Abafou. Pero no mucho…

Créditos da imagem: Atlético-MG/Divulgação

Jorge Sampaoli chega a Belo Horizonte com a expectativa criada pelo trabalho de 2019, que o transformou no nome mais cobiçado no Brasil – considerando que Jorge Jesus já é do clube mais rico. Porém, a retomada das negociações, agora com sucesso, pode indicar que o trabalho no Santos não reabilitou completamente seu nome após a passagem pela seleção argentina. Pelo menos em outro país que não seja o Brasil. Aqui, Sampaoli é o suprassumo. Fora, nem tanto. A uma certa distância, existem pontos que tornam sua passagem menos empolgante que o “Showpaoli” dos santistas. Vejamos:

  • eliminação na primeira rodada da Copa Sul-americana, para o River Plate – só que do Uruguai;

  • eliminação nas oitavas de final da Copa do Brasil, justamente para o Galo, então com o técnico tampão Rodrigo Santana;

  • vice-campeonato brasileiro, porém mais de 15 pontos atrás do campeão Flamengo, que estava atrás quando Jorge Jesus assumiu;

  • vitória de 4 a 0 sobre o Flamengo relativizada, pois ocorreu quando os cariocas já eram campeões e tinham um Mundial a disputar poucos dias depois.

Observo que não estou minimizando nem o desempenho santista (com elenco bem mais modesto que o do campeão brasileiro e sul-americano), nem a performance na vitória acima citada. Estou apontando a provável visão de quem não acompanha os jogos e, no máximo, vê compactos no Youtube (os que prometem te ensinar como ficar rico). A favor desta dedução tenho o fato de que, no fim das contas, chegamos ao fim do mês e não se soube de argentinos, chilenos e muito menos europeus querendo seus serviços. Tal como certos cantores latinos bregas nos anos 1980, só sobrou o Brasil como mercado de alta relevância. Há quem diga, baseado em fontes do técnico, que ele gosta muito de morar no Brasil e isso explica a permanência no país. As fontes só não disseram que proposta do exterior ele recusou. Possivelmente, nenhuma.

“Azar dos gringos se não apostaram nele!”. Não necessariamente. Sua passagem pelo Sevilla, a única em solo europeu, também se encaixou no título da coluna. Chegou a disputar a liderança, teve colocação final digna, mas vários resultados frustrantes. Não apenas contra os grandes espanhóis, mas nas oitavas de final da Champions League, contra um Leicester sem a mágica do ano anterior. Tanto que o clube andaluz não moveu obstáculos para evitar sua saída para a seleção. Bem diferente dos clubes dos compatriotas Simeone e Pochettino. Por outro lado, se não é azar incontroverso dos europeus que o dispensam, permanecer no Brasil segue sendo sorte do nosso futebol. Isso se conseguir trabalhar com autonomia durante todo o tempo de contrato com os mineiros. O que, tratando-se do Atlético, não é nada garantido. Difícil até imaginar vê-lo chegando ao final do ano.

Pode-se dizer que trazê-lo com um contrato até o fim de 2021, com multa altíssima, já é um sinal de que estão dispostos a conter o fígado. Mais uma vez: não necessariamente. Certamente o presidente pensará duas ou três vezes antes de demiti-lo, caso a distância para o topo custe a diminuir. Mas, assim como o ano eleitoral fez chamar os amigos com dinheiro para trazê-lo, pode servir para pedir mais dinheiro e mandá-lo embora. Nem me surpreenderia se ocorresse o inverso do que houve no Santos: sai Sampaoli, volta Cuca. Se acontecer, nada mais justo que um Galo x Raposa na série B. Com portões fechados, porque ninguém merece. Só ambos.

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