nas dificuldades. Se tiver uma atuação digna, tipo ser no mínimo finalista estadual ou G6 do Brasileiro, deve sair sem problemas.

Internacional – A demanda está batendo no pescoço. Foi para a Segundona do Brasileiro e escapou de forma negativa. Não foi campeão e esteve ameaçado por muito tempo de permanecer, de forma inédita para um grande clube, na Série B. Tem a obrigação de ser extremamente competitivo em 2018.

Fluminense – se ficar na Série A será uma tremenda conquista.

Vasco – O time da terceira idade quer estar perto dos líderes e longe dos rebaixados em todos os torneios. Se conseguir, ficará feliz.

Atlético-MG – Nunca sabemos o que o Atlético quer. Pelo corte de gastos, imagino que estará feliz se ficar, no mínimo, no grupo intermediário.

Os outros – Esse grupo varia de ano a ano. São os que ficam à beira do grupo da Libertadores e acima do rebaixamento. Devem seguir suas sinas. Liste-se aí Atlético-PR, Sport, Bahia, Ceará etc.

Seleção Brasileira – Para essa, não há meio termo. Ou é campeã na Rússia ou a atual geração será chamada de perdedora.

4 comentários em: “Ano 2018, do ponto de vista do torcedor

  1. Emerson, penso que sua impressão sobre a visão dos tricolores se aplica a um segmento mais realista, que sabe o tamanho do buraco e entende a necessidade de ver 2018 como um ano de reconstrução para, talvez em 2019, voltar às cabeças. Conduto, tanto a turma do apoio incondicional (essa imbecilidade incompatível com torcida de time grande) quanto a da tolerância zero esperam um ano com disputa de títulos. Claro que, se o time voltar a flertar com o rebaixamento e não cair, teremos mais uma melancólica comemoração. Mas não é, neste momento, o que uns esperam e outros exigem. Abs

    1. Concordo com você. Eu tentei antecipar o estado de espírito da média dos torcedores no próximo mês de dezembro. Claro que é um exercício feito com alguma tentativa de humor, mas se pegarmos o final do ano passado e as expectativas para 2018 muitos times deverão viver, pelo menos em parte, as sesnsações arriscadas no texto.

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