Deixem o Neymar em paz!

Créditos da imagem: UOL

Quando, em 2010, Neymar desacatou o técnico Dorival Júnior, do Santos, em um jogo contra o Atlético-GO, eu condenei sua atitude. Mostrou ser um menino malcriado, para dizer o mínimo. E a diretoria do Santos errou feio, em minha opinião, ao demitir o técnico por ele não ter escalado o birrento no jogo seguinte.

Depois, com o tempo, Neymar foi mudando um pouco seu comportamento, e eu, cada dia mais, admiro seu futebol. É o único jogador que pode rivalizar com Messi e CR7 no topo do futebol mundial. E tem mostrado que sabe se livrar de adversários em campo e dos chatos fora dele. Esses últimos mais implacáveis que os zagueiros botinudos. E como tem chato nesse mundo do futebol!

Caçado o tempo todo do jogo do PSG contra o Rennes, no último dia 31 de janeiro, Neymar decidiu responder de uma forma que só alguém dotado de seu talento extraordinário poderia fazer. Matou bola nas costas, completando com chapéu no adversário, driblou, deu passes precisos e ainda tirou um sarro do zagueiro mais antifutebol em campo, oferecendo-lhe a mão para levantá-lo e a retirando tão logo o adversário tentou pegá-la.

Pronto! O mundo caiu! Começou a chover críticas de todos os lados. Desrespeitoso, mau exemplo, mascarado… Esses foram alguns dos termos usados para condená-lo. A imprensa europeia, que em boa parte costuma fazer vistas grossas aos atos racistas de seus jogadores e torcedores, se dá ao direito de ditar regras a todo craque sul-americano que para lá vai na tentativa de compensar o buraco enorme entre a capacidade financeira e a incapacidade de revelar grandes craques em quantidade do futebol do velho continente.

O mesmo aconteceu quando ele não deixou Cavani cobrar o pênalti contra o Dijon, que daria ao uruguaio o recorde de gols pelo PSG. O jogo já estava 7 a 0 e Neymar já tinha feito três gols. E daí? O brasileiro chegou ao PSG como superestrela mundial. E teve que enfrentar a marra de Cavani, que tentava mostrar quem mandava muito no time. Neymar fez questão de enfatizar a ele a nova ordem do pedaço.

Está errado? Em um futebol altamente competitivo, cabe a ele o papel de santo? A torcida vaiou e Neymar a desprezou. Se não gostarem, ele pode ir para qualquer time de ponta do mundo -coisa que o PSG só pode sonhar ser um dia se continuar a ter o brasileiro entre seus atletas.

O que mais impressiona é a moralidade tola de boa parte da crônica esportiva, europeia e brasileira. Faz parte do jogo e Neymar sabe ser marrento como muitos e joga como pouquíssimos. Precisamos ser menos chatos, menos almofadinhas de estúdios e procurar entender um pouco mais o clima que rola dentro de campo, ainda mais quando a arma dos adversários se resume à velha e boa pancada sem dó.

11 comentários em: “Deixem o Neymar em paz!

  1. Assino embaixo! E mesmo sendo “tão problemático”, de acordo com a imprensa esportiva, é curioso que nunca vejo nenhum colega criticando o Neymar, pelo contrário, sempre falam muito bem dele!

    Enfim, um bando de gente invejosa que fica querendo ditar comportamento por aí. Ainda bem que o Neymar não reza pela cartilha deles, e nem precisa!

  2. Pois é, no fundo o que esses jornalismos pregam são atitudes cínicas e hipócritas. Por que Neymar deveria oferecer a bola ao Cavani? é notório que os dois não se bicam, se ele oferecesse a bola estaria sendo falso, mas determinados jornalistas preferem atitudes falsas… em nome de uma moral de generosidade – que, aliás, se assemelha a lógica do fair play promovida pela FIFA – se mostram verdadeiros hipócritas!

  3. Existe um erro no texto. O Dorival não foi demitido do Santos por não tê-lo escalado no “jogo seguinte”. Ele ficou fora do jogo seguinte e na sequência era um clássico, se não me engano, contra o Corinthians. Além de ser um clássico era um jogo importante pra tabela. A diretoria e parte da torcida entendiam que a punição de um jogo era suficiente mas o Dorival, numa esforço desastroso de mostrar pulso firme, quis manter. Eu, como santista, gosto muito do Dorival, sou muito grato pelas duas passagens vitoriosas dele pelo Santos. Mas lamento que ele tenha sido demitido nas duas ocasiões por teimosia e por não saber demonstrar autoridade. Mas como o assunto não é o Dorival, segue o jogo… Rs.

    1. Daniel Rabello Jordão, está corretíssimo! E foi depois daquela insistência em tirá-lo também do clássico contra o Corinthians que o LAOR optou por demitir o Dorival. Um caso em que todas as partes saíram perdendo. Uma pena… O título da Libertadores no ano seguinte deveria ser do Dorival e JAMAIS do Muricy…

  4. Não que o Neymar esteja acima do bem e do mal e possa fazer o que bem entender só por ser um craque, mas como enchem o saco dele, hein?! Sei que é o ônus da sua popularidade, mas calma lá… Achei perfeita a observação em relação ao Cavani (na briga entre eles, foi o uruguaio quem não recebeu a estrela Neymar no PSG como deveria e tomou um chega pra lá bem dado).

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