Arthur – o milionário em apuros

Créditos da imagem: Getty Images

Arthur deve deixar o Barcelona por uma boa oportunidade de mostrar seu futebol na Juventus, porém como mais um jogador que encantou no começo e sai pela porta dos fundos. Parte do desencanto foi responsabilidade sua. Mas, na opinião deste colunista, os fatores principais podem ser definidos assim: o meio-campista brasileiro foi para o time certo, só que na hora errada. No “mais que um clube” cada vez mais do mesmo, ficou no meio de um tiroteio sem trincheira.

1 – o que faltou ao jogador:

a – ofensividade – mesmo no Grêmio, o forte de Arthur não era dar o passe final, e sim dar fluência para que a jogada seguisse até o passe final e o próprio gol. Porém, num time em que Messi atrai a marcação de dois ou três, surgem espaços que um meio-campista pode aproveitar em lances agressivos. Não é onde está sua maior desenvoltura. Mas para isso mesmo estava num time em que poderia se aprimorar. Xavi Hernandes, o melhor de sua função na História do clube, não começou com grande intimidade com a área. Para tanto, trabalhou e aprendeu.

b – marcação – não tenho os números, mas por olhômetro é possível ver como o jogador leva a pior nas divididas, em que a bola fica com o adversário. Algo que precisa melhorar se não quiser ter vida profissional curta na Itália.

c – comportamento e parte física – Arthur teve duas lesões sérias jogando no Brasil e, segundo fisiologistas do Barcelona, sua musculatura acusava riscos de novas contusões que justificaram o fato de não ter feito uma partida inteira sequer na primeira temporada – ao contrário do que aconteceu na Copa América. Neste contexto, fazer parte da turma de Neymar e ir a uma festa em Paris, perto de jogo contra o Real Madrid, gerou insatisfação por parte de quem já guarda mágoas do ex-ídolo. Também foi visto fazendo esportes radicais que não passaram imagem de seriedade e comprometeram a imagem de atleta dedicado.

2 – O que faltou no clube:

a – técnico – nem Ernesto Valverde, muito menos Quique Setíén sabem ou gostam de trabalhar com meio-campistas que rodam a bola. No caso do treinador atual, até mesmo o badalado Frankie De Jong bem sofrendo horrores, ao ser escalado mais como meia-atacante que na armação ou como vértice do meio-campo – funções que tinha no Ajax. O jogador que melhor vem se saindo é Arturo Vidal, exatamente um dos que os dirigentes tentavam negociar há pouco tempo. O auxiliar de Setién já foi flagrado dizendo impropérios ao brasileiro durante o clássico perdido para o Real Madrid. Ademais, Setíén é entusiasta da vinda de Pjanic, que integrará a troca.

b – partido – isso mesmo. No universo do Barcelona, que inclui torcida e mídia, existem duas frentes que parecem partidos políticos. Um é o partido dos medalhões, que pede lugar para as contratações mais caras, encaixem ou não entre si. Vide o francês Griezmann, que nem daqui a dez anos parece que se entrosará. Outro é o partido da base. Tal como em outros lugares, acredita na fantasia de que é só encher o time com jogadores das canteras e tudo se resolverá. Mesmo que haja provas gritantes de que as gerações de Xavi até Messi foram um momento especial que não se repete há mais de dez anos. Arthur não é nem da ala dos caríssimos, nem dos canteristas. Fica sem cabo eleitoral.

c – dinheiro – para trazer outro jogador para o populoso meio-campo, só se desfazendo de outro – de preferência, com lucro. A troca com a Juventus terá, segundo especulações, saldo de dez milhões de euros a favor dos catalães. Só tem um problema: consta que Pjanic quer ganhos maiores. Com 30 anos, dificilmente renderá em negociação posterior, fora que deixará a média de idade dos blaugranas, que esteve em 29,5 no último jogo, ainda maior.

d – rumo – não é exagero dizer que Messi tem sido um “enganador” nos últimos anos. O futebol brilhante do argentino ajudou a mascarar muitos defeitos do time e também do clube. A equipe consegue ir longe, mas em dado momento as fragilidades superam o talento do camisa 10. A ausência de planejamento é tanta que as lacunas mais óbvias seguem sem preenchimento (Piqué continua sem reserva), enquanto outras veem dinheiro ser torrado sem efetividade. Especialmente as tentativas de substituir Neymar, que já custaram muito mais do que o PSG pagou por ele. Sonho de metade dos boleiros nacionais (a outra quer o Real Madrid), o Barça ganhou contornos de pesadelo.

Conclusão: por mais frustrante que seja, a perda de tempo cobra caro depois. Passar mais um ano no vai-não-vai de um clube desregulado desvalorizaria sua carreira em clubes e também pela seleção, onde a concorrência no setor aumentou. Caso a negociação se confirme, terá sido uma decisão sábia do jogador. Não significa que terá sucesso imediato em Turim, mas é bem mais fácil produzir o melhor num clube que, no momento, sabe muito melhor o que quer.

Um comentário em: “Arthur – o milionário em apuros

Deixe sua opinião e colabore na discussão