Sobre Gabigol e a hora de definir se quer fazer o que for preciso para jogar na Europa

Créditos da imagem: Reprodução Be Soccer

E agora, Barbosa?

Gabigol pode ir para a Premier League! Ou não! A imprensa italiana afirma que as notícias sobre West Ham e Chelsea são fomentadas pela própria Internazionale. Fariam parte da negociação com o Flamengo. Por sua vez, o site inglês Goal afirma que apenas o presunto do oeste, do ex-santista Felipe Anderson, estaria pensando no centroavante. Este colunista não se surpreende. Ainda em agosto, destaquei (leia AQUI) que a vitrine do futebol sul-americano esvaziou. Mesmo um artilheiro da Libertadores e Rei da América não atiça grandes clubes europeus. O que sai na imprensa é, não raro, promoção do próprio entorno do atleta. Vide o “Little Onion” que não colocou o gremista Everton em lugar algum.

“Ah, mas e o que Gabigol jogou contra o Liverpool?”. Foi menos do que outros centroavantes da Premier League fizeram – e nem por isso se tornaram vermelhos, diabos vermelhos, azuis, etc… Novamente me repetindo: o Flamengo surpreendeu, mas não encantou no Catar. Sendo que o jogador que realmente preocupou Klopp foi Bruno Henrique – cujo problema comercial é a idade. Mesmo os curiosos fatalmente souberam de sua passagem melancólica na Inter e também no Benfica. Ao voltar para o Brasil depois de esmorecer com o banco, Gabriel Barbosa deixou a imagem de exigir o inexigível. Nos dias de hoje, trazer um jogador de outro continente para ser titular absoluto é quase ficção. São raríssimos os que saem com tal status. Muitos podem conquistar a titularidade, mas não como algo garantido. Incluindo titulares da seleção brasileira, de que Gabigol pouco fez parte.

Tivesse convicção de que o brasileiro aceitaria compor um elenco sem perder dedicação, a Inter provavelmente já o teria reintegrado. Como não o fez, reforça a impressão contrária. O que afasta de antemão os clubes de ponta. Vamos supor que, como me informa nosso colunista Cesar Grafietti, o Chelsea cogite repassar o zagueiro Rüdigger ao Inter e receber Gabigol como parte do pagamento. O risco de dinheiro perdido com um jogador contrariado não seria dos mais atraentes. Mesmo o West Ham, potencialmente propenso a chutar o pau da barraca, tende a pensar duas vezes. Inclusive porque, como lembra o colega em sua última coluna, o Brexit vem aí e as restrições a estrangeiros podem complicar a ideia de ter outro sul-americano. Lembrando que, a despeito de Firmino, Richarlison e Gabriel Jesus, o Brasil não é lá a fonte dos sonhos de ataques ingleses.

Neste contexto, para aumentar as chances de convencer os clubes da Inglaterra a arriscar, Gabriel Barbosa precisaria se manifestar. Manifestar o quê? Sua eventual mudança de postura, topando chegar como mais um, após ser o mais-mais da América do Sul em 2019. Não é uma decisão fácil. Seria detonado por grande parte dos comentaristas. Em especial, pelos terraplanistas do “Brasil uber alles”, para os quais o jogador brasileiro é superior e qualquer banco na Europa é sinal de fracasso. A questão é que o tempo passa. Gabigol tem 23 anos. Se permanecer outro ano no Flamengo, neste período verá outros garotos seguindo o caminho de Rodrygo, Vinícius Jr e, possivelmente, Rainier. Alguém dirá que, com mais uma temporada triunfal, o atacante poderia chegar “pela porta da frente” em 2021. Voltem ao primeiro parágrafo, por favor. Chega de me repetir.

A escolha final provavelmente ficará com Gabriel Barbosa. Caso queira incorporar uma passagem no futebol europeu a seu currículo (não apenas no papel ou tela), a janela vai se fechando. Se não estiver lá até o final de agosto, a tendência é que não esteja mais. Seus mercados no exterior passarão a ser outros. Gabigol sabe, melhor que todos, por que jogou pouco na Itália e em Portugal. Para mostrar que aprendeu a lição, terá que apresentar o senso de realidade que também faltou. E que segue faltando a quem considera a América o topo do mundo. Não me refiro a Donald Trump…

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