El “Poxeto” en Morumbi? No, señor.

Créditos da imagem: Marcos Bezerra/Futura Press/Estadão Conteúdo

A decadência de Vanderlei Luxemburgo se acentuou em 2008. Depois de ver o Palmeiras ficar pra trás no Brasileirão, disse que era tudo parte de um projeto que renderia frutos no ano seguinte. Não rendeu e ele foi demitido. A partir daí, os “pojetos” foram virando piada. Alguns são-paulinos não precisam do técnico para apelarem ao auto-engano. Acham que a campanha do primeiro turno e a eventual vaga na Libertadores são parte de uma evolução. O problema é o tempo verbal. Foram parte de uma evolução. Que já acabou e pouco deixará de legado para 2019. Só mais um ano da marmota.

Para começar, o eventual consolo de disputar a Libertadores tem sido literalmente perigoso. A vaga não rendeu feliz ano novo em 2012, 2014 e 2015. Sendo que, em 2013 e 2016, o sonho do tetra quase virou rebaixamento. Para um time grande, porém fora dos melhores do país (e o São Paulo não seria Top 3, mesmo que tudo desse certo no Brasileirão), estar na competição traz mais um problema: a pressão por reforços. O aborrecimento vai aumentar se, atendendo a retórica por contratações “ambiciosas”, o caixa sacrificar a recuperação financeira. Esta ainda não permite -se é que permitirá- contratos como os de Palmeiras e Flamengo. São bolas cantadas os pedidos por Pato, Calleri e outros encostados em seus atuais times. Hernanes mostrou ser sempre uma boa ideia, enquanto tiver pernas. Mas desde que em definitivo e sem que sua vinda enxugue o elenco. É muito “desde que”.

Todavia, o maior estancamento é o caminho escolhido nesta temporada. Optou-se, como o colega Mironga comentou, pela identidade uruguaia como filosofia de jogo. Na parte tática, Aguirre decidiu que a forma de atuar mais viável, exigindo menos reforços, era um 4-4-2 como o do Manchester United no fim da década passada. Foi o que permitiu encaixar os dois medalhões, Nenê e Diego Souza, no mesmo time. O camisa 10 recua do ataque para ajudar os dois volantes a rodar a bola. Nas extremas, ao contrário do que virou usual, meia canhoto na esquerda e destro na direita. Funcionou por um tempo, mas as dificuldades eram previsíveis por três motivos: 1 – Everton já se lesionava constantemente no Flamengo; 2 – Nenê jogou mal em todos os segundos semestres pelo Vasco; 3 – tornando-me repetitivo, nada fica obsoleto por acaso, não sendo difícil aprender e aplicar os antídotos.

Ou seja: jogando desse jeito em 2019, mesmo com um ou outro reforço, a tendência é terminar como em 2018. A diretoria fez o certo ao prestigiar o chef comprando os ingredientes que ele queria. Mas o sucesso do restaurante não foi nem de meia temporada – considerando as derrotas em mata-mata e como a equipe capengou antes da Copa. Ou o chef muda o cardápio, ou muda o chef. Isso precisa ser decidido logo, porque o planejamento do ano que vem deve começar o quanto antes. Mais uma vez, quase do zero. Principalmente se a melhor solução for mudar de técnico. Torcedores falam em efetivar Jardine pelo que fez na base. Foi realmente notório, mas suas variações teriam eficácia no ritmo profissional? Os leitores tiozões viram os losangos flutuantes de Écio Pascoa e sua Lusa encantando – com Dener – na Copinha de 1991. Nunca foi aplicado com os marmanjos. São outros quinhentos.

O que vi de positivo, sem controvérsias, foi o estádio quase vazio e com vaias, no último sábado. Após anos se alegrando com derrotas dignas e “time grande não cai”, disputar um título importante fez lembrar ao são-paulino o que é grandeza. Não se trata de nunca cair, e sim querer sempre o topo. Guarde este sentimento, torcedor do SPFC. É o que pode trazer de volta os melhores dias. Lembre-se disso quando um blogueiro ou jornalista chapa-branca tentar convencê-lo de que falta pouco e seu dever é apenas “incentivar”. Falta muito e fazer com que corram atrás – com juízo – também é com você. Um item que não pode faltar na bagagem dos próximos anos.

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