Champagne, caviar e camarote: o elitismo do Flamengo no Rio de Janeiro

Créditos da imagem: André Durão / GloboEsporte.com

O futebol no Brasil chegou, nessa quinta-feira, ao ápice de seu elitismo. Depois de tantas mudanças que expulsaram o torcedor de renda baixa dos estádios, como os preços estratosféricos dos ingressos, o Flamengo, clube de maior torcida no Brasil, voltou a campo em meio à maior pandemia do século para um jogo completamente irrelevante contra o Bangu.

Ninguém sabe ao certo por qual motivo o clube carioca apresentou tanta pressa em voltar ao futebol, mas é fato notável que as quase 50 mil mortes causadas pelo Covid-19 e a enorme vulnerabilidade das classes mais baixas são completamente insignificantes para aqueles que comandam o clube.

Não que isso soe como surpresa a uma instituição que fez pouco caso da morte de garotos de sua categoria de base ou de um de seus funcionários, vítima também do coronavírus. No entanto, o ponto é que o Flamengo, motivo de felicidade de tanta gente, demonstra que a pandemia é problema apenas de quem não consegue se cuidar e de quem não pode trabalhar com segurança.

Em 2013, quando num jogo pela Libertadores, em Oruro, um torcedor corintiano disparou um sinalizador e matou uma criança boliviana, Tite declarou em entrevista que trocaria todos os seus títulos pela jovem vida que havia se perdido. Não há dúvidas que este episódio, cujo controle não estava na mão dos cartolas alvinegros, influenciaram diretamente na campanha do time na competição sul-americana do mesmo ano.

Sete anos depois, a cartolagem do Flamengo, soberba em busca de mais títulos como uma criança que não vê a hora de ir ao parque novamente mesmo embaixo de um temporal, comete o erro de colocar o futebol acima da própria vida. E olhe que lá estávamos falando de uma vida. Aqui, agora, estamos falando de 50 mil, a maioria em clara vulnerabilidade social.

Certamente o champagne, o caviar e o camarote não serão afetados pelos lados da Gávea, ao contrário do arroz com feijão e da arquibancada. O Flamengo, carregado por tanta gente, desfaz de seu próprio povo. É o ápice do elitismo no futebol do Brasil.

2 comentários em: “Champagne, caviar e camarote: o elitismo do Flamengo no Rio de Janeiro

  1. Mais um comunista da Extrema Imprensa.
    Já se passaram mais de 90 Dias de Confinamento.
    O jogo foi sem torcida.
    Essa GloboVirus é que acha ser dona de todos os Campeonatos e agora levou um revés.
    Espero que essa MP vire Lei e não mais nos submetemos aos mandos dessa Emissora Ditatorial.
    Graças aos Flamengo o Futebol Brasileiro e o Carioca, em particular, saíram do Julgo dessa Emissora que por motivos próprios faz uma impacavel perseguição a esse governo, sem corrupção, que não se sujeita aos ditos globais.
    A Ideia é Medida Provisória e oxalá virará Lei.
    Que bela Lição o Urubu Rei deu no Plim Plim.

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