Desafiando até o bairrismo

Créditos da imagem: Staff Images/CRF

Sempre foi tradicional que jornalistas de um estado puxem brasa para jogadores locais. Por outro lado, há algo de errado quando a imprensa de um estado questiona justamente a presença de um jogador local. Quando se trata da imprensa carioca reclamando de um jogador do Flamengo na Seleção, algo está realmente muito errado. Este algo atende pelo nome de Diego e as causas são compreensíveis quando se parte de um princípio básico: futebol não é só bola no pé. Tem que se movimentar. Seja para sair da marcação e receber a bola, seja atraindo a marcação para que outros a recebam. Mais: tem que ser rápido quando a bola chega. Estes sempre foram seus defeitos: pouca mobilidade e lentidão. Não seria agora que os corrigiria.

“Ah, mas quem tem que correr é a bola, não o jogador!”. Você certamente vai abafar no boteco ou nas redes sociais com essa frase. Sabe quem também vai adorar? O adversário do seu time. A presença de Diego facilita a vida deles. Não apenas na marcação do meia, como de outros jogadores. Explico: como ele não se desmarca pelo centro, outros jogadores acabam fechando em seu auxílio. Seja o atacante de lado, seja o centroavante buscando jogo (sem saber como). Como Diego tampouco abre para levar o marcador com ele, tem-se um congestionamento em que os rubro-negros marcam a si mesmos. Quando a bola finalmente chega ao camisa 10, o tempo que leva para proteger a bola e olhar o jogo é o bastante para que a defesa se arme. Às vezes ele compensa isso com um passe brilhante ou um chute perigoso. Muitas vezes não.

Estas características não pesavam tanto no início da carreira. O saldo positivo fez com que fosse ídolo em Santos, Cidade do Porto e Bremen. Na Seleção, porém, perdeu espaço para jogadores mais móveis ou ainda mais talentosos. Volta e meia ganhava e desperdiçava oportunidades, como nos Jogos Olímpicos de 2008. Já nesta época, começava a ser um dilema para os treinadores de clubes. Ou apostavam em suas qualidades e moldavam o esquema para compensar as lacunas, ou o deixavam como opção para o segundo tempo. Por isso não conheceu meio-termo entre o estrelato e o banco de reservas. O último grande momento aconteceu em 2012. Emprestado pelo Wolfsburg ao Atlético de Madrid, foi campeão da Liga Europa. De volta ao banco na Alemanha, nova passagem pelos colchoneros. Mas aí Simeone tinha bons meias que corriam mais. Diego dançou.

Haveria uma nova tentativa frustrada, desta vez na Turquia. O Fenerbahçe acreditou que Diego reeditaria as atuações de Alex. Só que o craque de Curitiba, mesmo não sendo um primor de movimentação, sempre conheceu melhor os atalhos para ser goleador. Cada vez mais lento, o ex-santista viu uma boa chance quando o Flamengo se interessou. Sempre considerei uma escolha cara e arriscada. O início, empolgado e superconcentrado, foi animador. Mas, já no ano passado, vimos torcedores e comentaristas incomodados. Um técnico foi demitido, outro se mandou, mais um foi mandado embora e o drama continua. O que ninguém entende é como Diego seguiu nas listas de Tite. Com o devido respeito que merece o técnico, penso que o motivo mais provável é político, numa espécie de cota de atletas que atuam no Brasil. Espera-se que Arthur, com méritos reais, tome seu lugar.

Há quem vislumbre Diego se acertando com um técnico capaz de ajustar o Flamengo. Resta saber como ajustar um time com ele em campo. O futebol não é o mesmo de quando seu talento era beneficiado por esquemas. Os espaços diminuíram e é cada vez mais difícil ter uma equipe competitiva com este tipo de alicerce. Não que o Flamengo e Diego não possam ter boas jornadas – algumas inclusive memoráveis. Ir longe na disputa de títulos é que não parece nada provável. O futebol é o esporte coletivo mais surpreendente, mas até surpresas precisam de uma forcinha. Nem todo Diego subestimado vira Zorro. Hoje em dia, quase nenhum.

10 comentários em: “Desafiando até o bairrismo

  1. Bom jogador, que paga o preço de estar em um time bagunçado.

    Mas concordo que às vezes carrega a bola demais mesmo.

  2. O que me impressiona nessa questão do Diego é que assim que chegou, era um lobby gigantesco por ele! Eu via os jogos, não enxergava nada demais, mas todos (inclusive em outros estados) diziam que ele tinha mudado o Flamengo, que era, talvez, o melhor jogador do Brasil, que merecia a Seleção etc.

    Agora. embora eu não goste muito de seu futebol, acho que também estão jogando a culpa de tudo em cima dele. Por exemplo, o Everton Ribeiro (que eu gosto demais, bem mais do que do Diego) está devendo mais no Flamengo do que ele. E o Guerrero é outro que, para mim, nunca engrenou no rubro-negro…

    1. Concordo em partes. Acho que o Diego está sendo criticado merecidamente, não tem jogado nada. Mas sempre foi assim no flamengo, com poucos lampejos. Ultimamente ele tem não só prejudicado o time, mas tem prejudicado o futebol do Paquetá.
      Sobre o Everton Ribeiro, concordo que tá devendo mais do que o Diego. nem lampejos ele teve. Mas parece que todo mundo já perdeu a esperança. Incrível como o cara de tornou um completo inútil.
      O Guerrero, para mim, é o mais superestimado de todos. Joga bem pela seleção do Peru, péssimo no flamengo. Jogador burocrático. O Felipe Vizeu estava jogando mais do que ele em alguns momentos, mas não tinha o nome dele.

    2. Discordo totalmente de vc.
      Quando ele chegou , ele foi até bem .
      Mas depois que voltou da contusão na época da liberta , nunca mais foi o mesmo.
      Além da falta de futebol , de protagonismo , de ser decisivo ( perdeu gols feitos ano passado contra o Corinthians , penaltis contra Palmeiras e na final da Copa do Brasil , contra o Santá fé perdeu 3 gols na cara e errou na jogada do gol deles) ele ainda mantém esse discurso banana e moloide de que está tudo bem!!!
      Aaffffff….
      Já deu o q tinha de dar.
      2019 sem Bandeira e sem Diego!!!!!

    3. Fellipe Mendes tinha que ver na fox sports ontem os caras malhando ele kkkk
      Pqp , falando que ele é um jogador que se ganhar ou perder tá td bem , ele não se importa com a derrota !
      Falaram um monte !

  3. Não sou fã do futebol do Diego nunca fui mesmo quando mais jovem . Mas jogar a culpa do fracasso do Flamengo nos ombros do rapaz é desleal. Como tudo no futebol brasileiro sempre haverá um culpado quando algo não vai bem . Vou reterir sempre futebol é jogo coletivo , se os meias encaixarem tudo funcionará perfeitamente, mesmo um deles sendo ou não jogador de mobilidade , é preciso ocupar espaço . Bom dia

  4. Eu particularmente nunca vi aquele futebol que tantos falavam dele desde da época do Santos, pra mim sempre foi um jogador médio pra bom, mas craque nunca vi nele, óbvio que não é só dele a culpa do Flamengo está nessa situação, tem outros envolvidos principalmente a diretoria.

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