Hay que endurecer, pero sin perder la Copa?

Créditos da imagem: Javier Etxebarreta/EFE

Acordei, peguei o tablet e quase caí da cama ao ler sobre a demissão do técnico Julien Lopetegui, da seleção espanhola. Sou descendente de espanhóis e gosto muito da Espanha, inclusive como seleção – especialmente depois que trocaram a Fúria apenas valente pela técnica Roja. Minha primeira impressão foi de uma decisão “estomacal”. Não questionei, ante a notícia de que o treinador só avisou do contrato com o Real Madrid em cima da hora, que caberia alguma punição. Mas a demissão implicaria, necessariamente, em afastar uma das grandes favoritas (ao lado do Brasil) à conquista do que seria a segunda Copa do Mundo. Quem sabe, numa edição com futebol mais memorável que o de 2010, em que jabulanis e vuvuzelas nivelaram a competição por – muito – baixo.

Horas depois, tento levantar prós e contras para definir, como um sentenciador, se: 1 – a decisão foi realmente passional; 2 – além da questão de caráter, outros fatores recomendariam o desligamento imediato. Pelas primeiras informações, consta que houve reunião com representantes da delegação, incluindo jogadores mais antigos. Estes teriam sido contra, mas aceitaram a demissão. Pelo tempo que levou desde o anúncio (cerca de um dia), presume-se que ao menos se procurou esfriar a cabeça. Então devemos dar o benefício da dúvida neste ponto. Embora, ressalte-se, muitos devam preferir a versão de que foi uma demonstração de “cojones”, uma velha e triste obsessão latina na pior acepção do termo – que levou a tantos governantes “machos” e desastrosos para seus países. Não que coragem seja dispensável, mas coragem pela coragem nem coragem é. Apenas burrice convicta.

Dando como predominantemente pensado o posicionamento da Federação Espanhola, a segunda indagação é sobre que problemas poderiam ser desencadeados. Há quem imagine que os jogadores do Barcelona ficariam revoltados. Não considero esta tese plausível. Além de experientes, já superaram situações mais sérias, inclusive políticas. Não raro houve confusões nos superclássicos seguidas de bons jogos da seleção, com rivais se ajudando até em eventuais brigas. Porém, mesmo sendo esta intriga específica inverossímil, o mesmo não se pode dizer de outras. Especialmente em termos de confiança na postura do técnico mirando o futuro. Explico: temores quanto a possíveis conversas de Lopetegui com os convocados, para levá-los ao futuro time. Quem já agiu sem ética uma vez, age quantas vezes achar conveniente para si. No futebol brasileiro, não faltam técnicos para vestir a carapuça.

Também haveria o receio de fofoquinhas internas. O colega Jorge Freitas comentou que seria estranho um jogador como Sergio Ramos, com seu status no Real Madrid, não saber da negociação. É possível que não soubesse, dado que já se encontrava com a seleção desde a saída de Zidane. Mas existem celulares, bem como deduções naturais de que Lopetegui poderia pedir informações ao zagueiro. Supondo que este não comentou nada com os outros jogadores, estes poderiam cogitar que faltou lealdade. São estas inferências vagas que viram sementes daninhas capazes de derrubar um grupo. Não apenas no futebol, mas em qualquer área profissional. Talvez, juntando as duas coisas citadas, mais outras que ainda não me vieram à cabeça, os dirigentes espanhóis consideraram que, de um jeito ou de outro, o estrago já está feito. Agora escapar de outro vexame será missão cumprida.

Neste contexto, há como julgar a demissão de Lopetegui dura, porém acertada. A desproporcionalidade tende a ser descartada na medida em que se pensa no assunto. Não, reitero, pela necessidade de mostrar “cojones”. O fundamento está acima: grandes chances de a atitude do técnico já ter sabotado, por si, o excelente trabalho dos últimos anos. Encarnou a piada da vaca que dá leite de primeira e mete um coice no balde. Uma pena. Uma possível campeã a menos. Por mais que se veja “motivação” em situações do tipo, esporte profissional tem seus limites literários. Do contrário, seria melhor trocar os treinos por exibições de filmes da Távola Redonda, Robin Hood, Ivanhoé e outros mitos medievais.

4 comentários em: “Hay que endurecer, pero sin perder la Copa?

  1. Muito bom! Sem dúvidas algum estrago já estava feito, mas eu continuo achando que a troca foi um estrago maior. A não ser que as checagens dos dirigentes com o grupo tenham indicado que o clima já estava azedado, é claro.

    Mas, por mais que eu tenha sido contrário à decisão, é aquele tipo de situação da qual parece não haver uma boa saída…

  2. Achei precipitação. Há jogadores experientes que tem mais influência no elenco do que o técnico, e duvido muito que se deixariam levar pelo estômago.

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