O espantador de ilusões – o que realmente esperar do futuro são-paulino

Créditos da imagem: Reprodução Folha

Cair na real é chato, mas necessário

Leco não vai cair. Não se trata de dizer se isso é o melhor ou o pior para o SPFC. É simplesmente o que vai acontecer. “Sejemos” objetivos: nem um abaixo-assinado com um milhão de aderentes pesará na política do clube, em que diversos presidentes foram eleitos após péssimos mandatos – deles ou dos partidários. Se resultado não influi, menos ainda a opinião de fora. Então é tudo inútil? Não necessariamente. Recuperar a postura crítica (“chatice”) é um passo na reconquista da grandeza. Ao menos para quem não resume grandeza a “time grande não cai”. O problema é que as mesmas pessoas que caíam nessa são o recheio dos atuais indignados. Para virarem casaca outra vez, não precisa muito. Suas convicções são consistentes… como geleia.

Continuemos “sejendo” objetivos: diversos curtidores do #ForaLeco são os que, há dois anos, xingavam seus críticos. Afinal, ele trouxe Rogério Ceni de técnico. Pegou o dinheiro da venda de Neres e gastou em Lucas Pratto. Sim, seu adversário tinha telhado de vidro, mas se fosse outro inventariam qualquer motivo para odiá-lo. Como podem desafiar um candidato apoiado por Marco Aurélio Cunha? O cara faz piadas com corintianos. Não pode ter gente melhor! E havia mais, porque a oposição contava com o grupo de Abílio Diniz. Um cara que se diz são-paulino, mas não dá dinheiro ao clube a troco de nada! Bom mesmo era esse menino, o Pinotti. O que é um cargo pra quem abre o bolso pelo clube? Para deixar claro: mesmo sem aspas, essas asneiras não foram minhas. Era o pensamento (?) de vários que aplaudiram o presidente e hoje o repudiam. Tijolos de areia.

Vamos supor que eu esteja errado. Vai que Leco renuncia. O que acham que ocorreria? Eleições antecipadas? Que nada. Um dos vices assumiria. Talvez Roberto Natel, cuja capacidade se resume a ser parente de Laudo Natel. O mesmo Laudo Natel que jogou a biografia tricolor no lixo em 2011. Outra alternativa seria Julio Casares, antigo “pitbull de Juvenal”. Foi ele que enganou oposicionistas garantindo que pularia do barco para desafiar Leco. “Desistiu” em cima da hora, fazendo com que os tapeados recorressem a Pimenta – um erro tão grande quanto acreditar no pitbull. Um deles (ou alguém da turma) ficaria até o final de 2020. Sob pressão, certo? Não “sejemos” ingênuos. A esta altura, quase todos os puxadores do #ForaLeco decretariam: “conseguimos a queda, agora temos que apoiar!”. No que seriam prontamente obedecidos: “Chega de corneta, seu modinha!”.

Um dia, salvo um meteoro ou coisa parecida, chegará dezembro de 2020. Agora a oposição leva, né? Não necessariamente. Pode ser que a nova (?) gestão situacionista consiga outa liderança efêmera e um lugar na pré-Libertadores. Ou chame trocentos ídolos numa espécie de “Vingadores, Guerra Infinita”. Ou nem isso, mas ache uma boa distribuição de cargos e favores – incluindo organizadas, blogueiros, twitteiros & Cia. Podem – ou devem – vencer. Mas vamos supor que dê oposição. Hoje o principal nome seria um ex-magistrado que arquivou o caso Jack porque “eram todos grandes são-paulinos”. E, é claro, temos Marco Aurélio Cunha. O homem que só rompeu com a situação quando foi passado pra trás, tendo retornado em seguida com o mote “sabemos fazer”. Um político. Medíocre, por sinal. Vive até hoje dos votos de são-paulinos medíocres. Como os aludidos acima.

Neste ponto, abro parêntese para falar de um personagem marcante do Jurassic Park. Dr Malcom, aquele que desde logo advertia: “vai dar m…”. O mesmo que (spoiler) sugere ser melhor deixar os animais morrerem na ilha em Jurassic World 2. O mesmo que, no final do filme, fala “eu avisei que ia dar m… e agora f… de vez”. Imagino o que Dr. Malcom diria frente aos dinossauros do Morumbi. Em especial a quem acha que basta trocar um por outro e tudo bem. Minha intuição sugere que seria favorável a deixar que se explodam. A rigor, ele estaria certo. Todos os caminhos de mudança foram bloqueados. A obrigatoriedade de profissionalização, criada na reforma estatutária de 2015, era falsa. Leco e o conselho não permitiram a inclusão de sanções em caso de inércia. Tornou-se mera boa intenção. E de boas intenções sabemos o que está cheio.

Então essa coluna é para quê? Jogar um balde de água fria? Sim. Por quê? Porque todos têm uma vida fora do São Paulo Futebol Clube. Cuidem bem dela. Não deixem que seja preterida por uma luta inglória. Assistam aos jogos (no estádio ou na TV), ou não. Critiquem, ou não. Protestem, ou não. Abandonem se caírem para a série B, ou não. Apenas não tratem o restante como resto. Nunca me comovi ou me comovo com quem vende tudo pra ir a Tóquio e afins. Isso me deprime. Prefiro um papel diferente. O papel de quem não acha que ser mais tonto ou fanático é ser mais apaixonado pelo clube que os outros. O papel de quem sabe que não é “só” isso ou aquilo para rever um tricolor próximo do que já foi. Não me curtam. Apenas me ouçam.

3 comentários em: “O espantador de ilusões – o que realmente esperar do futuro são-paulino

  1. Esse nem precisa de fantasia pro carnavalj ah vai de cornera ambulante. Aposto que eh corintiano

    SAO PAULO ATE MORRER!!!!!!

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