De Ronaldo a Romero, o impacto do marketing que suplanta a bola

Créditos da imagem: Nike

No último domingo, o atacante paraguaio Angel Romero chegou à marca dos 37 gols com a camisa corintiana, superando assim os números de Ronaldo, que parou nos 35.

Ronaldo jogou dois anos pelo Timão, e comemorou os títulos paulista e da Copa do Brasil, em 2009, tendo brilhado nas duas conquistas.

Depois disso seu desempenho caiu muito, natural para quem estava prestes a encerrar a carreira, e visivelmente acima do peso. O Fenômeno pouco fez na temporada de 2010, quando o time não ganhou nada e jogou um futebol abaixo da crítica.

Ronaldo esteve em campo e nada fez para evitar que o Tolima se tornasse um inusitado algoz na Pré-Libertadores de 2011. Com Ronaldo, naquele instante o time jogava com dez.

Resumindo: Ronaldo teve uma boa passagem pelo Corinthians. E nada mais. Porém, seus dois anos de Corinthians são supervalorizados e há quem o considere o maior 9 da história do clube. Uma afronta a Baltazar, Casagrande, Viola….

Ronaldo foi um senhor jogador de futebol. Encantou o mundo, não foi à toa. Mas, tudo que ele fez na carreira ganhou uma boa dose de exagero. Seu marketing pessoal é responsável por isso.

Um exemplo. Todos se referem a ele como o cara da seleção no pentacampeonato de 2002. Se só o aspecto bola valesse, Rivaldo seria consagrado como o craque da Copa, sem maiores discussões.

Craque em campo e fora dele, Ronaldo foi pioneiro do marketing pessoal no futebol brasileiro enquanto atleta. Em tempos que não havia redes sociais, a figura do R9 foi difundida como sinônimo de sucesso e a expressão máxima de nossa cultura através do futebol.

Mérito dele, é bom que se diga.

Anos depois, Ronaldinho Gaúcho aperfeiçoou a estratégia, e Neymar a consagra de vez nos dias de hoje.

No caso de Romero, a história é outra.

Chegou ao Corinthians com pouca fama, após se destacar no Cerro Portenho, ao lado do irmão gêmeo. Aliás, Romero chegou com a fama de falso Romero, pois o mano seria muito melhor.

Seu começo no Brasil foi difícil. Se percebia que tratava-se de uma figura retraída e com dificuldade para se adaptar a um país tão complicado quanto o nosso.

Enquanto isso, comentaristas esportivos se esbaldavam em críticas maldosas a respeito do futebol e até do país de origem do bom rapaz.

Certa vez, o comentarista Alexandre Oliveira, famoso pelo abuso de gracinhas, foi além e chegou a dizer que Romero era incapaz de praticar esse esporte que tantos amamos chamado futebol.

Aos poucos, o paraguaio ganhou espaço através da vontade, de uma determinação pouco vista no futebol brasileiro atual.

Aos críticos, passou a ser conveniente a utilização de outra pecha sobre Romero. A de atacante que só sabe marcar, mas que apanha da bola.

Três anos após sua chegada, Romero se torna em 2018 o principal jogador do Corinthians, tendo na sua trajetória com a camisa 11 do Corinthians as conquistas de dois Campeonatos Brasileiros e dois Paulistas.

E com a confiança nas alturas, assume a responsabilidade por ser um dos mais velhos de casa dentro de um elenco em constante reconstrução. Seu futebol aparece de maneira avassaladora com 5 gols em quatro dias, com direito a música no Fantástico.

Ao fim do jogo contra o Vasco, o excelente repórter Edgard Alencar perguntou a Romero se aquele era seu primeiro hat-trick. “Já fiz muitos no Paraguai”, respondeu ele.

Ou seja. Estava longe de ser o perna-de-pau que a imprensa elegeu.

No que diz respeito a história do Corinthians, a contribuição de Romero já se faz muito mais relevante do que a de Ronaldo.

Mas no que diz respeito ao marketing pessoal, sempre haverá um abismo entre o Fenômeno e Romero.

E isso faz toda a diferença para um público imediatista e que cultua tanto a imagem pública, mais do que o futebol.

