Reversos, inversos e diversos da fortuna – ou a tal “vida de técnico”

Créditos da imagem: Montagem / No Ângulo

“Vamos ver o que o professor vai falar no intervalo”. Foi o que falou Jadson, jogador do Fluminense, após o time tomar 3 a 0 no primeiro tempo – com o placar inaugurado por erro seu. Pois é. Depois que ele e seus companheiros afundaram o time (foram mais duas falhas grotescas), esperam palavras mágicas. Talvez o discurso de Bill Pullman no final de Independence Day. Não teve Pullman, Panco ou Seven Boys. O máximo que um técnico deve fazer, nessas horas, é mandar todos àquele lugar e lamentar por suas mães.

No sábado, a imprensa destacou as declarações de jogadores do Fortaleza. Segundo eles, Rogério Ceni disse que não podiam desperdiçar todo o trabalho da semana. O que um desavisado só ficou sabendo depois é que o trabalho influiu na derrota parcial – 2 a 0 pro mandante Guarani. Rogério treinou o líder da série B pra jogar com 3 zagueiros. A tentativa – pra variar – deu ruim. O time voltou do intervalo com 2 zagueiros. Também entrou o jogador que vem decidindo jogos e, sabe-se lá por que, estava no banco. No final, em vez de estatísticas maneiras, exibiu o placar de 3 a 2. Vejam a diferença. Marcelo Oliveira teve o tapete puxado. Rogério puxou o tapete. Rogério tinha muito a corrigir – e corrigiu. Marcelo Oliveira tinha fígados a devorar. E ainda aparece matéria dizendo que “o treinador do Fluminense não conseguiu reverter a apatia da equipe”. Ah, vá…

No mesmo dia das agruras tricolores, Jorginho foi demitido do Vasco da Gama. Como tinha sido Zé Ricardo. E como vai ser o próximo, se tiver sorte. Isso mesmo, amigo internauta que não ajuda nas transmissões. Melhor levar logo um pontapé no traseiro que conseguir vitórias com esse trambolho. Perdendo logo, ninguém vai lembrar que esteve por lá. Assim como vão esquecer outro fracasso de Jorginho – o “capacitado” auxiliar de Dunga. Do contrário, se tiver sucesso, mais cedo ou mais tarde o milagre pede as contas. Antes bem sucedido e prestigiado, o santo passa a ser “um dos culpados” pela queda de rendimento. Tivesse ficado na dele, apanhando desde o início, diriam que “não dá pra culpar um treinador com esse elenco”. Agora Zé Ricardo tem a oportunidade de mostrar que aprendeu a lição. Basta não conseguir nada no Botafogo. Dirão que ele, não o clube, escolheu mal.

Mais feliz está sendo a vida de Diego Aguirre, surpreendendo o colunista. Qualquer coisa envolvendo o SPFC executando um plano já é surpresa. Imaginava que o “SPFCeleste” logo viraria roxo, de tanta cacetada na tabela. Em vez disso, o gerente Raí e o super-hiper-ultra-mega-power-intendente Lugano perguntaram “que quieres de tu vida?” ao treinador. Ele respondeu e, pasmem, teve o que pediu. No domingo, saiu da Ilha do Retiro com um 3 a 1 respeitável. O que não lembrarão é que, depois do gol do Sport, o ex-Vasco (pois é, de novo…) Anderson Martins deu um presente ao adversário que Arboleda salvou. Não fosse isso, a crônica da partida seria outra. “Maldição da queda no segundo tempo volta, e Aguirre cede empate”. Seria crueldade até pro colunista – que é são-paulino, mas adora ver o primo Belmiro com cara de tacho.

Rogério e Aguirre, ao lado do colorado Hellman, são os personagens mais felizes deste capítulo. Em uma semana, podem estar nos papeis dos frustrados. Às vezes por culpa própria. Às vezes sem culpa. Às vezes por criarem expectativas generosas demais. Não adianta explicar isso a Jadson e seus companheiros. Pra eles, sempre vai ser preciso um faxineiro pras suas artes escatológicas com uma bola.

Um comentário em: “Reversos, inversos e diversos da fortuna – ou a tal “vida de técnico”

  1. Kkkkkk, PERFEITA essa parte sobre ser melhor dar errado logo de cara do que ficar muito tempo na bomba!!!! Você faz o milagre e depois fica parecendo que perdeu o comando, que deu sorte de principiante ou coisas do tipo!!!!!!!!!!! Melhor coisa é não ficar tendo a imagem associada muito tempo a times condenados!!!!!!!!!!!!!!!

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