Ralf, uma idolatria que encobre o fiasco

Créditos da imagem: Reprodução Metrópoles

O futebol mudou. Num jogo cada vez mais coletivo, em que a criação das jogadas começa desde a saída de bola com o goleiro, é fundamental que todos os volantes aprendam a sair com a bola, como primeira forma de ligação entre zagueiros e atacantes.

Mas no Corinthians não há isso. Enquanto os zagueiros alvinegros buscam a bola, o primeiro volante joga como um maestro, mas no caso, com batuta quebrada. Ontem, contra o CSA, bastou um pouco de percepção para ver como Ralf se esconde atrás da linha defensiva e, além de não dar opção de passe, fica costumeiramente com o braço apontado para algum lado, como quem indicasse para quem Manoel ou Gil deveria tocar.

O curioso, no entanto, é que Ralf nunca considera que o passe deva vir para ele. Talvez por excesso de humildade ou por reconhecer a dificuldade que tem em conduzir a bola. Ou talvez seja esperteza, quem sabe. Já que Ralf, o camisa 5 dos títulos da Libertadores e Mundial, possui uma idolatria cega por grande parte da torcida, que vê culpa em todos os jogadores, mas o perdoa, por ser brigador, marcador e por jamais ter sido expulso.

Sim, Ralf é defendido pelo que fez há sete anos, como se seu histórico vencedor o gabaritasse a jogar até hoje como titular de uma das maiores equipes do Brasil. Aliás, se Manoel é um dos grandes criticados pela torcida, é porque nem Ralf, nem Júnior Urso (outro fiasco, quem diria) se aproximam do jogador para receber a bola e iniciar a construção da jogada.

Tornou-se comum ver o Corinthians tocando bola entre os zagueiros, numa clara indicação de que não há meio-campo para transitar a bola até os atacantes. A ligação direta entre Manoel e Pedrinho tornou-se a grande jogada da equipe.

E pior de tudo é que, logo após a Copa América, não foi com Ralf que o Corinthians conseguiu uma boa sequência de jogos, mas sim com Gabriel, estranhamente encostado por Carille.

Sim, o time tem inúmeras falhas, não possui triangulações nem armação de jogadas. Mas ninguém se esconde tão bem por baixo de sua própria idolatria como o primeiro volante corintiano.

Só roubar bolas não cabe mais no futebol moderno. É necessário aparecer, dar opções, sair de trás das linhas.

Mas ele não tem culpa, afinal, é pago para jogar e Carille faz questão não somente de tê-lo entre os 11 iniciais, mas também de mantê-lo mesmo quando o time não encontra saída de bola e precisa ganhar o jogo.

Bom para o volante, já que Ralf pode só marcar, segundo os torcedores. “Se o time não criar, não é problema dele”.

Péssimo para o espetáculo. Uma idolatria que encobre o fiasco.

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