Sobre o afago de Tite a Neymar: privilégio não é um direito, é recompensa

Créditos da imagem: CBF

Neymar, aconselhado ou não, chorou nos ombros do técnico Tite e recebeu dele afagos. Um gesto de paizão diante das câmeras. Muita gente se emocionou. Calejado, preferi pensar se fora dali o paizão aproveitou para dar bons conselhos ao filho craque e rebelde. Como está chegando o tempo do advento, o Natal, digo que, mesmo podendo, nem sempre se deve dar ao filho o presentão que ele pediu ao Papai Noel.

Não longe da cena que provocou lágrimas nos fãs que ainda tratam Neymar, aos 25 anos, como uma criança, seu colega de PSG, o alemão Julian Draxler, a respeito da polêmica que envolve o companheiro e das críticas que tem recebido de críticos e torcedores, declarou que Neymar tem todo direito de ter privilégios. Por sua arte, pelo que sabe jogar…

Não é de agora que grandes jogadores recebem privilégios, têm regalias que a outros não são dadas. Ali mesmo, o brasileiro Yeso Amalfi, criado no São Paulo, com passagens pelo Boca Juniors, Milionários, da Colômbia, amigo do príncipe Rainier e da princesa Grace Kelly, de Mônaco, era fotografado por paparazzi vestindo smoking, descalço, bebendo leite, na noite parisiense, e fazia acordos com seus técnicos: “marco dois gols no primeiro tempo e saio no intervalo, para encontrar com aquela…”. Yeso tinha a “chave da cidade”.

No contrato do Maradona com o Napoli constava que ele não precisava se reapresentar com os demais após uma partida, nem era obrigado a viajar com os companheiros para os jogos. Não raro viajou no próprio dia, em jatinhos dos cartolas. Mulheres e algo mais lhe eram servidos no hotel onde vivia. Craque, Maradona resolvia para o Napoli, o que não chegou a fazer no Barcelona.

Antes de ter a perna fraturada em lance casual com Mauro Ramos de Oliveira, num jogo Santos e São Paulo, em 1956, dando chance a Pelé, 16, ainda chamado de Gasolina entre os companheiros, Vasconcellos, craque-rebelde, exigia certos privilégios no time da Vila. Costumava, quando o jogo estava difícil, dizer no intervalo que não ia voltar para o segundo tempo, só o fazendo quando Modesto Roma, pai, lhe garantia bicho dobrado. Não consta que Pelé tenha feito igual. Nem Zito, que torcia para que Pelé ganhasse o máximo possível, porque sempre exigia receber a metade.

Não sou contra jogador ter privilégios, desde que, é claro, tenha méritos para tal e que os justifique em campo. Chefiando uma delegação brasileira que ia para a Argentina e vendo Almir Pernambuquinho tremendo de frio, Paulo Machado de Carvalho tirou seu casacão de lã e agasalhou o meia, craque de bola. Leivinha descoloria os cabelos com camomila. Paulo César “Caju” pintava os dele. Eles podiam. Mas não Romeu Cambalhota, ponta do Atlético e do Corinthians. Sua bola era miúda. Maldade? Claro, maldade minha com ele, que ria…

Consta – eu não estava lá – que Romário, mesmo “vigiado” de perto por Dunga, teve alguns encontros com belas moças, no seu quarto, durante a Copa de 94, nos Estados Unidos. Nada a reclamar, graças ao resultado do torneio, que deu o tetra ao Brasil. Caso contrário… Assim teria sido com a Democracia Corintiana. Assim não foi o “rola-rola”, do Ronaldinho Gaúcho com uma “modelo”, durante treinos da Seleção Brasileira na Copa de 2006. Perdeu, pau comeu.

Li que Felipe Melo – que não é craque – prometeu, em casa, saborear um belo vinho depois da vitória do Palmeiras contra o Flamengo, no último domingo. A garrafa do “néctar”, também li, custa em torno de 2 mil reais. Privilégio para poucos. Jogou pelo mundo, fez belos contratos, deve estar rico e tem todo direito. Afinal, voltava ao time após cem dias de cerca e o time venceu por 2 a 0. Tivesse perdido, o mandariam tomar uma 51.

Porque, de fato, privilégio não é um direito, é recompensa.

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– Será que as chuteiras coloridas e os cortes de cabelo prejudicam o futebol de alguns “craques”?

7 comentários em: “Sobre o afago de Tite a Neymar: privilégio não é um direito, é recompensa

  1. NEYMAR É UM MOLEQUE MIMADO QUE DÁ AS COSTAS PARA OS SEUS CLUBES QUANDO CONVÉM!

    EGOÍSTA, SÓ PENSA NELE!

  2. Concordo inteiramente! Cabe ao clube e à torcida ver se a recompensa pelo privilégio vale a pena. É uma relação como outra qualquer, entre duas partes, não deve ter esse “tabu ético” envolvido. Tem muito jornalista que coloca como se fosse uma questão moral.

    A partir do momento em que o resto do grupo não lida bem com a recompensa, o privilégio não valerá mais a pena. Se o resto do grupo também percebe que o retorno dado por um único jogador é tanto que todos também se beneficiam desses privilégios, provavelmente valerá a pena.

    Enfim, creio que deve ser visto de uma maneira mais leve e pragmática, simplesmente.

    1. Assim pensava e agir Zito. Dizia: não quero ganhar como Pelé, porque não sou um Pelé. E quero que ele ganhe o máximo possível, porque merece ganhar. E aí eu quero receber a metade desse máximo. Futebol é coletivo, ninguém joga e muito menos vence sozinho. Cansei de ver a bola chegar curta ou forte demais,,,

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