Saudosismo: da Sapucaí a Madri

Créditos da imagem: Montagem / No Ângulo

Há uma certa chatice em voga, que culpa todos os males do mundo (do futebol, pelo menos) pela ausência dos comportamentos noventistas que não imperam mais por essas bandas, muito embora permaneçam, por exemplo nas páginas de humor futebolístico. Referências a “danone”, aos muitos episódios de indisciplina (pode romantizar e chamar de “rebeldia”) de craques como Edmundo, Romário, Ronaldinho Gaúcho…

Eis que em 2019, um dos muitos assuntos desinteressantes deste Carnaval foi o desempenho de Neymar. Não nos gramados europeus e sim nos camarotes baianos e cariocas. Samba, carnaval, affairs do show business… Nada muito diferente do que se via há 20, 25 anos com os craques tão adorados pelo saudosismo gratuito (e por vezes babaca). Se querem saber, pouco me importa o Carnaval de Neymar, que considero dotado da burrice que sempre caracterizou a condução da sua carreira fora dos gramados, mas uma dose de coerência não iria mal. Não é ser mais Romário o que lhe falta (não fora de campo).

Dito isso, quero trazer um outro tipo de saudosismo, o de uma época que eu não vivi, diga-se. Ver o Ajax fazendo o que fez terça-feira foi simplesmente fantástico. O Ajax, para mim, é um dos maiores times do mundo (ao lado de Santos, Real Madrid, Barcelona dentre outros titãs), porque embora tenha perdido protagonismo nas últimas décadas, tem algo que dinheiro de nenhum sheik pode comprar: um dos maiores legados esportivos que o futebol possui. O time de Rinus Michels e Cruyff não pode ser considerado qualquer um, ainda mais quando representado por uma geração tão talentosa, que certamente resgatará o orgulho do futebol holandês no âmbito de seleções também. A exemplo da Vila mais famosa do mundo, está aí outro lugar onde cai muito raio.

A vitória de terça para os holandeses representa um dos grandes feitos futebolísticos do século. Para a continuidade da competição pode significar muito, muito mesmo, inclusive nada. Desconfio que em Amsterdã será o suficiente. A Madri resta a triste certeza de que chegou ao fim uma de suas eras mais vitoriosas. Eles vão voltar.

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