O centroavante, o mais importante

Créditos da imagem: Reprodução/Bayern

Robert Lewandowski é o primeiro jogador, desde 2007, a bater Messi e Cristiano Ronaldo como melhor no prêmio brega da FIFA, dentro do “território” de ambos. Ou seja: predominantemente pelo que realizou em clubes. Diferente, portanto, do que levou Modric a ser escolhido em 2018 – ano em que Lewa amargou uma péssima campanha polonesa na Rússia. Não há como não dedicar uma coluna a este centroavante alvo de ridícula comparação ufanista do berrador Luís Roberto, o qual disse que Pedro é melhor. Não surpreende. Deve ter muito mané policarpo achando que Keno é melhor que o “japonês” Son*. Isso porque, sempre bom lembrar, “somos muito humildes“.

Assim como o inglês Harry Kane, o artilheiro do Bayern encarna a versão moderna do centroavante completo. Na verdade, a versão nem é tão moderna assim. Desde os primórdios, camisa 9 realmente bom não ficava parado esperando a bola. Nem saía toda hora da área (inclusive quando a bola estava lá). O tipo físico do centroavante varia, mas sua função segue proporcionar o maior número possível de gols para o time. Seja fazendo, seja combinando jogadas com os outros artilheiros. Principalmente fazendo. Não que a História não reserve lugar generoso aos que mais servem que arrematam. Mas uma boa dose de egocentrismo é fundamental para ganhar capítulo próprio. Por outro lado, quem “só sabe fazer gols” também não vai longe nos registros. Ainda mais se o assunto for o essencial no esporte: ganhar campeonatos.

Neste contexto, a conquista da Champions League tirou a pedra da chuteira de Lewandowski. Vice-campeão em 2013, pelo Borussia Dortmund (então treinado por Jurgen Klopp), o polonês foi para Munique e, a despeito da coleção de Bundesligas, amargou seguidas eliminações na maior competição mundial de clubes – poupem-me de ouvir que o Mundial da FIFA é a maior. Como tudo é motivo para estigma maldoso, logo veio a fama de “sumir em momentos importantes”. O melhor jeito de superar estas bobagens é continuar tentando. Foi assim que, aos 32 anos, completou a grande temporada da carreira. Não foi o astro da final, mas muito menos se escondeu. Atraiu a marcação para que Coman estivesse livre no gol do título. No duelo imaginário com Neymar, teve a vantagem de estar num time com mais coprotagonistas, com os quais se entrosa impecavelmente.

Para ser o terror das defesas, o Lewandowski “made in Polska” tem características físicas bem exploradas. Com 1,84 m, não é nem um grandalhão com dificuldades de se mexer, nem precisa de impulsão espetacular. Não chega a ser um velocista, mas proporciona jogadas de lançamento nas costas da zaga. É esguio e forte o suficiente para fazer o pivô, tabelando ou girando rápido. Claro que isso seria inútil sem o pacote técnico. Chuta bem com as duas pernas, cabeceia com precisão, coloca-se perfeitamente e tem o elemento psicológico de ver o gol maior do que é. De quebra, sua visão de jogo permite bons passes. Não dá para esperar mais predicados de um camisa 9. Há quem execute ou tenha executado alguns fundamentos melhor, mas pouquíssimos são competentes em todos eles. Questão de treino – e talento.

Ter vencido o prêmio coloca Lewandowski na prateleira principal de um século obcecado por individualidades acima do coletivo. É verdade que não basta para integrar o pódio dos maiores centroavantes de todos os tempos. Porém, garante seu cartão VIP permanente no clube de Ronaldo, Romário, Van Basten, Rossi, Careca, etc… Todos mais que completos. Brilhantes.

*não é piada. No SportV, Pedrinho disse que não sabia se o atacante do Tottenham é chinês ou japonês. É, ora pois, sul-coreano…

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