Grêmio precisará de um “Raí versão 2017”, que pode ser Luan. Ou então…

Créditos da imagem: FIFA,
Chuteira FC,
REUTERS/Agustin Marcarian

São Paulo x Barcelona, 1992: Craque de personalidade, Raí confirmou em entrevista recente que o “chapéu” aplicado em Guardiola foi planejado. Ideia era transmitir a mensagem de que “sim, era possível vencer” aos seus companheiros. Deu certo! 

Talvez a primeira preocupação do Grêmio para o confronto contra o Real Madrid, pela final do Mundial Interclubes, seja não repetir o Santos de 2011 (que fez feio em terras japonesas diante de um poderosíssimo rival).

Quem não se lembra do impiedoso 4 x 0 que o Barcelona de Xavi, Iniesta e Messi aplicou no Peixe de Ganso, Neymar e Borges naquela oportunidade (um “gosto amargo” que o próprio Real Madrid e tantos outros gigantes europeus também sentiram naquela temporada, contra aquele que talvez tenha sido o melhor time da história do futebol)?

No entanto, ainda que diante de um adversário bastante superior, a derrota santista não precisava ter sido como foi. Veja, em que pese a infeliz escolha de Muricy Ramalho – o treinador errou feio ao apostar em um 3-5-2 até então jamais testado e escalar Bruno Rodrigo (!) em vez de Elano ou Alan Kardec na finalíssima -, tenho para mim que os próprios jogadores (muitos com passagem pela Seleção Brasileira) poderiam ter demonstrado mais personalidade dentro de campo. Houve muita reverência e pouco futebol por parte do Santos. Talvez pela juventude dos seus “astros-maiores”? Pode ser… Ou talvez a disparidade entre as equipes fosse mesmo tão grande que apenas o Rei Pelé pudesse dar um jeito naquela partida!!!

Santos 0 x 4 Barcelona

Data: 18/12/2011

Santos: Rafael; Edu Dracena, Bruno Rodrigo e Durval; Danilo (Elano), Henrique, Arouca, Paulo Henrique Ganso (Ibson) e Léo; Neymar e Borges (Alan Kardec). Técnico: Muricy Ramalho

Barcelona: Valdés; Daniel Alves, Puyol (Fontas), Piqué (Mascherano) e Abidal; Busquets, Thiago Alcântara (Pedro), Xavi, Iniesta e Fábregas; Messi. Técnico: Guardiola

Gols: Messi, aos 16, Xavi, aos 23, Fábregas, aos 45 minutos do primeiro tempo; Messi, aos 37 minutos do segundo tempo.

Bom, se faltou personalidade para o Santos de Ganso e Neymar, o mesmo não se pode dizer do São Paulo de Raí. Em 1992, o craque são-paulino liderou o Tricolor Paulista na conquista do Mundial contra o… Barcelona, à época de Stoichkov e Laudrup.

São Paulo 2 x 1 Barcelona

Data: 13/12/1992

São Paulo: Zetti; Vitor, Adilson, Ronaldão e Ronaldo Luis; Toninho Cerezo (Dinho), Pintado e Raí; Cafu, Palhinha e Muller. Técnico: Telê Santana

Barcelona: Zubizarreta; Ferrer, Koeman, Guardiola e Euzébio; Bakero (Goicoechéa), Amor, Witschge e Beguiristiain (Nadal); Stoichkov e Laudrup. Técnico: Johann Cruyff

Gols: Stoichkov aos 11min do primeiro tempo e Raí aos 27min do primeiro e aos 34 minutos do segundo tempo.

Às vésperas do confronto, Raí, consciente da representatividade e ascendência que exercia sobre os demais jogadores, bolou um plano: ele, de cara, arriscaria alguma jogada de efeito – que acabou sendo um chapéu – sobre algum jogador do Barcelona para elevar o moral de seus companheiros e assim transmitir a mensagem de que “sim, era possível vencer”.

De maneira que, com um simples drible abusado, o meia exerceu a tal da *liderança transformacional, que é “um estilo de liderança em que o líder colabora com os liderados para identificar a mudança necessária, criando uma visão para orientar a mudança através da inspiração para o bem da organização, causando um efeito excepcional diante de seus liderados e se preocupando com o desenvolvimento mudando a maneira de pensar, buscando sempre a melhoria”.

