Livre Arbítrio FC. Ou ele é campeão, ou somos todos derrotados

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Ontem os colunistas do site tiveram um debate virtual (não confundir com Fox Sports) sobre Fortaleza x Flamengo. Não a respeito do jogo, mas dos cearenses que torcem por dois times: um do Estado e outro de fora – normalmente do RJ ou SP. Uma realidade que já supera meio século, por diversos fatores. Eis que surgem movimentos para combater esta opção mista. Movimentos que deram as caras contra o clube de maior torcida no Nordeste – que, como todos sabem, não é do Nordeste. A lanchonete do Castelão suspendeu a pizza mista. A torcida fez mosaico com o Cristo rubro-negro dando lugar ao torcedor com chapéu de cangaço. Minha pergunta de sempre é: por que é tão difícil respeitar a vontade alheia?

O assunto não é propriamente inédito. Uma das minhas primeiras colunas neste endereço abordou patrulhamentos contra a garotada que, já naquela época, era torcedora de clubes europeus. Os furiosos ataques à “Geração Playstation” envolveram até culpar os pais destas crianças. Como se tais genitores devessem cortar mesadas ou obrigá-las a assistir reprises de Bambalalão no Youtube, caso os rebentos não se emendassem. Nem preciso dizer que o esforço foi um fracasso. Até adulto anda trocando jogo do seu time por uma partida da Premier League ou um superclássico Real Madrid x Barcelona. Qualquer pessoa é livre para escolher qualquer time do mundo. Se houver vida fora da Terra, qualquer time do Universo. Quer torcer para o Bayer de Saturno? Ou para o Atlético Plutônico? Fique à vontade. É seu direito e nenhum terráqueo recalcado pode tirá-lo.

A peculiaridade dos torcedores regionais é que eles não deixam de torcer para o clube local. Ocorre que, quando o clube local passa a maior parte dos anos fora da primeira divisão, inevitavelmente acabam se envolvendo com os que a disputam. Assim como, se alguém gosta de basquete, logo vai ter um time na NBA. Quem gosta de tênis não tem como não virar Federista, Nadalista, Djokovista, etc… Mesmo que um deles enfrente um brasileiro número 100 do mundo. Claro que tenderá a mostrar simpatia e até apoiar o brasileiro para que não leve uma surra, mas no fim vai querer seu favorito na próxima fase. A não ser que apareça um Guga, que brilhantemente se tornou “um dos caras”. Disputando regularmente os torneios e conquistando títulos importantes, ganhou a torcida que ia para Sampras, Agassi e Kafelnikov (na verdade, esse garoto enxaqueca nunca teve torcida…).

Este é o âmago: se clubes nordestinos se tornarem “um dos caras”, jogando repetidamente a primeira divisão, a reação natural será que a “mistura” passe a tender à localidade. Daí o maior dos equívocos de quem encampa esta campanha em Fortaleza. O clube tricolor acabou de retornar à elite, depois de anos distante. Está cada vez mais à beira do Z4. No lugar de focar em sua permanência, coloca a carroça na frente dos bois – ou dos bezerros, tal a precocidade. Sendo que, a rigor, o torcedor misto tem lotado o Castelão e apoiado o time neste momento complicado. Mesmo contra o Flamengo, dominou a preferência das arquibancadas. Então por que vir com essa agora? Tanto o clube (pizzas) quanto a torcida (boneco) gastam preocupação com aquilo que só trabalho e tempo podem promover. Ainda assim, com incentivos no lugar de imposições.

Como efeito colateral do caso, já vimos longos textos ideológicos promovendo o “nós contra eles”. No caso, os nordestinos contra a “elite preconceituosa”. Ou seja: as pessoas de outros Estados. Ou as do próprio Nordeste, quando não acham obrigatório usar chapéu de cangaceiro ou idolatrar bandidos para ser chamado de nordestino. Quem sofre com isso é sempre o livre arbítrio. Brasileiros têm dificuldade de lidar com ele. Inclusive parte dos que se proclamam democráticos. Sempre aparece um eufemismo ou uma causa (supostamente) nobre para florear a intolerância. De boas intenções as patrulhas estão cheias.

2 comentários em: “Livre Arbítrio FC. Ou ele é campeão, ou somos todos derrotados

  1. Na realidade, meu camarada, você tocou numa tecla interessante, mas, não coloque assim em letras garrafais que é o Nordeste que torce por dois clubes (um da casa e outro do sudeste), aqui em pernambuco não tem isso, Temos as torcidas de 3 clubes em Recife, e alguns que torcem por outros clubes de fora, aqui é diferente. Quando o Flamengo/Corinthians/Palmeiras, e outros vem jogar aqui, essas torcidas vem de outros Estados que são; Paraíba, Rio G. do Norte, Ceará, Alagoas, Sergipe, aqui não tem isso.

  2. e nao eh soh no norte e nordeste que isso acontece. em santa catarina e parana tb tem muito torcedor que torce pra um time local e outro de fora

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