Sem planejamento, não há estrela solitária que valha a pena

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Botafogo e Vasco protagonizaram, neste momento, a principal disputa do cenário futebolístico brasileiro. Após o clube da Estrela Solitária se aproximar do marfinense Yaya Touré, e um dos candidatos à presidência do clube da
Colina usar o jogador como garoto propaganda e garantir que, caso eleito, desembarcaria para jogar em São Januário, o marfinense votou atrás e esqueceu o interesse em jogar no Rio.

Recentemente, Paulo Vinicius Coelho, o PVC, apresentou um breve artigo que dizia que Botafogo e Vasco deveriam se preocupar em formar jogadores, não em buscar velhas estrelas em final de carreira.

Concordo com o jornalista, em partes, e explico minha resposta com dados.

Em 2012, quando Clarence Seedorf chegou ao Botafogo, a receita do clube aumentou imediatamente. A cota de patrocínio subiu, assim como a média de público no Engenhão, especialmente nos primeiro jogos da equipe. Dentro de campo, um título carioca e a vaga na Libertadores após mais de 20 anos de ausência. Na época, Seedorf tinha 36 anos e vinha de temporadas ruins com a camisa do Milan.

Além disso, enquanto o holandês jogava, o clube conseguiu a venda de Dória, Marcio Azevedo, Vitinho, Elkeson, Gilberto, Lodeiro e Fellype Gabriel, entre outros, alavancando ainda mais seu próprio caixa.

Em estudo realizado pela Pluri, 2013 foi o ano em que o clube mais faturou com venda de jogadores na última década; e 2014, o maior em marketing, mas mesmo assim terminou no vermelho, ilustrando a falta de gerenciamento nas finanças da equipe.

Enquanto esteve no clube, Seedorf buscou trazer uma série de melhorias à imagem e à estrutura do clube. Conseguiu, mas fincado em areia. Hoje, há uma nova crise no Botafogo, um novo rebaixamento e o flerte constante com a segunda divisão.

Mas então, se Seedorf serviu a curto prazo para o clube, mas nada do que fez durou, qual é exatamente o erro?

Está claro que o erro não está na contratação da estrela, mas sim na ausência de um planejamento a longo prazo. O Botafogo se desmanchou tão logo o jogador se aposentou. Não houve uma continuação da mentalidade vencedora, como ocorreu, por exemplo, no Corinthians de Ronaldo a Fábio Carille.

É possível que Vitinho tenha sido a grande revelação do clube, mas, tão logo chegou proposta, foi vendido. Com o tempo, a equipe foi se desmanchando e retornou à cruel realidade dos anos pré-Seedorf.

Algo parecido ocorreu com o Vasco e a volta do ídolo Juninho Pernambucano, também com 36 anos. Aumento da média de público, vice-campeão brasileiro, quartas de final da Libertadores, mas um fracasso ilustrado com dois rebaixamentos após a saída do Reizinho.

Embora em 2013 a equipe tenha acertado a venda de Dedé para o Cruzeiro, também não soube aproveitar a longo prazo as bonanças trazidas por um jogador do calibre de Juninho para revelar mais jogadores, receber mais dinheiro e garantir, ao menos, retorno nos mecanismos de solidariedade da FIFA. Hoje, ao analisarmos a escalação do clube na bela partida contra o Corinthians pela Libertadores, no Pacaembu, observamos que o time era composto por jogadores experientes, como Fernando Prass, Diego Souza, Alecsandro, Felipe e Carlos Alberto.

Resumidamente, mesmo que -à diferença dos outros veteranos citados- já esteja aposentado, pela grife, não há erro em buscar Yayá Touré. Pelo contrário, pois se comprova que a curto prazo um jogador de renome internacional pode alavancar receita do clube e até mesmo ajudar na venda de novas promessas.

O problema está no momento em que não se cria um projeto a longo prazo, que não se conduz a mentalidade vencedora que a estrela traz ao clube.

Em uma década, Botafogo e Vasco tiveram duas boas temporadas completas, rebaixamentos e infinitas crises. A vinda de Yaya, se mal conduzida e pensada apenas a curto prazo, sem relevação de jogadores, contrato de patrocínios e aumento do programa de Sócio Torcedor, não será mais que um paliativo para a crítica situação dos clubes.

É preciso enxergar o horizonte. É necessário pensar a longo prazo.

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