10 + 6: Pedri é o verdadeiro sucessor de Lionel Messi no Barcelona

Créditos da imagem: Reprodução / Twitter

Há muitas coisas deprimentes na imprensa esportiva brasileira. Mas, particularmente, tenho me irritado com a mania ignorante de exagerar o futebol dos jovens meio-campistas brasileiros. Qualquer partida ordinária, mas com gol, vira motivo até para criticar Tite. Já foi Patrick de Paula, agora é Danilo, pode ser Nestor e por aí vai. Só que, se a mídia é incurável em seu pachequismo doméstico, os torcedores não precisam ser. O texto de hoje traz uma mensagem simples: antes de acharem que determinado “segundo volante” ou o “meia de ligação” é fora de série, percam – ou melhor, aproveitem – algum tempo assistindo a um garoto realmente acima da média. Hora de falar sobre Pedri.

Ao contrário do também prodígio Gavi, Pedro González López não veio das canteras. Mas, num dos raros acertos da catastrófica gestão Bartomeu, chegou ao Barça com 17 anos. Seria opção mais avançada, mas ganhou a posição entre os meio-campistas “box to box”. Atuar tão cedo nesta função, entre os profissionais, é algo que nem Xavi e Iniesta fizeram regularmente. Exige maturidade física e técnica para movimentação, posicionamento e distribuição de jogo. Foco neste último termo, porque é algo que não se entende muito bem. No Brasil, papel de “volante” é tomar a bola. Papel de meia-atacante é dar o último passe. Papel de “volante ofensivo” é ser atacante surpresa. O resto é “toque de lado inútil”. Não é à toa que basta povoar o setor para “meio perfeito” – seja de que time brasileiro for – ser encaixotado.

Mesmo em outra temporada conturbada do clube, Pedri caiu nas graças de Messi e logo teve suas primeiras chances na seleção espanhola. Aproveitou tão bem que arcou com os custos físicos. Titular e destaque na Euro, foi privado de férias para emendar com as Olimpíadas – medalha de prata. O desgaste, que nem a juventude evita, representou lesões sérias que o tiraram de quase toda a primeira metade da temporada. De quebra, viu seu então reserva Gavi chegar a La Roja e jogar (bem) a partida de classificação para a Copa com 17 anos e 2 meses de time A. O risco de tapete puxado serviu de incentivo para um retorno ainda melhor. Sob a batuta de Xavi, que substituiu Koeman, Pedri pôde aprimorar passe final e finalização, quesitos que precisava lapidar. O golaço contra o Galatasaray mostrou o que é ter tranquilidade na área – e com torcida berrando contra.

“Mas você não disse que papel de meio-campista não é dar assistência e fazer gol?”. Não. Seu papel primordial é participar da distribuição da bola pelo campo, ditando o ritmo do time. Mas, assim como só defender bolas não sustenta um goleiro, o meio-campista precisa incorporar passes verticais e gols ao repertório. Do contrário, sabendo que sempre rodará a bola, ficará mais fácil prever os movimentos e marcar as jogadas. É o que tem ocorrido com Arthur, ex-Grêmio. Chegou a encantar o mesmo Barcelona de Pedri, mas o entusiasmo esfriou com a dificuldade nos lances agudos. Mesma situação na Juventus. Vinha ganhando espaço, mas voltou a tocar apenas de lado contra o Villareal na queda pela Champions League. Cada vez mais o meio-campista tem que ser não necessariamente o maior craque, mas o mais completo do time. Defendendo e atacando.

É justamente o meio-campo que vem preenchendo, no Camp Nou, a cratera deixada por Messi. A escalação varia entre quatro para três vagas (isso quando Xavi não opta pelo quarteto), mas Pedri será sempre um deles. Embora a camisa oficial esteja com o contundido – de novo – Ansu Fati, o “dez moral” usa a 16. Pedri e Gavi subiram o sarrafo para avaliar jovens da função. Sejam da Europa, sejam do Brasil. Danilo & CIA precisam aprender muito e, se continuarem jogando no nosso sarrafo de miniatura, não chegarão lá nem com mil comentaristas e suas centenas de milhares de bobagens.

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