Estreia tricolor – muita camisa e pouco futebol em Córdoba

Créditos da imagem: Montagem / No Ângulo

Dia 6 marca o primeiro “é quarta-feita!” de 2019. É o bordão favorito das torcidas brasileiras, sempre que o time patina às vésperas de um jogo de Libertadores – na verdade, Pré-Libertadores. O São Paulo já passou pela triagem duas vezes, mas será a primeira com duas etapas. Mais: após um boliviano (2013) e um peruano (2016), estreará contra um argentino. Mesmo isso não despertaria preocupações além do normal, não fosse o que salta aos olhos: o time aproveitou pessimamente o tempo de preparação. Nem mesmo a tropa chapa-branca está conseguindo criar as esperanças de costume. Sobram incertezas, desde a condição física de Hernanes até a capacidade dos comandantes – técnico e gestor.

Saudado como um dos melhores contratadores do final de 2018, o SPFC viu os elogios caírem na real tão logo entrou em campo. Em parte, porque entrou em campo quando deveria estar treinando. A participação na Florida Cup, com menos de cinco dias de treinamentos, foi de tal irresponsabilidade que coube comemorar, pois sim, não ter havido lesões. Além disso, antecipou as discussões sobre os métodos de Jardine. No lugar de apresentar o futebol de posse de bola e iniciativa prometido, o tricolor jogou retrancado contra Frankfurt e Ajax. Aí cabia um grande desconto, pois eram equipes em meio de temporada. O mesmo não pôde ser dito quando o Santos deu todas as ordens no Pacaembu. Nos jogos em que pôde comandar as ações, o time não mostrou nada além de um jogo estático e espaçado. O agradável futebol do sub-20 de Jardine continua no próprio sub-20.

A insegurança do técnico se reflete nas escalações. No gol, as saídas lentas de Thiago Volpi (como a do segundo gol santista) já ligaram o “sidômetro” – radar da torcida contra arqueiros discutíveis. A dupla de volantes segue criticada. Já é de causar estranheza que um técnico tido como moderno ainda use dupla de volantes. Jardine foi além e usou, mais de uma vez, uma dupla de centroavantes – clássica situação em que um acaba marcando o outro e chove bolas na área, como contra o Guarani. Nos espaços do futebol de base, talvez fosse possível trocar passes e controlar o jogo com dois volantes e dois centroavantes. No mundo adulto, não acontece há anos. E ainda tem a tradicional crise no lado direito. Bruno Peres tem sido mais um fracasso na lateral e, na frente, o franzino Helinho disputa posição com o veterano Nenê. Antony, de volta da Copinha, corre – mais que ambos – por fora.

Como a citação de problema por problema entediaria o leitor, vou parar no parágrafo acima e mencionar os pontos positivos. Difícil é encontrá-los sem ressalvas. O centroavante Pablo (que chamo de “Pablum” no FOMQ, como homenagem ao dublador do “Qual é a Música?”) mostrou qualidades e inteligência, mas tende a sofrer num time sem velocidade – diferente do que era o CAP. Liziero é pedido por quase todos, por ser um jogador de meio-campo capaz de criar. Porém, segue com dificuldades físicas para partidas seguidas e nem jogará na estreia, lesionado por adversário do Guarani. Por fim, há Hernanes com seu talento e a expectativa de que provoque um upgrade no resto do elenco. Contudo, como já mencionei antes, uma coisa é levantar um time do Z4. Outra é levá-lo ao topo. Sem apoio qualificado, nem Tom Brady levaria sua equipe a um Superbowl – quanto mais seis.

Este cenário, agravado pela possibilidade anunciada de três volantes, não significa derrota certa. De outro lado há uma equipe que, mesmo em forma, passará pelo nervosismo por conta da competição, bem como por encarar um clube com três conquistas continentais. Técnico e jogadores do Talleres podem até desconfiar de algo podre no Reino Soberano, mas não deixarão de ficar tensos. É esta a real esperança são-paulina. A camisa não entorta mais o varal na fase decisiva, mas ainda estamos na primeira partida. O duro será se os adversários virem a camisa por trás, já que a falta das listras a faz parecer com qualquer uma…

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