Quando o ócio chama…

Créditos da imagem: Fernando Martins Y Miguel / GloboEsporte.com

O ano foi 2015. O SPFC estava sondando substitutos para a temporada seguinte e um dos cotados era Levir Culpi. Resolvi assistir ao Bola da Vez com o técnico. Numa das passagens, foi lembrado que treinou o japonês Kagawa em sua passagem pelo país asiático. Perguntado sobre o insucesso do ex-pupilo na Inglaterra, Levir culpou o “estilo truculento” do futebol inglês. Parei por aí. Não precisava de mais nada para ver que se trata de um técnico que parou no tempo. Sequer se deu ao “trabalho” de se informar que as coisas mudaram. Quem não mudou foi ele. Assim como outros colegas de longa data, prefere decretar que tudo será sempre igual.

Neste contexto, não é de espantar que venha de trabalhos tão pífios. Como outros técnicos bonachões, o roteiro consiste num início animador para os desavisados. Sim, porque a causa da aparente melhora é psicológica. Com o decorrer das partidas, vêm as dificuldades que escancaram o estancamento do treinador. Chegou ao ponto que nem sua maior virtude o compensa. Como observou PVC há alguns anos, a grande qualidade de Levir Culpi é escolher os titulares. Trata-se de um dom raro, que não se passa para o papel. Nisso se assemelha a Telê Santana, um técnico que nunca escreveu seus métodos. Simplesmente os tinha e aplicava. A diferença é que Telê era um gênio que ia muito além da escolha dos onze. Inclusive para evoluir. Tanto que sua fase mais vitoriosa aconteceu justamente quando era tido como superado. Levir ficou apenas com a parte do superado.

Mesmo assim, Levir continuou tendo oportunidades para fazer mais do mesmo. Nos últimos anos, treinou Fluminense, Santos e – mais uma vez – Atlético Mineiro. Pouco deixou de aproveitável. No Galo, nem mesmo o talento na escolha se fez presente, já que insistiu na escalação de medalhões em péssima forma. A classificação na Pré-Libertadores, com os mesmos defeitos, virou uma versão a prazo do vexame são-paulino. Ao menos o tricolor pôde constatar mais cedo o desastre. O Atlético terá que rever planos às vésperas do Brasileirão. Já Levir irá para casa, à espera do próximo dirigente adepto do “vai que…”. A não ser que entre no mesmo ostracismo final de Vanderlei Luxemburgo. Técnico que, aliás, foi seu rival histórico de seus melhores tempos. E que, registre-se, também já afundou um início de temporada atleticano.

Duvido, contudo, que Levir já esteja em vias de descarte automático. Cobra menos que Luxemburgo, não tem comissão técnica gigante e não se mete onde não é chamado. Com tais atenuantes, logo será empregado por um Coritiba, um Sport e quem sabe um Botafogo. Não seria um final, mas um adiamento de final melancólico de quem, na década de 1990, conseguia competir em tempos do mais alto nível. Dias em que, taticamente falando, entre futebol brasileiro e europeu havia mais diferença que, propriamente, distância. Ser um treinador top era mais difícil. Havia técnicos na ponta dos cascos e com estilos diversos. Nada a ver com a uniformização da atual mediocridade doméstica, na qual nem assim consegue se destacar. Por isso seria o caso de este bom sujeito pensar: “por que não me aposentar, antes que me aposentem?

Levir Culpi está com 66 anos. Já foi altamente remunerado – em diversas moedas – para desfrutar de muitos anos bem vividos. Não consegue ficar longe do futebol? Vai brincar de treinador na várzea ou grama sintética. Com certeza há de se divertir e ganhar jogos a valer. Depois curte a família e pode ver futebol pela TV. Quem sabe assistindo à Premier League para descobrir que fim levou o “estilo truculento inglês”…

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