Reação na Baixada. E aí, mestres?

Créditos da imagem: Tribuna do Paraná

Disputa na frente à parte, comentaristas do Campeonato Brasileiro se impressionaram com a reação do Atlético Paranaense. Não é o caso deste colunista, que meses atrás falou não do bode, mas do mamute na sala atleticana. Sim, Fernando Diniz. Aquele que, como a roupa nova do rei, deveria ser visto como um portento por todos os inteligentes – quando, na verdade, o monarca estava peladão. Coube a mim ser o menino denunciando a nudez. Tal como aconteceria se a fábula fosse real, levei pito dos adultos deslumbrados. Nos comentários, houve até aulas sobre as maravilhas do técnico que, muitas derrotas mais tarde, seria mandado embora. Pois bem… Hora de o fedelho “professorar”.

Todos estamos sujeitos a avaliações erradas e já dei bolas fora marcantes. Porém, nunca sem fundamentar. Sendo que, no caso de Fernando Diniz, nem acho que foi um desmascaramento engenhoso. Muito pelo contrário. As evidências podiam ser percebidas a olho… nu. Não falei nada de mais no texto. Era questão de sentar, esquecer a fantasia e constatar como o suposto futebol moderno era apenas circense, com jogadores amestrados por um treinador que prometeu um livro até interessante, porém com poucas páginas escritas – algumas pessimamente. Vamos lembrar:

  • a festejada saída de bola usava jogadores abertos na bandeira de escanteio. Isso fazia com que, uma vez interceptado o passe, os atacantes adversários recebessem a bola sem impedimento. Foram diversas situações com esta falha, sem que jornalistas remunerados tenha se dado ao trabalho de se perguntar se havia algo errado. Nenhum dos times notórios por este estilo de saída usa tal posicionamento. Diniz, contudo, insiste nele por anos, invariavelmente com o mesmo efeito maléfico.

  • a troca de passes no meio-campo, outra fonte de odes nos comentários, lembra como é jogar contra o computador no videogame antigo. Depois de algum tempo, você sabe exatamente onde a bola vai e a retoma. É por isso que, a partir dos vinte minutos de jogo, o CAP mal passava da intermediária. Tal como a saída de bola, percebe-se haver um treinamento. Contudo, é um treinamento incompleto, que acaba fazendo os jogadores parecerem um bando de robôs, porém com inteligência artificial dos primórdios da automação.

  • um dos princípios básicos das equipes de posse de bola e ofensividade é a “regra dos seis segundos”, que o Grêmio faz tão bem. Consiste em pressionar rapidamente para recuperar a bola antes deste espaço de tempo, impedindo o adversário de se organizar ou contragolpear. No CAP de Diniz, isso não acontecia. Pior: além de não tentar retomar a bola, o time tampouco montava linhas defensivas compactas, abrindo avenidas à outra equipe.

  • muito se fala que a maior dificuldade para implantar a modernidade tática é a falta de tempo, mas Diniz teve MESES praticamente exclusivos de treinos. Só conseguiu vitórias no começo, seguidas de uma série de derrotas que só acabou com a demissão. Isso ocorreu porque os técnicos adversários trocaram informações sobre o que a imprensa insistiu em não ver. Nas entrevistas, elogiavam a ousadia e as propostas do treinador. No vestiário, orientavam os atletas a aproveitar todos os furos do esquema. Não precisa ser nenhum Simeone pra isso. Até o São Paulo, que não venceu na Arena com os melhores elencos de sua História, quebrou o tabu – justamente numa falha na saída de bola.

  • “ah, mas e o empate com o Grêmio?”. No jogo que teria sido um deleite tático, o time gaúcho criou diversas oportunidades em cima dos erros atleticanos. Perdeu diversos gols e cansou no segundo tempo. Lembrando que os atleticanos, que haviam atuado pouco, estavam em melhores condições físicas. Na medida em que veio o desgaste nos jogos seguintes, todos viram o que aconteceu.

Imagino que os leitores desavisados, aqueles que não prestam atenção em quase nada do que leem, estejam pensando que sou um daqueles que odeiam futebol de posse de bola. Aí que se enganam. Sou fã do futebol jogado por equipes como City, Barcelona e mesmo rivais com menos trocas de passes, porém com iniciativa do jogo, como Real Madrid e Liverpool. É exatamente por tal motivo que, em nome de um bom debate esportivo, tenho que diferenciar o joio do trigo. Seria ótimo se Fernando Diniz realmente representasse inovações sólidas e promissoras. Mas, se o custo de tal conclusão for desviar os olhos do campo ou procurar desculpas esfarrapadas, não contem comigo. E prestem atenção nos argumentos antes de saírem detonando o que vai contra a maré. Combinado?

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