Rodriguinho, Pato, e a programação de expectativas e projeções para os jogadores

Créditos da imagem: Montagem / No Ângulo

Uma das coisas que mais me chama a atenção na maneira que olhamos para os jogadores famosos é que, em geral, o início de carreira é o que determina como serão encarados para sempre.

Até entendo clubes estrangeiros -especialmente os europeus- darem à idade um peso absolutamente desproporcional na hora de decidirem investir dezenas de milhões de euros em jogadores que não são experimentados e apenas vendem uma excelente perspectiva de futuro, enquanto não dão bola para outros que estão muito melhores, simplesmente porque não vendem mais o sonho de poderem ser “fenômenos”. Ou alguém acha razoável que Vinicius Junior, reserva do Flamengo, seja vendido por 45 milhões de euros diretamente para o Real Madrid, enquanto, por exemplo, Lucas Lima nunca tenha tido qualquer oportunidade no exterior? Quem hoje joga mais e entrega mais para seu time? Evidentemente se trata de uma espécie de aposta: preferem pagar muito a quem pode vir a ser incrível, ainda que não venha a ser nada, do que investir incomparavelmente menos em quem certamente tratá resultados, mas nunca será “o melhor do mundo da Fifa”.

O problema para mim é que não é só nas negociatas que isso acontece. O modo como encaramos os atletas também é totalmente influenciado por como eles foram vistos quando surgiram, e é quase uma regra que isso determina como serão vistos para todo o sempre.

Querem exemplos? Pois bem!

Vejamos o caso de Alexandre Pato. Surgiu no Inter com 17 anos, fazendo gol na estreia, batendo o recorde de Pelé como o mais jovem a marcar gol em competição Fifa e sendo tratado como “uma joia que teve que ser escondida para não despertar a cobiça dos europeus”. Pouco mais de seis meses depois, já foi vendido para o então poderoso Milan na segunda maior transação da história do futebol brasileiro até aquele momento. Depois, ainda que não tenha feito mais nada de muito significativo na carreira, seguiu sendo um importante personagem do futebol: alvo de reportagens constantes, foi uma das transações mais caras da história do futebol brasileiro quando comprado pelo Corinthians. Mesmo sendo reserva na maior parte do tempo, seguia badalado. Foi para o São Paulo e após viver uma fase que não foi nada além de “boa”, seguiu sendo sempre comentado para a Seleção Brasileira. De lá, conseguiu ir para o “neo-gigante” Chelsea, disputou a badalada Liga Espanhola e custou 18 milhões de euros aos chineses.

Seguirá merecendo novas oportunidades e expectativas e, para sempre, será um “craque que não deu certo”. Se voltar a atuar aqui no Brasil ou na Europa, bastará fazer algumas boas partidas para que pensemos “agora vai!”.

Do outro lado temos Rodriguinho. Com praticamente a mesma idade de Pato, não foi prodígio: só foi se destacar como meia talentoso no pequeno América Mineiro, cinco anos depois de Pato ser uma aposta mundial. Após ter frustrada uma transferência para o Catar, o meia chegou a um Corinthians super exigente por ser o então campeão mundial, pressionado e no meio da temporada, como um “Zé Ninguém”. Após breves oportunidades não aproveitadas, foi emprestado para o Grêmio, onde também não se firmou e enfim foi para o Catar. Voltando para o Corinthians como refugo, foi para a reserva dos excelentes Jadson e Renato Augusto. Somente em 2016 começou a mostrar o seu valor, inicialmente de segundo volante, e depois como o jogador mais decisivo de um Corinthians novamente em crise. Em 2017, foi campeão paulista como protagonista e melhor jogador de seu time, e campeão brasileiro cumprindo um papel muito importante. Chamado algumas vezes para a Seleção, chegou a ser apontado por Mano Menezes como o melhor jogador do Brasil em atividade naquele período.

Apesar disso tudo, está sempre no fio de navalha. Bastam algumas partidas ruins para a torcida e a imprensa pensem que “voltou ao normal”. Não é raro ver corintianos o chamando de “Ruindriguinho” após más partidas. Por mais que decida, parece que será sempre visto como um “jogador comum que tem boas fases”.

E assim vamos indo, com “craques” que não decidem, não encantam, mas que apenas vivem uma “má fase de anos”, e com “jogadores comuns” que decidem, ganham títulos e fazem golaços enquanto “vão enganando”…

Um comentário em: “Rodriguinho, Pato, e a programação de expectativas e projeções para os jogadores

  1. Muito bom o texto!!!!!!!! Tem jogador que até hoje fica enganando por causa de passagem em seleção de base, por exemplo!!!!!!!! Rodriguinho joga muito!!!!!!!!!

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