As Aventuras de Sampaoli

Créditos da imagem: Reprodução UOL Esporte

O sussurro que vem nos atormentando bem lá no fundo está dizendo a mais pura e terrível das verdades: não vai funcionar

“O romance engasgou, tossiu e morreu. Esse é um sofrimento comum entre escritores em potencial. O tema é bom, as frases também. Os personagens são tão cheios de vida que praticamente precisam de certidão de nascimento. O enredo que traçamos para eles é magnífico, simples e cativante. Fazemos a pesquisa, reunindo os fatos – históricos, sociais, climáticos, culinários – que darão à nossa história o toque de autenticidade. O diálogo flui, estalando de tanta tensão. As descrições explodem em cores, contrastes e detalhes narrativos. Na verdade, a nossa história só pode ser maravilhosa. Mas isso tudo acaba dando em nada. Apesar daquela promessa óbvia e luminosa, chega uma hora em que percebemos que o sussurro que vem nos atormentando bem lá no fundo está dizendo a mais pura e terrível das verdades: não vai funcionar. Falta um elemento, aquela centelha que dá vida a uma história real, pouco importando se os fatos ou a comida estão corretos ou não. Emocionalmente, a nossa história está morta: este é o “xis” do problema. Essa descoberta é muito sofrida, podem acreditar. Ela nos deixa com uma fome tão grande que chega a doer”.

O trecho acima foi escrito por Yann Martel antes de ele conseguir emplacar o fenômeno mundial da literatura (e cinema) “As Aventuras de Pi”.

Com algum esforço, é possível adaptar o sentimento de frustração do então candidato a escritor e aquele vivido atualmente pelo treinador santista Jorge Sampaoli.

Vá lá que o enredo santista não fosse tão magnífico assim. Havia e ainda há alguns graves defeitos na formação do elenco.

No entanto, depois de uma rápida adaptação e introdução de um estilo de jogo, é razoável imaginar que o cenário era, sim, promissor para o Santos em 2019.

ERA.

À presente altura, o próprio treinador –que teve de chegar ao cúmulo de devolver o próprio salário ao clube para ficar “em condições de igualdade” com o seu elenco de jogadores, que está há dois meses sem receber- já deve ter percebido que a história do clube nesta temporada já está morta e comprometida.

A cartilha de “como se estragar um time de futebol” está sendo seguida à risca pelos dirigentes santistas.

Mas é claro que alguns vão alegar que o Sampaoli não deu certo pelo fato de não ser brasileiro.

Não há limites para a cretinice.

Fosse eu o treinador argentino e pediria o boné AGORA, sem pestanejar.

E segue o jogo.

2 comentários em: “As Aventuras de Sampaoli

Deixe sua opinião e colabore na discussão