Jesualdo Ferreira não pode ser o “testa de ferro” do presidente. E mais…

Créditos da imagem: Reprodução UOL Esporte

Entender a situação do clube é importante para ambas as partes, mas tornar-se acrítico pode ser um problema

Assim que chegou à Vila Belmiro, Jesualdo Ferreira declarou que compreendia a situação financeira do Santos e que toparia trabalhar dentro de suas possibilidades.

Um alívio, especialmente depois dos ataques megalomaníacos de Jorge Sampaoli, que resultaram na sua saída do futebol brasileiro (Palmeiras e Atlético Mineiro também tentaram, sem sucesso, a contratação do hermano “sem noção”). A respeito disso, já ironizei neste espaço o ex-treinador santista, que aparentemente não tinha internet em sua casa ou em seu smartphone quando, em baixa após uma Copa do Mundo ruim comandando a seleção argentina, topou vir comandar o Peixe para retomar a carreira (depois de um revés, Sampaoli convenientemente afirmou que desconhecia o cenário de crise financeira enfrentado pelo clube).

No entanto, o que parecia bom no começo -e de fato é-, pode virar um problema se Jesualdo, sob o argumento de que topou ser um facilitador para o clube, passar a acatar passivamente tudo que a ele for, digamos, “sugerido”. Veja, ainda é cedo para afirmar qualquer coisa a respeito desse início de trabalho, mas há dois elementos em especial que entendo suficientes para que o alerta seja ligado: i) a liberação quase que imediata de Vanderlei para o Grêmio (sem entrar no mérito sobre o desafogo financeiro que isso representou, mas atentando-se à forma de como a transação ocorreu. Teria sido uma “sugestão” da diretoria?); ii) a inexplicável utilização de um centroavante da base na função do velocista e driblador Soteldo (não é segredo, entre aqueles que acompanham de perto o Santos, que eventual venda de Kaio Jorge é tratada como a mais nova “salvação da lavoura” santista).

Sobre os testes na escalação, contra o Corinthians, por exemplo, Kaio Jorge não acompanhou Everaldo no primeiro gol do adversário e nada produziu na frente. Obviamente não é a dele a acabará sendo queimado. O mesmo valendo para Sandry, que formou uma linha de 3 volantes (?) e entrou numa fria enquanto os mais experimentados -e meias- Evandro e Jean Mota ficaram no banco. Ainda sobre Kaio Jorge, com a sua escalação Jesualdo Ferreira acaba comprometendo o posicionamento de Sasha, um dos destaques do time em 2019 e, ao adiantar Pituca, Jesualdo tira do volante o que ele tem de melhor: bom desarme com transição rápida da defesa para o ataque.

Penso que um teste precisa fazer um mínimo de sentido, sob pena de representar perda de tempo e confiança, esta que a duras penas foi conquistada na temporada passada. O mínimo que se espera de uma transição é que o sucessor de um grande trabalho tente aplicar o dele sem deixar de observar, pelo menos nas coisas mais evidentes, as qualidades colocadas em prática pelo seu antecessor. Essa ruptura brusca pode desencadear numa crise que, com um pouco mais de traquejo, poderia ser evitada.

O futebol do Santos em 2020, mesmo com todas as ressalvas (início de trabalho com perda de jogadores, campeonato estadual utilizado para testes etc etc etc), choca pela falta de repertório. De repente, o time virou um catadão capaz de ser pressionado pelo enfraquecido Guarani com um jogador a menos. E vale lembrar que, diferentemente do que aconteceu com Sampaoli na transição 2018/2019, Jesualdo Ferreira herdou um time “redondinho” este ano.

Enfim, isso tudo pode ser uma interpretação precipitada? Pode!

Jesualdo Ferreira merece mais crédito? Merece!

No entanto, a impressão até aqui não é das melhores. Que a aparente passividade do treinador português na beira do campo seja, na verdade, a tranquilidade de quem sabe o que está fazendo.

Aguardemos.

E segue o jogo.

2 comentários em: “Jesualdo Ferreira não pode ser o “testa de ferro” do presidente. E mais…

  1. Perfeito! Acrescentaria, ainda, que a única perda de TITULAR ABSOLUTO foi o Gustavo Henrique. Vanderlei e Victor Ferraz já eram reservas na maioria dos jogos e Jorge, depois de ver despencar o seu desempenho, ora atuava, ora ficava de fora. Sem falar que Luan Peres foi utilizado muitas vezes no ano passado e foi bem. Deve substituir bem o GH, até porque atuar com o Lucas Veríssimo facilita a vida de qualquer zagueiro.

  2. Enquanto tudo isso acontecia, SOTELDO estava no PRÉ-OLÍMPICO COM A VENEZUELA!!!

    O Santos quer vendê-lo com certeza ou não?!!!

    Aí pode chamar até o Klopp que não vai ter jeito! kkkkkkkkk

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