17 comentários em: “De Ronaldo a Romero, o impacto do marketing que suplanta a bola

  1. André Marques, concordo que a carreira do Ronaldo é uma combinação de MUITO marketing somado ao MUITO futebol que ele tinha (é um dos grandes da história). E que o Romero é subestimado e, por vezes, até desrespeitado. Mas o Ronaldo foi mais do que um jogador para o Corinthians, ele foi um “divisor de águas” na história do clube. Muito em razão da sua representatividade, okay. De maneira que, por mais que se esforce, o bom atacante paraguaio dificilmente atingirá o nível de importância que o Fenômeno tem na história do Corinthians.

    1. Discordo, Fernando. Não acho que Ronaldo dividiu águas no Corinthians…. Ele trouxe o seu prestígio para o tempo em que ele jogou…. E em alto nível, ele jogou 6 meses…. O nome que ele tem no Corinthians é um exemplo do que eu digo que sua imagem se sobrepõem ao futebol em muitos casos…. E eu me refiro só ao que aconteceu em campo…. É um tema que rende mesmo muitas opiniões controversas…

    2. André Marques O Corinthians passou a ter mais relevância nacional e internacional após Ronaldo. Inclusive arrecadando muito mais dinheiro. Ele realmente foi um fenômeno mas atrás de Romário e Rivaldo ( que não soube ou não quis trabalhar seu marketing pessoal).
      Quanto ao Romeo pra mim apenas um jogador esforçado.

    3. Desculpa Alan…. Nada disso que vc esta falando aconteceu…. O Corinthians segue sendo um mero desconhecido no exterior, assim como qualquer time brasileiro…. Trouxe dinheiro? O Corinthians está numa pobreza que só tende a aumentar…. E o Romero está longe de ser um mero rapaz esforçado….

  2. Me desculpe mas falar que a carreira de Ronaldo foi mais marketing que bola , está exagerando. Ele é sem dúvidas um dos mais espetaculares jogadores que o mundo já viu. E se não fosse pelas sérias contusões que sofreu , seria ainda mais extraordinário . Foi considerado o melhor do mundo entre jogadores de altíssimo nível. Romero foi desdenhado pela midia , aqui no Brasil há sim exageros tanto para criticar quanto para exaltar. Temos jogadores surgindo como promessas , e ha quem os coloque a nível de craques. Como dizia Sr Armando Nogueira craque é o jogador que em 10 partidas desequilibra 9 , hoje fez uma jogada diferente um gol bonito e esporádico e um fenómeno. Sinceridade até entendo os.mais jovens , pela escassez de talento , quando surge alguém diferente enchem os olhos. Bem diferente do futebol que conheci, saudosista nem um pouco , apenas uma realidade que muitos de hoje não viram e não verão mais .

    1. André Marques Tudo o que ele fez na carreira teve uma grande dose de exagero . Seu marketing pessoal é o grande responsável por isso. Essas foram as suas palavras . Não concordo com elas , peço lhe desculpas mas é assim que penso.

  3. Vocês estão loucos ou beberam!?Ronaldo fenômeno foi o maior atacante que eu vi jogar foi decisivo em copas,não sou corinthiano mas o Corinthians ganhou uma outra dimensão com a chegada do fenômeno!!romero é só um bom jogador e com a idade dele Ronaldo já era três vezes o melhor do mundo!!antes de postarem estudem mais a carreira dos atletas pra não falarem merda!!.

  4. Não, André Marques! Ronaldo, na sua pior forma no Corinthians, é melhor que todos atacantes que vieram depois dele neste time. Mesmo gordo fazia jogadas das mais nobres nos jogos que ele participava.

  5. Falem mal mas falem do Romero, é a cara do corinthians não existe comparação com ninguém, criticado muitas vezes, mas tá aí fazendo seus gols, muitos chegaram na época dele e se foram, e ele tá la titular

  6. Ronaldo foi o último grande centroavante brasileiro, fez a diferença no Corinthians e ajudou o clube a crescer muito (infelizmente! qua qua qua)…

  7. Falou muito bem do Romero,mais falar q o Ronaldo era mais marketing…
    Desse jeito vc vai disputar lugar com o Galvão Bueno em falar besteira.
    Ronaldo é simplesmente um dos maiores da história.
    Vc tá tentando resumir a história dele ao Corinthians!!!!!

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