Sobre a queda corintiana no 2º turno. E como o basquete poderia ajudar Carille

Créditos da imagem: LANCE!

Mestre em treinar a defesa, o técnico Carille alcançaria melhor seus objetivos com o time do Corinthians, tornando-o também eficiente no ataque, caso as regras do futebol e o regulamento dos campeonatos permitissem a utilização de vários jogadores durante a partida, entrando e saindo, como no basquete

Goal em inglês significa objetivo, meta a ser alcançada. Inventado ou desenvolvido pelos ingleses, o gol, assim grafado por aqui, que os portugueses batizaram de tento, nada mais é que alcançar o objetivo, alcançar a meta, colocando a bola na rede – que está lá apenas para diminuir o trabalho dos gandulas (rs) – jovens ou coroas, e até belas garotas, encarregados de devolver a bola para os jogadores, quando ultrapassam os limites do campo, mantendo a dinâmica da partida.

Se o gol é o objetivo do futebol, um jogo sem gols é um jogo que não alcançou seu objetivo. Em princípio, como os americanos já fizeram quando davam bananas para as ordens dos velhinhos da Fifa, penso que nenhuma partida deveria terminar sem um vencedor. Os americanos, nos tempos de rebeldes, obrigavam haver o desempate com cobrança de pênaltis em movimento – ou algo do gênero.

Sim, eu mesmo já escrevi que o gol que faltou, não passou de mero detalhe. Mas foi uma única vez em 50 anos dedilhando prestinhas e falando em latinhas. Foi numa decisão de título brasileiro entre São Paulo x Palmeiras, quando o zero no placar favorecia a este. Mesmo assim penitencio-me. Jogo sem gol e sem vencedor, é como chupar bala sem retirar o papel.

Já li, ouvi e participei de vários debates onde se buscava um jeito de pelo menos aumentar a chance de gols nos jogos. Diminuir para dez ou nove o número de jogadores. Aumentar as metas – como dizem os portugueses, “o espaço entre as molduras”. Nada vingou, como sabem.

Antigamente, os jogos terminavam com grandes goleadas, isto é, com muitos gols marcados. Elas ainda acontecem, mas são mais raras. E geralmente quando os adversários não são parelhos. As razões também são conhecidas: evolução na preparação física dos jogadores, cuidados médicos, alimentação, e nos esquemas táticos.

Até um tempo atrás, o jogador pensava e a bola é que corria. Hoje, com os jogadores mais bem preparados fisicamente, aumentou a correria, todos “chegam junto” e não aliviam. É preciso pensar enquanto corre. Tocar rápido e sair para receber. Nunca a máxima de Gentil Cardoso – “quem pede recebe, quem desloca tem preferência” – foi tão real e necessária. Por isso diminuiu o número de grandes craques. Agora só os que trazem do berço o que a preparação física não dá. Os que conseguem assobiar e chupar cana ao mesmo tempo.

Na FIFA andam especulando jogos com 60 minutos de bola rolando. Como é no basquete. (Quase) toda experiência é válida. Esta é uma delas. Poderia diminuir as ceras, por exemplo. Melhoraria o nível técnico? Aumentaria o número de gols? Surgiriam novos esquemas táticos? Sou do tempo do WM. Passei pelo 4-2-4, 4-4-2. Hoje escuto que o estão jogando com 4-2-3-1-1. Sei lá mais quantas variações.

Penso que a evolução levará ao 4-6-0 – que já falei e escrevi e já ouvi falar. E se engana quem pensa que o time assim fica menos ofensivo. É só uma questão de obediência tática, que exige muito do físico. A formação seria assim quando o time é atacado, com o “0” se transformando e, quatro, cinco e até seis no ataque, quando a bola é recuperada.

Em muitos jogos e, neles, vários momentos, vejo o time do Corinthians arrumando-se assim – mesmo quando Jô parece estar um pouquinho desgarrado dos seis. Foi muito efetivo no primeiro turno do Brasileiro e caiu bastante na virada. A evolução quando a bola é recuperada já não tem a mesma precisão. Nem todos conseguem chegar ao ponto ideal no tempo exigido. As pernas já não obedecem o cérebro como faziam antes. Idade, contusões, reservas com as mesmas qualidades… A proposta do treinador corintiano exige muito do time. O tempo todo. Para poder – como gostam de dizer – jogar no erro do adversário. Não vejo como erro, mas como a imprecisão…

Se no futebol o técnico pudesse usar o banco durante o jogo, como ocorre no basquete, apostaria em sucesso ainda maior no Corinthians de Carille.

10 comentários em: “Sobre a queda corintiana no 2º turno. E como o basquete poderia ajudar Carille

  1. Muito interessante essa observação da intensidade mair desse Corinthians, que poderia manter a qualidade como é no basquete!

    Mas acho que também precisa substituir jogadores que não vêm bem. Nisso o Carille tem sido muito conservador…

    1. Para substituir jogadores, teria de ter reservas do mesmo nível, e não tem. Teme cansou,. embora tenha maioria de jogadores jovens, em razão do esquema intenso de jogo. Tem sofrido muito quando adversário sai na frente. Jogo contra o Santos foi um time entregue. Contra o Cruzeiro chegou a empate quando os mineiros já podiam ter decidido o jogo. Cansaço vem carregando o time de amarelos. Jogadores chegam atrasados no lanc…

    1. Jadson veio baleado da China. Demorou a entrar em forma razoável. É um dos mais “velhos”” do time. Não consegue entrar no ritmo dos demais. Nas não tem substituto que faça melhor

  2. Jadson veio baleado da China. Demorou a entrar em forma razoável. É um dos mais “velhos”” do time. Não consegue entrar no ritmo dos demais. Nas não tem substituto que faça melhor

  3. José Maria de Aquino, como sempre, muito objetivo em tudo que escreve. Sempre acompanhei sua carreira nas páginas da revista Placar e também na televisão. É muito prazeroso ler os seus textos.

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