Pitacos sobre as prováveis (ou possíveis) escalações dos 4 grandes de São Paulo

Créditos da imagem: Montagem/No Ângulo

CORINTHIANS:

Cassio; Fágner, Pedro Henrique, Gil e Sidcley; Camacho, Cantillo e Luan; Ramiro, Boselli e Pedrinho

Pontos positivos:

  • saídas de Ralf e Jadson (o primeiro, típico “cão de guarda”, é representante de um futebol ultrapassado e o segundo já nem deveria ter atuado em 2019, ante a visível falta de condicionamento físico);

  • contratação de Tiago Nunes, um treinador antenado e adepto do futebol moderno (na prática e não apenas no discurso);

  • a presença do trio de “pilares” Cassio, Fágner e Gil deve garantir estabilidade à defesa alvinegra.

Pontos negativos:

  • ruptura de um sistema de jogo baseado na consistência defensiva (embora não apenas nisso) e que deu resultados nos últimos anos. Pensar em Corinthians “propondo jogo”, especialmente depois da decepcionante última temporada, chega a causar estranheza e pode demandar tempo;

  • Luan, o principal reforço corintiano, é uma incógnita e terá de justificar no campo os motivos de o Grêmio -onde, em pouco tempo, foi de ídolo a reserva- ter concordado tão passivamente com a sua saída (tempo de contrato à parte). Na Flórida Cup, foi bem. Tem qualidade para se destacar. A conferir;

  • embora seja positiva a ideia de jogadores dinâmicos e mais adequados à demanda do futebol atual formarem o novo meio de campo corintiano, vejo com alguma reserva os nomes de Camacho e Cantillo entre os titulares. O primeiro nunca brilhou em time grande, ao passo que o segundo foi destaque no futebol colombiano (apenas como referência, terra dos recentes “bondes” para clubes brasileiros Borja, Copete e Berrío). Sem falar no opaco Ramiro mais avançado pela direita;

  • falta de um camisa 9. Nem Boselli, nem Love e nem Gustagol tem dado conta do recado e só fazem encarecer a folha salarial (além de transmitirem a falsa ideia de um elenco qualificado).

PALMEIRAS:

Weverton; Marcos Rocha, Felipe Melo, Gustavo Gómez e Diogo Barbosa; Patrick de Paula, Bruno Henrique e Lucas Lima; Raphael Veiga, Dudu e Luiz Adriano

Pontos positivos:

  • as saídas de Borja, Edu Dracena, Thiago Santos e Fernando Prass (este, embora ídolo, dispensável em um elenco com os ótimos -e mais jovens- Weverton e Jailson). Quanto aos três primeiros, penso que em nada acrescentavam futebolisticamente à equipe;

  • a ideia declarada de utilizar a base é boa (desde que haja bons nomes para tanto e aparentemente há) e pode ajudar a criar uma identidade para esse Palmeiras, que, em 2019, apesar de todo “oba-oba” com o seu elenco, parecia não sofrer com as derrotas;

  • a demissão de Alexandre Mattos, o diretor de futebol mais superestimado em muito tempo aqui no Brasil.

Pontos negativos:

  • a inacreditável contratação de Luxemburgo, quem, segundo ele próprio, “já fazia e continua fazendo tudo o que Guardiola, Klopp e outros fazem atualmente, só que com outro nome”. Ora, o sujeito simplesmente se recusa a olhar para o futebol criticamente e, de maneira que julgo compreensível, virou piada pelos seus discursos de vestiário com palavras de baixo calão;

  • o time não é bom como os gastos para sua manutenção sugerem, o que gera pressão desproporcional à capacidade de resposta técnica dos jogadores;

  • o sucesso do Flamengo (o maior rival palmeirense enquanto administração de clube na atualidade) reflete negativamente sobre o Palmeiras, que, ao abrir mão de contratações para 2020, optou por mudar radicalmente sua filosofia aparentemente sem ele próprio entender o porquê (há quem acredite em contratações certeiras e pontuais, mas, até agora, nada). Resumo da ópera: time titular com poucos destaques (Weverton, Bruno Henrique e Dudu) e pouca perspectiva de mudança de cenário em relação a 2019.

SANTOS:

Everson; Madson, Lucas Veríssimo, Luan Peres e Felipe Jonatan; Alison, Pituca e Sánchez; Marinho, Sasha e Soteldo

Pontos positivos:

  • do meio para a frente o Santos não perdeu ninguém e vê todos os jogadores em excelente fase, com destaque para a dupla de estrangeiros Soteldo e Sánchez.

Pontos negativos:

  • a perda de Sampaoli e a incerteza sobre Jesualdo Ferreira. Na hora da “colheita”, o treinador argentino optou por sair e o veterano português, que considero uma boa aposta, terá de fazer um time já “azeitadinho” pelo seu antecessor continuar atuando bem;

  • as saídas de Vanderlei, Victor Ferraz, Gustavo Henrique e Jorge fazem do setor defensivo o maior problema do Santos nesse início de 2020, o que pode ser minimizado pela manutenção do ótimo Lucas Veríssimo e pela aquisição do promissor Madson para a lateral-direita. Outro ponto é que Felipe Jonatan e Luan Peres foram frequentemente utilizados por Sampaoli no ano passado e corresponderam à altura. E ainda há Luiz Felipe e a promessa da seleção equatoriana, Jackson Porozo;

  • os jogadores mais caros do plantel (Bryan Ruiz, Cueva e Uribe) não são utilizados e podem criar instabilidade e clima de insatisfação;

  • austeridade financeira? Não na Vila Belmiro. Atrasos salariais, um problema em 2019, podem e devem atrapalhar novamente o clube na temporada 2020.

SÃO PAULO:

Volpi; Juanfran, Arboleda, Bruno Alves e Reinaldo; Tchê Tchê, Dani Alves e Hernanes; Helinho, Pablo e Vitor Bueno

Pontos positivos:

  • as permanências de Volpi e Vitor Bueno, jogadores importantes do atual plantel.

Pontos negativos:

  • a permanência de Fernando Diniz (um sonhador no mau sentido, de quem aparenta viver no “mundo da lua” e não dá indícios de que algum dia fará um time de futebol competitivo e vencedor);

  • time leve no discurso e lento na prática, que não consegue impor o “estilo Audax” perseguido por seu treinador;

  • mesmo perdidinho no meio de campo, Daniel Alves deve repetir a velha empáfia de quem sempre sabe o que deve ser feito, com direito a publicações impactantes no instagram, no melhor estilo do brasileiro que não foge à luta. E aguentem o camisa 10 são-paulino quando ele fizer -e vai fazer- gols e assistências contra os “poderosos” adversários do interior paulista;

  • as permanências de Hernanes e Pato no elenco. O primeiro, apesar de sério e comprometido, é o “Jadson do São Paulo”. Explico: teve uma grande carreira, mas simplesmente não consegue mais desempenhar um bom papel, pois seu corpo assim não permite. Já Pato, bom, ele é o Pato. Você ainda cai nessa? Eu, não!

E segue o jogo.

Um comentário em: “Pitacos sobre as prováveis (ou possíveis) escalações dos 4 grandes de São Paulo

  1. O Santos não foi bem contra o Red Bull Bragantino, mesmo considerando que esse time pequeno é bem mais forte do que aqueles “catadões” do campeonato. Sampaoli deverá fazer falta em 2020.

    Os outros grandes ganharam bem com boas atuações de tipos como HELINHO, LUCAS LIMA e RAMIRO!!! (para se ter uma ideia do BAIXÍSSIMO NÍVEL do torneio).

    E há que ainda defenda o estadual.

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