Interesses inconciliáveis – o São Paulo e seus exploradores

Créditos da imagem: Reprodução Gazeta Esportiva

Sobre os protestos tricolores e os omissos por conveniência

Os leitores do No Ângulo me conhecem desde a metade de 2017, nesta coluna de futebol brasileiro e internacional. Porém, falo do SPFC na rede há 17 anos. Fui usuário e depois moderador do fórum do São Paulo Mania (forçado a se tornar Site Proibido). Depois, cansado das brigas de sites, levei aquele fórum a se emancipar, formando o Fórum O Mais Querido (FOMQ). Conheci donos de sites, blogueiros e até jornalistas esportivos (um deles, ex-moderador do FOMQ). Por que lembro isso? Porque esta introdução é para falar que, nada raro, o interesse que conta para tais pessoas não é o do clube, mas o de si mesmas. Quando colidem, não pensam duas vezes antes de cuidarem das próprias peles.

O caso da hashtag contra Leco é alegórico. Não tardou a chamar a atenção que, entre as adesões que inundaram o Twitter, NÃO estava a da Torcida Tricolor Independente. A organizada se manifestou apenas após o empate com o Ceará, mas sem mencionar a diretoria. Concentrou-se no time “sem compromisso”. Nada em relação a quem colocou o jabuti na árvore. Não é situação isolada. Nem a TTI é a única. Apenas seu silêncio é o mais ruidoso. É a indignação de conveniência. Tem que ver a ajuda financeira do carnaval. Ou o evento privado de um site que requer relações públicas com o clube. E tem o bolso ou a sensação de poder de quem se relaciona com todos eles. Fora o medo de quem construiu laços com certos entes e agora teme represálias se os criticar. Nessas horas, com ou sem razões de segurança, o “amor ao São Paulo” vai parar no banco de reservas.

Na imprensa, o cenário tem suas vertentes. Jornalistas até começam prometendo não se envolver, mas logo boa parte já se entrega ao “me ajuda a te ajudar”. Um “saiba como” aqui, outro “cinco razões aqui”… O torcedor se anima e o clube agradece falando bem do repórter aos empregadores. Isso quando não se torna seu empregador, na assessoria. Se chamados de chapas-brancas, fazem-se de ofendidos. Lembram as matérias críticas que fizeram. Só não se lembram de especificar as datas de tais matérias. Nenhuma perto de eleições. Nenhuma que não seja seguida, mais adiante, de um “reconhecimento” dos esforços. Mesmo que o fracasso destes esforços seja perceptível de cara. “Eu sou jornalista, não oposicionista” – dizem. Primeiro, vale lembrar a frase de Millôr sobre jornalismo ser oposição. Segundo, a questão criticada é só serem jornalistas/oposicionistas com dia e hora marcados.

Mas os destinatários da informação não devem se sentir vítimas. Pelo menos não a totalidade. Não haveria indústria de boas notícias sem público dependente destas. Tem sujeito ganhando a vida – bem e sem sair de casa – inventando especulações que nunca se concretizam. Ou quase nunca, já que até relógio quebrado acerta duas por dia. No lugar de se tocarem sobre isso, os viciados correm atrás das novas maravilhas a caminho. Ou então de saber como vão resolver definitivamente, pela décima vez no ano (semântica não é com eles), os problemas dos últimos dez anos. Aí as organizadas fazem um protesto fora de época (desde que não tenham marcado um Carnaval fora de época) e ganham torcida no sambódromo. O são-paulino, devo reiterar, tem culpa concorrente por seu infortúnio. Ninguém mandou acreditar na conversa de soberano, Jason e “o campeão voltou”. Ninguém manda continuar acreditando.

O tempo passa. Com ele, vai se estreitando o lapso para o tricolor reaprender o que é torcer por clube grande. Neste reaprendizado, a lição número 1 é lembrar o preço da grandeza: cobrança. Se o SPFC não queria ser cobrado de nada, que passasse quase 90 anos sem ganhar nada. Que virasse o “clube simpatia”. Aí sim, seus emissários de alegrias estariam dispensados de pensar naquela coisa chamada “vitória”. Vencer também é um caminho sem volta. Ou se continua querendo ganhar, ou se fica com o pneu furado no meio da estrada. Resta escolher se troca o pneu e segue em frente, ou se faz um piquenique ao lado do carro. Isso inclui, fundamentalmente, reconhecer quem chega com o estepe e quem aparece com uma cesta.

4 comentários em: “Interesses inconciliáveis – o São Paulo e seus exploradores

  1. Shora Cashorra!

    Leco fica e o clube vai continuar se reestruturando depois do furacão Aidar, o clube volta pra Libertadores pelo segundo ano seguido depois de flertar com o rebaixamento. O clube agora olha pra cima no Brasileirão. Mas claro que os grandes avanços da Gestão Leco nunca serão aceitos por aqueles que estavam comprometidos com tudo de ruim que estava no SPFC na gestão anterior. FORA DO SÃO PAULO SANGUESSUGAS. LECO FICA E 2020 É NOSSO!

    1. Se a ideia foi ser irônico, foi mal feita. Se você acredita mesmo nisso, não adianta perder tempo replicando. Você merece o time que tem.

      1. A verdade é visível a olho nu. Infelizmente o que desejamos não se conquista de um ano para o outro. O clube que vivia as voltas com o rebaixamento hoje está buscando as melhores posições e se reforçando com grandes jogadores, mais receitas. Infelizmente existem pessoas que preferem o São Paulo de antes. Essas pessoas sim merecem um São Paulo que se apequenava a cada ano, que virou chacota de rivais.

        Parabéns sim ao Presidente Leco que pouco a pouco coloca os clubes nos eixos e os resultados já aparecem, mesmo que ainda não tenha os títulos que tantos queremos.

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