Veja, esse papo sobre liderança nem é a minha área, mas o chapéu planejado e executado pelo “jogador-referência” do time encheu de confiança os seus companheiros, ao mesmo tempo em que desconcertou os (até então) inatingíveis adversários.

Uma curiosidade: quis o destino que a vítima a ser “chapelada” por Raí fosse Guardiola, o (apenas) correto jogador que se transformaria no maior técnico de futebol do planeta da atualidade. Coisas do “mundo da bola”…

Mais: a história depois se encarregou de mostrar que muitos dos brasileiros em campo eram superiores aos “extraterrestres europeus”.

Sim, o São Paulo era um timaço e Telê Santana um verdadeiro “Mestre”!

Mas o que o Grêmio tem a ver com isso tudo?

Ora, o Tricolor Gaúcho tem Luan, candidato a “Raí versão 2017”, por que não?

Okay, vá lá que a missão do craque gremista seja bastante complicada: vamos combinar que o atual time do Grêmio não é sequer comparável àquele do São Paulo de Raí.

Nesse sentido, ter Renato Gaúcho no banco é fundamental. O cara é “chapa quente” e confiança ele tem para dar e vender.

Grêmio x Real Madrid (escalações utilizadas nas semifinais)

Data: 16/12/2017

Grêmio: Marcelo Grohe; Edílson, Geromel, Kanemann, Bruno Cortez; Jaílson, Michel, Ramiro, Luan, Fernandinho; Lucas Barrios. Técnico: Renato Gaúcho

Real Madrid: Navas; Hakimi, Varane, Nacho e Marcelo; Casemiro, Kovacic, Modric e Isco; Cristiano Ronaldo e Benzema. Técnico: Zidane

Então a dica que eu pretensiosamente daria aos gaúchos é: tenham personalidade, não inventem táticas mirabolantes, e joguem o futebol que vocês sabem. Luan, peça a bola, arrisque, jogue a sua vida e tente ser o craque do jogo. A derrota vocês já têm! Ninguém vai se importar se vocês perderem para essa “Seleção do Mundo” travestida de Real Madrid. Ninguém! Joguem com dignidade e respeitem a tradição do Grêmio, o clube mais copeiro do Brasil!

Surpreendam o mundo! 

Por fim, se não der para ser Raí, que tal repetir Adriano Gabirú?

Internacional 1 x 0 Barcelona

Data: 17/12/2006

Barcelona: Victor Valdés; Gianluca Zambrotta (Juliano Belletti), Carlos Puyol, Rafa Márquez, Giovanni Van Bronckhorst; Thiago Motta (Xavi), Deco, Andrés Iniesta, Ludovic Giuly; Ronaldinho Gaúcho e Eidur Gudjohnsen (Ezquerro). Técnico: Frank Rijkaard

Internacional: Clemer; Ceará, Indio, Fabiano Eller, Rubens Cardoso; Edinho, Wellington Monteiro, Fernandão (Adriano Gabirú), Alex (Fabian Vargas); Alexandre Pato (Luiz Adriano), Iarley. Técnico: Abel Braga

Gol: Adriano Gabirú, aos 37min do segundo tempo

E segue o jogo.

 

* Robbins, Stephen P: Comportamento Organizacional, pag 319, Ed 9, São Paulo: Prentice Hall, 2002

 

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9 comentários em: “Grêmio precisará de um “Raí versão 2017”, que pode ser Luan. Ou então…

  1. Muito legal a abordagem! Já vi o Tite algumas vezes falando sobre a importância que teve uma caneta que o Danilo deu na final contra o Chelsea, em 2012, logo aos 15 minutos de jogo. Cumpriu exatamente a mesma função:



    1. Valeu, Gabriel!

      Ótima lembrança, o Danilo é outro que não à toa ganhou muitos troféus na carreira. Além de ótimo jogador, sempre foi um líder técnico nos clubes em que jogou.

  2. Essa “Liderança Transformacional” deve partir antes do confiante Renato Gaúcho, o treinador! Foi Bonito ele colocar o time em marcação alta e pressionada no campo do adversário, como na final da Libertadores. Como dissestes, o RM é uma seleção mundial, mas uma seleção formada por 11 homens, como do outro lado. Eu acredito!

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