Sinfonia clássica: a nota lenta e eficaz de Lionel Messi e Andrés Iniesta

Créditos da imagem: AP Photo/Francisco Seco

Lionel Messi acabou com o Real Madrid em pleno Bernabéu no último sábado. Com um gol, uma assistência e outras tantas jogadas de mestre, o argentino demonstrou porque é o melhor jogador em atividade no mundo.
Apesar das estatísticas, o que mais chamou a atenção no clássico foram os números divulgados posteriormente, que indicam que La Pulga passou 83,1% andando em campo. Sim, dos 90 e poucos minutos em campo, Messi apenas caminhou por mais ou menos 75 deles.
Em tempos de intensidade e marcação sem a bola nos pés, tão pregadas pelos treinadores, Messi demonstra porque é um cara fora de série poucas semanas depois de seu companheiro, Andrés Iniesta, dizer que “às vezes parado se desmarca”.
Declarações que nocauteiam aqueles que brigam pelo futebol pegado, com a tal “cara de Libertadores”. É claro que nem todos são Messi ou Iniesta (aliás, quase ninguém os é), mas a maestria com que ambos carregam seu time e seu pais são impressionantes.
Podemos dizer expressamente que grandes jogadores desfilam em campo até mesmo parados. Nada de vigor físico, dom dos carregadores de piano. O que encanta é a intensidade quando se necessita dela, quando realmente é usada para mudar e decidir o jogo.
É claro que pra tocá-los, Messi e Iniesta precisam de quem carregue seus pianos. Sorte a deles por tê-los e sorte a nossa por podermos ouvi-los, sem pressa, sem excessivo vigor físico, mas com calma.
Uma sinfonia culé tocada para o mundo todo.

13 comentários em: “Sinfonia clássica: a nota lenta e eficaz de Lionel Messi e Andrés Iniesta

  1. Incrível, eu não tinha ideia dessa estatística do tempo que o Messi passava literalmente andando em campo! Uma vez vi um jogo do Barcelona no estádio e me impressionei que o Messi ficava parado muito tempo, até que pegava a bola e colocava uma intensidade incrível. Ele ficava tão parado que juro que me lembrou o Romário!

    1. Gozado. Em que momento o texto falou deste assunto? Você não acha chato quando escreve uma coisa e alguém fala de outra? Por que não dar o mínimo de respeito ao colunista (que gastou tempo preparando um texto fundamentado)? Boas maneiras não são algo que se espera só dos outros. Pense nisso, por favor.

    2. Valeu pela opinião, Israel. Mas é impossível dizer que Messi não é jogador de seleção. Ele levou a Argentina a duas finais de Copa América e a uma final de Copa do Mundo, além do show que deu no Equador ao meter 3 gols e classificar a equipe pra Rússia.

      Abraço!

  2. “Entretanto, toda esta aparência de cansaço ilude.

    Nada é mais surpreendedor do que vê-la desaparecer de improviso. Naquela organização combalida operam-se, em segundos, transmutações completas. Basta o aparecimento de qualquer incidente exigindo-lhe o desencadear das energias adormecidas. O homem transfigura-se. Empertiga-se, estadeando novos relevos, novas linhas na estatura e no gesto; e a cabeça firma-se-lhe, alta, sobre os ombros possantes aclarada pelo olhar desassombrado e forte; e corrigem-se-lhe, prestes, numa descarga nervosa instantânea, todos os efeitos do relaxamento habitual dos órgãos; e da figura vulgar do tabaréu canhestro reponta, inesperadamente, o aspecto dominador de um titã acobreado e potente, num desdobramento surpreendente de força e agilidade extraordinárias.”

    1. Jorge, faço apenas uma observação: Iniesta não tem qualquer privilégio em termos de marcação e movimentação. Participa normalmente da linha defensiva e da marcação adiantada. Quando não conseguir mais, deverá ter o destino que Xavi teve em 2014/2015 – o banco. Já Messi sim, tem a benesse de não ter nem que acompanhar o lateral adversário, nem formar a linha pelo centro. A contrapartida é o que vimos – ser efetivo na parte ofensiva, com ou sem a bola (o que foi claramente visto no primeiro gol, em que a simples expectativa de que recebesse a bola deu espaço a Rakitic, Sergi e Suarez. E este privilégio é pra pouquíssimos, porque é impossível um time ser competitivo marcando com sete. Por isso, como já disse antes, Neymar teve que mudar de time para ter a mesma benesse, que normalmente vai pro centroavante e mais um. Mas podem ver que Mbape tem que acompanhar lateral, como ele – Neymar – fazia no Barcelona. Nenhum time é campeão em alto nível deixando o adversário jogar. Vimos bem o que acontece com times dos sonhos em que nenhuma das estrelas marca.

    2. Realmente, a condição física do Iniesta não é a mesma, mas acho que ele seja diferença do Xavi. Tem mais técnica e se adapta com mais facilidade a estilos diferentes de jogo, como demonstrou tanto neste Barça como no MSN. Mas a importância é que ambos se posicionam de modo realmente impressionante. Messi e Iniesta é uma dobradinha que põe qualquer time a nível de título.

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