Homenagem ao “homem forte” da assessoria de imprensa tricolor

Créditos da imagem: Reprodução Gelker Ribeiro Arquitetura

Pacheco, folclórico personagem da Gillette

O maestro dos aduladores

“A nível de” Brasil, pachequismo é o ufanismo cego. Veio do Pacheco, personagem da Gillette pra Copa de 1982. Já nos feudos são-paulinos (Morumbi, Barra Funda e Cotia), o significado e a origem são outros. Pachequista é o chapa-branca. Aquele que não pergunta. Levanta a bola pro entrevistado fazer um buraco na quadra. Quando não brinca de Bruno Rezende, é a vez de satisfazer o Sr Explicadinho da Praça. Tome “saiba como” ou “entenda por que”, inventando os mínimos detalhes pro torcedor se empolgar com outro encosto. São as crias de Juca Pacheco, super-hiper-ultra-mega-power-visor de imprensa no São Paulo. Se um certo blogueiro é a mãe de torcedores hienas, Pacheco é a vovó.

Já escrevi sobre o “me ajuda a te ajudar” na relação entre SPFC e imprensa. Tem jornalista que ajuda e depois vira assessor do clube. Não é só. Tem outros caminhos na linha da amizade. Juca também pode bater um papo com o empregador e destacar as qualidades do repórter parceiro. Logo ele pinta como colunista, comentarista, etc… Por isso a crise nunca chega à sala de imprensa. Se o time entrou numa fria, ela vira Holiday on Ice. Se o clima esquentou, bem vindos às noites e tardes caribenhas. De vez em quando, se a coisa estiver muito feia mesmo, alguém faz uma coluna ou pergunta levemente salgada. Pacheco até deixa, sem mágoas. Contanto que não apontem o dedo e deixem uma esperança embutida pro torcedor. É o que Juca considera “crítica construtiva”. Está mais para autodestrutiva.

Além de reger as melodias enaltecedoras, Pacheco não hesita em ser o porta-voz. Como no fim de 2015, no famoso episódio do soco na cara de Carlos Miguel Aidar. “O assessor de imprensa do São Paulo, o competente Juca Pacheco, nos passou a versão oficial do São Paulo: ‘de fato houve um desentendimento, mas falar de agressão física seria exagero. Como era um local público, muita gente viu e ganhou essa versão de briga e agressão física’. Segundo a assessoria de imprensa do São Paulo, não houve agressão física” – disse André Rizek, confiando na palavra do “competente”. Lembrou um personagem de Jô Soares: “só não entende quem não quer, é má fé!”. Pena que não colou e puxaram o tapete do olho roxo. Mas Leco viu que tal esforço poderia ser usado em seu favor. “Four more years” pra voz oficial.

2020 não será moleza pra Juca e seus pachecos. É ruim de fazer “entender como” Trellez, depois de zero gols no Internacional, merece outra chance. Quem encampou isso foi o mesmo que que fez a lorota do “Super-Helinho”. Sim, o atacante teria ganhado quatro quilos de massa muscular nas férias. Pronto pra começar 2020 arrebentando. Faltou combinar com a Kriptonita. Roubada maior é promover Fernando Pedro Paulo Diniz. Devem estar torcendo pra que caia fora logo. Desde que não tragam outro professor requentado. Até adestrador de trouxas precisa de novidades. Não tem otário que compra a Praça da Sé e, no ano seguinte, topa comprar de novo. Pensando bem, no caso do são-paulino até tem. Mas precisam dar uma maquiadinha básica, pra que pensem que é a da República.

Drama mesmo será o fim do ano. Tem eleição. Juca Pacheco terá que estudar bem o cenário. Se der o sangue pra eleger o candidato da situação e ele não levar, pode ser que o ganhador decida encerrar seus dias de glória. Então não se surpreendam caso, depois de outro ano da marmota, a imprensa não exalte os feitos (??????) da gestão Leco. Juca não pode arriscar seu emprego. A esta altura, não sabe fazer outra coisa. Se tiver que ser jornalista, pior ainda…

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