Lembra como Zé Ricardo, Jair Ventura e, especialmente, Fábio Carille ganharam vez nos seus clubes?

Créditos da imagem: Portal Terra

Rápido e rasteiro: goleiro bom é o que pega as bolas impossíveis. Zagueiro bom é o que não comete “domingadas”, facilita a vida do goleiro. Volante bom é o que, sem faltas, mata as jogadas adversárias antes da grande área. Meia bom é o que coloca o atacante na cara do gol. Assistência é tão importante quanto o gol. E atacante bom é o que marca gols. De placa ou de bumbum.

Assim, técnico bom é o que, com o time, ganha jogos e campeonatos.

Lula foi um grande técnico no Santos dos áureos tempos. Por armar o time ou por não atrapalhar a máquina jogar. A gosto do freguês.

Brandão foi um grande técnico. Tire dúvidas, caso existam, com corintianos e palmeirenses. Telê…

Pergunte quais os grandes técnicos do momento no futebol brasileiro, além de título, que vai se colocando em campo mais amplo, e responderão que Fábio Carille é um deles. O Corinthians lidera com folga o Brasileiro. Queiram ou não alguns críticos mais exigentes, Zé Ricardo é outro. Veja que o Flamengo, no momento, é o quarto colocado com um time sendo montado durante o torneio. Não acho, mas os gremistas colocam Renato Gaúcho nesse balaio. O Grêmio está em segundo. Até outro dia, pelo menos, graças ao título brasileiro de 2016, Cuca era um gênio para os palmeirenses e objeto de desejo por outros times. O Palmeiras é o sexto. O Santos é o terceiro, mas não vejo Levir Culpi recebendo votos. Nem Mano Menezes, do Cruzeiro, oitavo. Melhor se coloca Jair Ventura Filho, do Botafogo, em sétimo.

Renato Gaúcho, não parece, mas é cavalo velho nesse páreo. Com intervalos para as sagradas partidas de futevôlei na praia, roda por aí há 21 anos, desde sua primeira experiência no Fluminense, até sua volta ao Grêmio, ano passado, para salvar o time e, em consequência, tornar-se bestial.

Cuca é outro. Há 14 anos toca viola de sete cordas. Tirou os primeiros acordes no Uberlândia, ainda em 2003 estava no Goiás e um ano mais já vinha para o Morumbi. Rodou por aqui e lá fora. Contando os bis, são 14 comandos, com algum sucesso.

Três jovens, oficialmente na beira do gramado, são os técnicos do momento: Jair Ventura, Zé Ricardo e Carille.

Ao analisar as qualidades do primeiro, deve-se considerar que comanda um time de tradição, mas sem poder financeiro, vivendo crises após crises – além de disputar um torneio forte, como a Libertadores, com um elenco enxuto.

Nesses quesitos, Zé Ricardo tem mais sorte – os ricos cofres do Flamengo andam de portas abertas e o elenco transborda. Quem sabe se isso não acaba prejudicando seu trabalho e aumentando as críticas, repito, injustas.

Carille não vê o Corinthians com os cofres repletos, bem ao contrário. Não tem estrelas no elenco, mas tem um grupo homogêneo e consciente de suas boas possibilidades. É o cara da hora, para desarquivar a gíria. Mas poderia não ser. Acredite ou não, se o Corinthians não tivesse atolado em dívidas, e não tivesse recebido sonoros “não” de alguns técnicos – nem tão importantes assim – quando Tite foi para a Seleção. Lembro-me de três: Guto Ferreira, Dorival Júnior e Reinaldo Rueda. Só depois das desfeitas, é que, faltando cinco dias para o Natal de 2016, Papai Noel olhou para o estudioso e competente auxiliar, que paciente aguardava sua vez. Podem não ter dito, mas pensaram: “não tem outro, vai você mesmo”. Desconfiança que durou até outro dia, quando o efetivaram no cargo e deram um aumento salarial.

A chance de Jair Ventura, que durante anos se preparou, surgiu mais ou menos da mesma forma, quando o São Paulo repetiu a bobagem de recontratar Ricardo Gomes.

Zé Ricardo, que conhece os pombos que rondam a Gávea pelos nomes – está há 19 anos, fazendo escola no salão, com a garotada de 13 anos, subindo, pegou o remo quando Muricy deixou o barco, em maio de 2016. Um interino efetivado apenas dois meses depois. Seja por falta de opções, porque de grana não era, seja por elogiável proposta de renovação, foi ficando, vai resistindo e realizando bom trabalho.

Se renovar é preciso, seja por falta de grana ou de opção, o futebol brasileiro bem que pode agradecer aos três clubes.

E olha que, pelo que publicam, os três recebem, juntos, igual ou pouco menos que, cada um, faturam Renato Gaúcho e Cuca, contra o que, nada tenho.

19 comentários em: “Lembra como Zé Ricardo, Jair Ventura e, especialmente, Fábio Carille ganharam vez nos seus clubes?

  1. Perfeito!!!!!!!!!! Assim como a crise faz com que os clubes lancem mais garotos da base em vez de pagar grandes salários e medalhões, também ajuda a fazer com que deem uma oportunidade a quem já está lá dentro!!!!!!!!!!!!

    1. Perfeito. Pena que os clubes ainda prefiram jogadores caros, sem qualidades para tanto dinheiro, hermanos de segunda e terceira categoria, a prestigiar e manter as revelações

  2. O JAIR VENTURA ESTÁ FAZENDO MILAGRE COM ESSE TIME DO BOTAFOGO, É EXCELENTE.

    O CARILLE TAMBÉM, MAS O MATERIAL HUMANO DESTE É BASTANTE SUPERIOR.

    JÁ QUANTO AO ZÉ RICARDO, NÃO SEI NÃO…

  3. Desconfio que eles ainda não acreditam nisso. Deram o cargo, interino, em dezembro e só efetivaram em junho, com pequeno aumento. Há um grupo pedindo para que renovem o contreato com ele logo – deve vencer em dezembro – mas não há resposta…

  4. Como rubro negro continua torcendo e querendo a permanência do Zé, acho até que ele já está pronto para se firmar como TÉCNICO DE FUTEBOL, afinal já aprendeu a ser teimoso é só ver a escalação do time, troca todo o time a cada jogo, menos o Araujo.

    1. Mas pelo menos a diretoria do Flamento está bancando, sendo coerente…Acho bom uma renovação, que só pode vir com manutenção do técnico.

  5. Excelente, Mestre José Maria de Aquino! Eu confesso que adoro essa renovação que está acontecendo nos nossos clubes. Antes tínhamos tantos técnicos “meia-boca” que vagavam de um clube para o outro, sempre com altíssimos salários!

    Acho que depois de tantos sucessos com “apostas”, nossos clubes serão menos conservadores na hora de manter técnicos que já comprovaram estar abaixo da posição que ocupam…

  6. Em outros tempos não se ganhava tão bem quanto agora. Nem aqui, nem no mundo. Evaristo Macedo, que brilhou no Barcelona e no Real por anos, gabava-se de ter amealhado 5 milhões de dólares. Falcão, ouvi certa vez, teria guardado lá fora 10 milhões. Mesmo Pedro rocha comprou uma casa – 3 quartos, atrás do Shopping Morumbi pagando prestações. Brandão, técnico, tinha uma coisa ao ser chamado para assinar contrato. Quando indagavam quanto queria ganhar, dizia que mais do que o salário do jogador mais bem pago. Ainda que fosse um centavo. Só assim poderia comandar. Ser um verdadeiro comandante, dizia

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