Relembrando mais um jogo do “negão” contra seu freguês predileto, o Corinthians

Créditos da imagem: Reprodução UOL Esporte

Em 1962, o então presidente corintiano Wadih Helu levou o clássico contra o Santos para a Fazendinha. Em vão…

Meus amigos, naquela época -ápice do tabu- o Corinthians tentava de tudo para vencer o Santos em jogos do Campeonato Paulista: no primeiro turno, o Peixe já tinha goleado seu tradicional adversário, na Vila Belmiro, por 5×2. No segundo, o Timão resolveu marcar o jogo para o acanhado Parque São Jorge, que ficou abarrotado com o recorde de 27.384 pagantes e 33 mil pessoas no total.

O jogo aconteceu em 04 de novembro de 1962. Eu tinha quase 12 anos de idade. Meus pais deixavam eu ir ao Parque São Jorge porque os filhos do dono da padaria Record (na rua Carneiro da Cunha) iam comigo. Pois bem, lá fomos nós.

Pegamos o ônibus Parque São Jorge da Viação Tupi, que tinha o ponto final no final da rua São Jorge. Os ônibus daquela época eram menores, do tipo 28 sentados e 32 em pé. Se for ver, no máximo 60 passageiros. Lembro-me que ao chegar no ponto final o trocador/cobrador falou ao motorista: Você acredita que trouxemos nesta viagem 105 passageiros? Gente, ninguém desceu pelo caminho. Estas coisas ficam gravadas na memória tão somente porque por trás disso estava o grande clássico.

O público presente no campo do Corinthians foi de mais de 33 mil pessoas, não sei como. O jogo começou e eu no alambrado, vendo aqueles jogadores tão de perto, em especial os “inimigos” Pelé e Coutinho, com aquele uniforme branquinho. Aos 16 do primeiro tempo, Cássio bateu uma falta no ângulo de Gilmar, 1×0 para o Corinthians, só que aos 21 Coutinho empatou e aos 35 do mesmo primeiro tempo Pelé virou para o Santos, placar final de 2×1 para o Santos.

Não tinha jeito mesmo. Resolvi contar esta passagem porque encontrei nosso centroavante da época aqui no Rio no ano de 2008, o Silva, que veio jogar no Rio de Janeiro. Ele não me conhecia e falei assim que o vi: “Marcos, Silva, Nei e Lima” (era um ataque conhecido do Corinthians). Ele ficou surpreso e falou: “Não brinca, que saudade”. Realmente ele ficou surpreso e feliz. Eu também ficaria se depois de 36 anos alguém se lembrasse desta forma. O olhar de alegria de um antigo jogador de futebol é comovente. Eu também fiquei muito satisfeito e feliz.

Sobre Pelé, há um jogo que tratarei oportunamente -um 4 x 4 num sábado à noite- no qual o “safado” fez… 4 gols.

Curiosidades

I) O Parque São Jorge já foi palco de 484 jogos do Corinthians, com um saldo altamente positivo: 356 vitórias e 65 empates e apenas 63 derrotas. Nessas partidas, o Timão marcou 1.345 gols e sofreu 491. No último jogo, em 3 de agosto de 2002, a equipe venceu o Brasiliense por 1×0. Embora a capacidade atual do estádio seja para 16 mil pessoas, o recorde de público foi registrado em 1962, no clássico Corinthians 1 x 2 Santos, quando recebeu 27.384 torcedores pagantes (33 mil no total). O Estádio Alfredo Schürig está localizado no centro do Parque São Jorge, sede do clube, no Tatuapé, bairro da região leste de São Paulo. Situada às margens do Rio Tietê, a área pertencia ao Esporte Clube Sírio e foi comprada em 1928 pelo então presidente Ernesto Cassano por 28 mil contos de réis, pagos durante dez anos. O presidente Alfredo Schürig, que comandou o Corinthians entre 1930 e 1933, promoveu uma série de melhorias no campo com apoio financeiro de associados do clube. Construiu arquibancadas e batizou o estádio com seu nome. O sistema de iluminação da Fazendinha foi inaugurado em 25 de fevereiro de 1961, em uma noite de gala, na qual o Alvinegro derrotou o Flamengo por 7×2.

II) Wadih Helu foi presidente do Corinthians de 1961 a 1971, passando depois o cargo ao seu opositor Vicente Matheus, e até a morte teve grande influência nas decisões do clube, notadamente durante a administração de Alberto Dualib (1993-2007). Historicamente é “persona non grata” entre os membros da Gaviões da Fiel. O dirigente, segundo a torcida organizada, teria durante muito tempo dificultado a criação da agremiação: “O Corinthians estava sob a administração de Wadih Helu, que durante anos tentou impedir a criação dos Gaviões através de represálias e atos característicos do tempo da ditadura“.

*fotos meramente ilustrativas

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