Messi e CR7 têm na Copa-2018 a última chance de entrar no Olimpo do futebol; Neymar ainda poderá ter outras

Créditos da imagem: Divulgação / Louis Vuitton

Um dos maiores acertos dos criadores da Copa do Mundo foi estabelecer o intervalo de quatro anos entre suas edições. Isto evitou sua banalização e criou quadriênios de expectativas em torcedores de todo o mundo. A Copa é um acontecimento mundial e, apesar do glamour recente formado em torno da Champions League, ainda é o maior espaço de consagração de jogadores ou de manchas em carreiras.

Acredito que ainda hoje a Copa do Mundo é a porta de entrada de craques no Olimpo do futebol. De acordo com a mitologia grega, o Monte Olimpo, localizado na Grécia, é a morada dos deuses. No futebol, as Copas são o equivalente à montanha mitológica. Entra nela quem se destaca na condução de sua seleção ao título de campeão mundial de futebol.

Houve até times campeões que não conseguiram ungir um morador do Olimpo, pois só se chega a ele com atuações impecáveis, além do título. Pegando de 1950 para cá, podemos fazer a seguinte lista:

1950 – O volante Obdulio Varela, capitão do Uruguai, não era o melhor do mundo em sua posição. Mas sua garra e vigor físico, beirando a violência, se tornaram a marca do bicampeonato mundial uruguaio, em pleno Maracanã, contra o favorito Brasil.
1954 – O craque que empolgava a Copa da Suíça era o húngaro Puskas. Mas a vitória da Alemanha na final consagrou o meio-campista Fritz Walter. Já tinha 34 anos, pois fora prejudicado pelo cancelamento das copas de 1942 e 1946 por causa da Segunda Guerra Mundial. Na primeira chance que teve, foi o capitão de um time que se superou, dando ao povo alemão uma alegria depois do holocausto, anos de nazismo e os dramas da guerra.
1958 – Sem necessidade de maiores detalhes, foi a vez de o menino Pelé encantar o mundo e dar o primeiro mundial ao Brasil.
1962 – A grande expectativa em cima de Pelé se frustrou por causa de sua contusão no início do Mundial. Coube ao não menos genial Garrincha comandar o Brasil no caminho do bicampeonato.
1966 – A Inglaterra foi campeã sem um grande nome destacado, mesmo tendo Bobby Moore e Bobby Charlton como jogadores memoráveis.
1970 – Mais uma consagração de Pelé.
1974 – Foi a vez de Franz Beckenbauer ingressar no Olimpo, comandando um time competente que conseguiu vencer a fantástica Holanda de Johan Cruyff, que estaria entre os deuses se não fosse a derrota.
1978 – Mario Kempes foi o astro argentino, mas nunca conseguiu um lugar no panteão dos heróis da Copa. Desculpem-me os argentinos.
1982 – A Itália surpreendeu a todos ao ganhar o título, mas não teve um nome genial. Paolo Rossi não assumiu o lugar que parecia reservado a Zico, Sócrates ou Falcão.
1986 – Ano de consagração de Maradona, com gol de mão e atuações históricas. É um dos melhores jogadores das Copas.
1990 – A Alemanha ganhou de forma competente e sem brilhantismo, liderada por Lothar Matthäus, que foi destaque, mas não é citado como morador do Olimpo. O mérito daquele ano ficou de novo com Beckenbauer, desta vez como técnico.
1994 – Ano do baixinho Romário, que foi o destaque incontestável do não tão incontestável campeão Brasil.
1998 – Ano de entrada de Zidane no templo dos deuses.
2002 – Ronaldo Fenômeno, por causa de sua recuperação para jogar o Mundial e por suas atuações e gols, garantiu um lugar no Olimpo.
2006 – A Itália ganhou, mas não deixou um jogador com uma marca histórica de atuações.
2010 – Iniesta foi o destaque da campeã Espanha, mas acho que não subiu ao topo do monte.
2014 – A Alemanha tinha um time competente, mas sem um grande destaque. A memória daquela copa é, infelizmente, os 7 a 1 sobre o Brasil.

Agora está aberta a vaga para um morador na casa dos Deuses que se juntará a Obdulio Varela, Fritz Walter, Pelé (o dono da cobertura no prédio do Olimpo), Garrincha, Beckenbauer, Maradona, Romário, Zidane e Ronaldo Fenômeno.

Messi tem grandes chances. Joga na seleção argentina, que tem tradição e está sempre entre os favoritos. Precisa apenas mostrar que sabe atuar em um time que é mais limitado, por questões financeiras e de restrições de nacionalidade, do que o Barcelona. Falhou até aqui. Creio que esta é sua última chance. Dificilmente, em 2022, aos 35 anos, vai ter ânimo de tentar mais uma vez.

CR7 tem tarefa mais difícil. Portugal, quando vai a Copas, tem feito papel de coadjuvante. Poucas perspectivas de título. Portanto, consagração difícil, apesar do excelente início. E daqui a quatro anos terá 37.

Neymar joga no maior vencedor das Copas. Este ano, ainda pode se consagrar mundialmente. Mas, mesmo que perca a chance em 2018, terá pelo menos mais duas oportunidades.

Muitos poderão me criticar, argumentando que a Champions e a Bola de Ouro são passaportes para o Olimpo. Desculpem-me, creio que ganhar a Copa do Mundo liderando seu time e tendo atuação destacada sãos quesitos obrigatórios para ser considerado uma lenda do futebol.

6 comentários em: “Messi e CR7 têm na Copa-2018 a última chance de entrar no Olimpo do futebol; Neymar ainda poderá ter outras

  1. Eu concordo em parte, mas não chego a ser tão determinista em relação ao título. Por exemplo, o Cruyff não venceu em 74, mas era o líder e craque da equipe que colocou a Holanda no cenário, jogou muito na Copa e não foi campeão apesar de seu futebol.

    Na mesma linha, acho que o Cristiano Ronaldo vem jogando nesta Copa o que se espera de um dos grandes da história. Se continuar assim, independentemente do quão longe Portugal chegue, estará provando que merece mesmo o Olimpo.

    Já o que o Messi faz, e o que o Cristiano Ronaldo fez nas Copas anteriores (sem nenhum destaque, com apenas um gol por edição) merece veto para o Olimpo mesmo!

    1. Emerson Figueiredo só depende agora deles. E acredito que ela possa se classificar tendo em vista que a Nigéria joga pra cima dando espaço para Messi.

  2. É isso aí, esses dois não merecem sentar com essa turma não!!!!!!!!!! O CR7 ainda tá mostrando serviço,mas o Messi só decepciona!!!!!!!!!!!!!!!!!

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