Prazer, Cesar Grafietti

Créditos da imagem: ESPN Brasil

“Finanças e Gestão” serão o foco das colunas de Cesar Grafietti

Fiquei muito contente ao ser chamado pelo Fernando Prado para fazer parte do elenco do No Ângulo, leitura obrigatória para quem gosta de debater Futebol além das obviedades. Espero não decepcionar.

Minha ideia aqui é tratar dos temas Finanças e Gestão. São assuntos que andam de mãos dadas, onde um leva ao outro, mas não se encerram.

Em qualquer indústria, quando se fala em Gestão o que vem à mente é uma soma entre processo produtivo, inovação, finanças, pessoas, ou seja, a soma de todos os fatores que levam uma empresa a seu destino, seja o sucesso ou à bancarrota. No Futebol, a palavra “Gestão” remete quase que exclusivamente ao pessoal de terno que fica nas sedes tratando de finanças e burocracia. Parece até moderno pensar numa turma cuidando dos números de um clube. Ledo engano.

Gestão é a soma do que se faz fora de campo com o que se consegue dentro de campo. É Administrativo + Esportivo. E a partir daí começam nossos problemas e surge nossa esperança.

Seria simples profissionalizar um clube contratando um bom CFO, também conhecido como Diretor Financeiro por aqueles que não transitam na ponte-aérea entre Faria Lima e Nova York. Resolvido o problema! Alguém que cuida das contas para que os cartolas de sempre cuidem do time. Afinal, tantos anos transitando entre vestiários, treinos e viagens lhe garantem a certeza de que entendem tudo de Futebol. Mais um engano, e que custa caro.

As contas são parte da equação. Para fazer sentido elas precisam ser analisadas de maneira combinada entre Administrativo e Esportivo, que precisam ser pensados considerando a Cultura Esportiva do clube, analisada a partir da formação de base e da estrutura de elenco, passando até pelo modelo de estádio e grama que se utiliza! É fundamental ter uma visão holística da estrutura do Futebol para que se possa planejar.

Viram como não basta um CFO? Na prática, a estrutura do Futebol demanda uma função importante mas usualmente ignorada pelos Dirigentes, que é a do COO – Chief Operating Officer – que na realidade corporativa é a pessoa que executará a estratégia prevista pelo principal gestor, do ponto-de-vista operacional. Pode também ser o gestor responsável por todas as estratégias operacionais. Ouvi alguém falar “Diretor de Futebol”? É por aí, mas com uma formação diferente do que vemos hoje. Mas este é um tema para ser explorado com cuidado numa próxima vez.

Voltamos ao início. Gestão é mais complexo do que parece, pois envolve pessoas, qualificação, mudança de postura dos donos, transparência nas ações. Mas é fundamental que se pense nela, pois é o principal pilar de sustentação de qualquer processo de profissionalização no Futebol. Independente da forma de organização societária de um clube de futebol – pode ser uma associação, uma S/A de capital aberto, de capital fechado, empresa de dono – o que se espera é que haja uma visão e uma cultura profissional.

Ao longo dessa jornada que se inicia agora, vou tentar tratar deste tema, colocando os aspectos relacionados à profissionalização, desafios e possibilidades. Vamos para o jogo!

Até a próxima!

8 comentários em: “Prazer, Cesar Grafietti

  1. “No Futebol, a palavra ‘Gestão’ remete quase que exclusivamente ao pessoal de terno que fica nas sedes tratando de finanças e burocracia. Parece até moderno pensar numa turma cuidando dos números de um clube. Ledo engano.

    Gestão é a soma do que se faz fora de campo com o que se consegue dentro de campo. É Administrativo + Esportivo. E a partir daí começam nossos problemas e surge nossa esperança.”

    Fantástico! Obrigatório para todos que se interessam minimamente pelo assunto! Seja muito bem-vindo, Cesar Grafietti!

  2. Entao nao faz sentido fazer a separacao entre gestao financeira e gestao esportiva de um clube? So o somatoria delas?

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