A demissão de Aguirre no Inter – “uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa”

Créditos da imagem: Jornal Zero Hora

Vi muita gente criticando a demissão de Diego Aguirre do Internacional às vésperas do seu eterno clássico maior, contra o arquirrival Grêmio.

Mas, como diria o outro, “uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa”.

Após o jogo, é inevitável pensar que o timing da demissão foi errado. Segundo consta, o grupo de atletas gostava de Aguirre enquanto ser-humano e ainda não teria absorvido o baque da acachapante desclassificação na Libertadores, diante do Tigres. De maneira que a instabilidade do grupo restou evidenciada na goleada por 5 a 0 imposta pelo tricolor gaúcho.

No entanto, conforme manifestei na minha coluna da véspera do jogo da semifinal do principal torneio das Américas, o fato de a diretoria do Inter – que tem contato diário com o grupo de atletas – não ter tido a sensibilidade de esperar um momento mais oportuno para a demissão, não pode encobrir o trabalho no mínimo decepcionante realizado pelo treinador uruguaio.

Senão vejamos: o time comandado por Diego Aguirre, em que pese ter sido campeão estadual (derrotando na final o então Grêmio de Felipão, que nada tinha a ver com o vibrante time de agora, comandado por Roger) e eliminado nas oitavas-de-final da Libertadores aquela que talvez seja a melhor equipe do país na atualidade – o Atlético-MG -, em um duelo circunstancial e cheio de particularidades (gol no início na casa do adversário, falhas individuais etc), não tem conseguido manter uma regularidade e realizou poucos jogos em alto nível na temporada (o 4×0 contra a Universidad de Chile, por exemplo, foi exceção à regra). Eis que o Brasileirão começou e mostrou um Internacional sem conjunto, bagunçado, com uma campanha sofrível. Hoje a equipe está distante do G4 e sem qualquer perspectiva para o restante da temporada, algo no mínimo frustrante para um elenco tão caro e qualificado. Elenco este, vale ressaltar, muito mal utilizado pelo treinador, que, ao tentar implementar sua filosofia de rodízio de jogadores, não deu entrosamento ao time, não passou segurança aos seus atletas e jamais conseguiu dar um padrão de jogo à equipe. A cultura futebolística de onde se vai trabalhar há de ser observada tanto por quem contrata, como por quem é contratado. De modo que a experiência com o técnico vice-campeão da Libertadores de 2011 com o Peñarol (derrotado pelo Santos de Neymar na final) acabou sendo frustrante. Menos mal que, por linhas tortas, Aguirre acabou por revelar bons jovens valores do elenco para a equipe profissional, que deverão ser úteis para o próximo treinador, minimizando assim o prejuízo de sua passagem por terras gaúchas.

Diego Aguirre, assim como Ricardo Gareca, no Palmeiras (e que depois foi muitíssimo bem comandando a Seleção do Peru na última Copa América), não deu certo no Brasil. E a decisão pela troca, embora em momento inoportuno, me parece positiva e fará o Internacional crescer. Já que, em mais de oito meses de trabalho, dentro de campo nada aconteceu e sequer dava pinta de que aconteceria.

Aguardemos.

E segue o jogo.

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