Sobre o “crime” cometido pelo Linense. E mais

Créditos da imagem: Blog Como Ganhar Dinheiro

Andei ganhando uns prêmios pelo que falei e escrevi. Um deles, o primeiro, dado pela ACEESP, em 1967, foi sobre as amarguras que vivia o bandeirinha Germinal Alba, da equipe de Armando Marques, nos jogos pelos campinhos do interior. Aqueles em que a lateral por onde corria ficava colada ao alambrado, ao alcance das mãos e das certeiras cusparadas e escarradas dos torcedores locais. Seu pequeno uniforme preto chegava a pesar mais de 500 gramas após os 90 minutos.

Era assim, no grito, com cascudos e catarro que muitas vezes os times do interior aterrorizavam e venciam os grandes da Capital. E, foi quando trocaram seus alçapões por belos e confortáveis estádios, que Botafogo e Comercial de Ribeirão Preto, XV de Piracicaba e Guarani passaram a sofrer quedas e derrapadas. E é, também, porque manteve a proximidade entre seus torcedores e os visitantes, que a Ponte Preta, bem ou mal, vai se segurando.

Saiamos do Brasil e cheguemos à Argentina, onde seus times tantas vezes ganharam Libertadores no grito, na base das pilhas velhas e das moedas jogadas nas cabeças dos visitantes. Alguns estadiozinhos continuam sendo usados, mas lá a multiplicação das câmeras de televisão, na função de BBB, ajudaram a dar um basta e a refrescar a vida dos “alienígenas”.

O tempo dos jogos ganhos no grito, do futebol amador, das rendas limitadas às bilheterias, às vezes levadas para a casa dos cartolas e “roubadas” no caminho, acabou. Ou pelo menos diminuiu bastante. Tornou-se, feliz ou infelizmente, o que os “poliglotas” do ramo chamam de “bizinis”.  E eles, cada vez mais, em verdadeiros “Bye, bye, Brazil”, levam seus times para onde pagam mais.

Quantas vezes o Flamengo tem deixado sua fantástica torcida no Rio, aquela que lotava o Maracanã e ainda sobrava, para jogar por aí?

Quantas vezes o Palmeiras se mandou para Prudente, Rio Preto, interior do Paraná? E o Santos, que só não abandona seus 8 mil fieis, mas nem sempre, tirando os jogos da Vila, onde diz ter mais chances de vitórias – é um dos remanescentes alçapões  – para jogar no Pacaembu ou por aí?

Nem vou falar da Seleção…

Já viram onde quero chegar, né? Na grita contra o Linense, que acertou fazer as duas partidas contra o São Paulo no Morumbi, visando uma arrecadação muito maior do que teria em seu pequeno estádio, mas sem, é claro, abrir mão da briga pelos pontos que podem levá-lo às semifinais. Fez o acordo com o São Paulo, como faria com o Corinthians, o Palmeiras… Não me venham dizer o contrário. Nem que os cartolas do Corinthians ou do Palmeiras não aceitariam a proposta. Ou, antes, não a fizessem.

Os elogios dedicados aos outros times, quando enfiam seus jogadores em aviões, e até ônibus, para jogar por aí, falando de administração profissional e que tais, transformaram-se em severas críticas aos dirigentes do Linense. Ninguém deu bola para as despesas do clube. Nem pela média de torcedores no seu estádio. Os mais prevenidos propuseram que cobrassem uma fortuna por um ingresso, como se tivessem em mãos os saldos bancários dos torcedores da região.

Ouvi, até, que, se venderam o mando do jogo, poderiam vender, também, o próprio resultado. Pobres  jogadores seriam coniventes. Falarão das malas com dólares que “caíam do avião, em pleno voo”, quando o Santos regressava de ricas excursões pelo mundo? Dos milhões que evaporaram dos cofres do Flamengo? Das acusações que ainda pesam sobre quem comandava a base no Corinthians? Da conquista do título de 1977? Cobrarão informações sobre os acontecimentos que levaram um presidente do São Paulo a renunciar? Lembrarão de fatos, no mesmo clube, ligados às eleições de abril no Morumbi?

Faltam tempo e espaço para muito mais…

10 comentários em: “Sobre o “crime” cometido pelo Linense. E mais

  1. Assunto controverso, Mestre José Aquino. Mas sim, consigo fazer a empatia e entender o lado do presidente do pobre Linense. Claro que esportivamente o ideal seria que isso (a venda do mando de campo para a casa do adversário) não acontecesse, mas o futebol brasileiro infelizmente não permite que trabalhemos com um “mundo ideal”. Na prática, o futebol do interior tem que rebolar para sobreviver. Uma pena. No mais, parabéns por mais uma ótima reflexão, fora do senso comum. 😉

    1. O Linense tinha o direito de jogar no seu acanhado estádio. Hoje não vemos mais os abusos que faziam com o Germinal Alba porque o time é punido. Vejamos o que aconteceu. O time do Linense veio para São Paulo desde terça feira, ia jogar com o Corinthians na quarta feira. Ficou hospedado todos esses dias para o jogo no domingo, esperando talvez, de uma renda de 1 milhão e duzentos mil, levar uns 300 ou 400 mil para casa. Hipótese no mínimo errada no aspecto econômico. Levaria 8.000 em seu campo e arrecadaria isso sem as despesas de hospedagem e alimentação. Ms voltando à arrecadação do domingo, para termos 1 milhão e 200 mil seria preciso 48.000 pagantes ao preço médio de 25 reais, que é o que se apura .

  2. Exceto para casos extremos, como a falta de estádios, o que afetou muito o Rio de Janeiro, sou contra essas mudanças. Quando não se tem um estádio com uma capacidade limite para disputar um determinado jogo, o mais próximo de sua sede seria o indicado para evitar problemas do tipo. Neste caso, a detentora do campeonato deveria chamar pra si a responsabilidade. Mas convenhamos, os dirigentes das federações estão no mesmo nível, por baixo, dos dirigentes de clubes. Resumindo: além de incompetência, “complicar” é o verbo da moda na elaboração desses regulamentos esdrúxulos.

    1. Por acaso acham que o Linense venceria se jogasse em casa? Se a renda de sábado for grande e sobrar mais dinheiro ainda para o Linense, logo dirão que a diretoria estava certa… P O futebol pode não ser profissional em muitas [artes, mas é no custo, o que exige ganhar dinheiro…

    1. Lembro-me bem o que fez o Santos na decisão contra o Milan e o que vive fazendo. Nesse campeonato mesmo, deixou a Vila para ganhar um pouquinho mais no Pacaembu

  3. Mestre José Maria de Aquino, concordo em partes, mas adorei o seu ponto de vista! Realmente, o Linense não luta para ser campeão, racionalmente. Já as contas, estarão aí de qualquer jeito… tem mesmo muito hipocrisia nessa crítica!

    Para mim tudo isso é fruto de uma competição que simplesmente não faz sentido. Ao misturar times de dimensões absolutamente incompatíveis e brincar de que é uma disputa igual, os estaduais geram esse tipo de assimetria que faz com que um competidor passe a ver o outro como uma mera escada financeira, e não mais como um concorrente ao título. Enfim, confesso que eu não aguento os estaduais atualmente…

    1. Dos oito times que sobraram, quais lutam, mesmo, para ser campeão? Os quatro chamados grandes, se tanto. Em todas as competições uns entram para ganhar outros para participcar. Que time ganhará o espanhol este ano? Barcelona ou Real, certo.? E ano que vem? e em 2020???

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