Como tornar o VAR mais palatável e menos danoso às partidas de futebol

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VAR in Brazil – uma nada breve história do tempo

O tênis foi um dos primeiros esportes com auxílio tecnológico, ainda nos anos 1990. O salto de qualidade foi o Hawk-Eye, preciso e rápido, pelo qual os tenistas podem fazer desafios. Porém, quando o sistema trava, prevalece a marcação de quadra. Do contrário, os tenistas esfriam e a história da partida pode mudar por inteiro. Este tem sido o efeito nocivo do VAR à brasileira, materializado no jogo entre Santos e Flamengo. Uma coisa é ter dois gols anulados em dois minutos. Outra é os mesmos gols serem revistos em dez minutos. Além da frustração, houve praticamente um reinício do jogo. Não por acaso, o Santos pouco fez depois. E ainda levou.

As objeções à tecnologia no futebol tinham o tempo como justificativa legítima. Ao contrário de tênis e vôlei, o jogo é uma sequência de lances contínuos. O VAR surgiu com a promessa de interferir minimamente, tanto em jogadas quanto no cronômetro. Só que o limite oficial existe apenas quanto aos lances (basicamente: pênaltis, impedimentos, expulsões e revisão de gols, sempre em situações inequívocas). Nada é estabelecido quanto ao tempo, salvo mera recomendação de celeridade. Talvez não baste. Especialmente em locais onde a ideia de eficiência é gastar mais horas que os outros, para fazer rigorosamente a mesma coisa. No Brasil, parecer ocupado é mais importante, socialmente, que estar ocupado. Até os serviços tecnológicos entram neste clima de lentidão comparativa. Vide nossa banda larga.

Há informações de que o maquinário utilizado pela CBF demora para carregar as funções. Também se relata a falta de treinamento aos árbitros de vídeo, que não se fazem compreender pelos operadores. A junção de deficiências – tecnológicas e humanas – leva a perdas de minutos duas a três vezes maiores que o aceitável. Inclusive nos impedimentos milimétricos. Na Europa, não se logra excluir todas as polêmicas quanto ao mérito das correções e omissões. Mas, ao menos, o ritmo da partida não é quebrado e o jogo flui sem efeitos colaterais. Já as partidas brasileiras, que por si são lerdas e descoordenadas, ficam ainda piores a cada reinício pós-VAR. Para os torcedores, uma agonia irritante. Para quem não torce por nenhum dos times, um convite irrecusável ao controle remoto.

Neste cenário, a própria continuidade do VAR deve ser questionada. Ou se agiliza, ou se deve pensar seriamente em decidir qual dos males seria o menor: os erros de arbitragem ou os danos ao jogo. A coluna sugere a terceira alternativa: criar um limite de tempo. Dois minutos, com possibilidade de três em situações duplas (ex: impedimento e pênalti na mesma jogada). Isso com acesso televisivo simultâneo à revisão – para certificar que não haveria lentidão ou velocidade “seletivas”. Deu o tempo sem finalizar? Segue o jogo. O incidente constaria em súmula, a fim de apurar se a culpa foi do vídeo ou de quem lidou com ele. No primeiro caso, tem-se subsídio para romper o contrato e buscar uma empresa mais qualificada. No segundo, treinamento e geladeira para os incompetentes.

Sim, devo reconhecer que ainda existe a quarta opção: não fazer nada e, assim, garantir a pauta dos trocentos debates esportivos – em rádio, TV e internet. O Brasil conseguiu criar até a figura do “sou a favor do VAR, mas…”. O colunista é a favor do VAR e a favor de seu aperfeiçoamento, conforme apareçam os problemas. Estes são perfeitamente naturais quando se fala em novidades. O que não é natural é perder horas olhando para eles sem propor qualquer solução que não seja jogar tudo fora. Não raro, fazendo cara de conteúdo – outra expertise nacional.

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