El profe aloprado – entre o genial e o abominável

Créditos da imagem: Kirill Kudryavtsev / AFP

Embora curta, a passagem do treinador colombiano Juan Carlos Osório pelo Brasil foi longe de discreta. Tudo chamou a atenção. A começar pelos esforços para dar entrevista em português. Também foi curioso o fato de se referir aos atletas pelo nome, mesmo com apelidos ou sobrenomes consagrados. Pato virou “Alexander” e Centurión era Ricardo. E tinha a história do caderno e das canetas, que os repórteres insistiam em confundir achando que a vermelha era para críticas e a azul para elogios – na verdade, a primeira era destaque. Para completar, havia os métodos de trabalho nada ortodoxos, com mudanças constantes de escalação e esquema. Algo que, por aqui, é logo chamado de “pardalice”.

Como são-paulino e comentando todos os jogos no FOMQ (Fórum O Mais Querido), vi os altos e baixos de seu trabalho. Entre os altos, trazer Breno de volta ao futebol em pleno Majestoso, como volante. Uma maluquice que deu muito certo, naquele e em outros jogos. Por outro lado, houve partidas em que os planos deram muito errado, com resultados comprometedores (um deles, derrota para o Santos, deve ter causado a impressão negativa em Fernando Prado). Chegou um ponto em que o descontrolado presidente Aidar mandou mensagem no celular do técnico, mandando-o parar de inventar. Coincidência ou não, Osório controlou as reinações e, quando o time já estava mais equilibrado, a proposta mexicana o tirou do Morumbi. Considerei uma pena, porque mesmo nos reveses os jogadores pareciam entender o que fora pedido. Teria sido interessante ver o que faria com planejamento e pré-temporada.

No México, começou com o mesmo efeito chocante. Os comentaristas diziam não entender nada. Os bons placares iniciais fizeram seu cartaz. Já tinha conquistado confiança de jornalistas e torcedores, quando resolveu dar asas ainda maiores à imaginação. Como no São Paulo, aí é onde mora “el peligro”. Um desastroso voo de Ícaro levou a uma derrota por 7 a 0 contra o Chile, na Copa América Centenário. A partir daí, a situação do colombiano nunca se estabilizou. A classificação para a Copa foi tranquila, mas houve queixas pela falta de títulos. Na Copa das Confederações, uma campanha digna terminou com goleada nas semifinais (justamente para a Alemanha) e perda do terceiro lugar. Na fraca Copa Ouro, outra frustração antes mesmo da final. Temia-se que Osório, tal como Bielsa, tinha virado um revolucionário tão à frente de seu tempo que só leva um tombo no presente.

Foi com tal suspeita que Osório e sua equipe chegaram à Rússia. Na véspera da estreia, comentei entre amigos o seguinte: o México poderia tanto conseguir um resultado histórico quanto levar outra surra. Em ambos os casos, teria muito a ver com as escolhas do comandante. Assim como não será surpresa se o México desapontar contra a Coreia do Sul. Os mesmos torcedores que pediram perdão estarão querendo o couro do treinador. Mesmo que, porventura, o placar ocorra por erros de uma geração que nem é das melhores, numa seleção com histórico de jogar como nunca e perder como sempre. Incluindo, para alegria do então empresário Donald Trump, uma eliminação nas oitavas de final contra os EUA, na Copa de 2002. Sim, até os americanos já chegaram às quartas fora de seu país. Costarriquenhos também. Nada será desculpado se, no final, houver mais de sete seleções acima.

Mas não será nem o fracasso, nem mesmo o sucesso que farão Osório assentar suas táticas. A constante propensão a besta e bestial se deve à visão de futebol, que ele simplesmente não consegue resumir. Enxerga muita coisa e quer enxergar mais ainda. Não se trata de uma enganação que cria coisas que nunca darão certo, para ter a desculpa eterna de gênio incompreendido. Sei a diferença entre um e outro. No caso, o “outro” treina o Atlético Paranaense e não raro é defendido por quem atacava os números do colombiano no futebol brasileiro. Não oferece nada de novo. Apenas copia – mal e porcamente – algumas coisas da Europa. Osório vai além. Ou aquém. Ou sabe-se lá para onde. Mas vai.

4 comentários em: “El profe aloprado – entre o genial e o abominável

  1. É professor Pardal, mas vai fazer estrago nessa Copa!!!!!!!! Contra a Alemanha era para ter ganho de mais!!!!!!!!!!!!!! Se tivesse continuado no SPFC o clube ia estar bem melhor!!!!!!!!!!!!!

  2. Gustavo Fernandes a imprensa mexicana deu todo o crédito para o Osório na vitória contra Alemana, no entanto continuam criticando ele ter escalado 40 equipes diferentes em 40 jogos…..

    Hoje por exemplo estão “surpresos” pois é a primeira vê desde que chegou que ele repetirá a equipe 2x seguidas

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