O nome do show

Oscar Roberto Godoy, celebrizado pelas brigas com Telê Santana, jurava haver torcedor que ia ao estádio só pra vê-lo apitar. Não sei se é verdade. Duvido que seja. Mas hoje existe um árbitro que me faz parar na frente da TV. Não necessariamente por sua capacidade. A não ser que estejamos falando de sua capacidade pra complicar os jogos. Até quando acerta, leva os jogadores a confusões mentais. Terminada a partida, não sai enquanto não reunir o sexteto como uma legião romana, seguindo imponente ao vestiário. E o torcedor lá em cima, na vil esperança de que apareça um Obelix pra mandá-lo longe do estádio. Mas nosso centurião sempre volta. Ricardo Marques Ribeiro é o astro tragicômico do apito.

O incidente do Beira Rio foi uma espécie de compilação de seus múltiplos talentos. Com sua figura imponente (junção de Sheldon Cooper e Freddie Mercury), consultou o sexteto como Hercule Poirot resolvendo um mistério. Foram cinco minutos de intensos interrogatórios, esperando o flashback revelador – vulgo replay – que nunca veio. Sem ter como enrolar mais, anulou o gol. Pra sua sorte, parece ter sido a decisão correta. Mas isso foi o de menos. O importante, na performance, é monopolizar as atenções no ápice da disputa. Algo que ele faz como nenhum colega. Tanto os chefes reconhecem seu brilho que nunca vai pra geladeira. Até porque suas presepadas são, como se diz hoje, democráticas. Juiz caseiro ele não é, mesmo. Pode errar – ou “acertar” – contra mandante, visitante ou ambos. É o mais incorruptível dos árbitros, simplesmente porque seria uma loucura comprá-lo.

Não deve haver torcedor que não recorde um jogo imortalizado por ele. Seja por não ver uma finalização santista entrar um metro (como árbitro de fundo). Seja por comemorar após o fim de um São Paulo x Grêmio. Ou simplesmente por ir à beira do campo, colocar a mão no bolso da camisa e sacar um… chiclete. A chance de Ricardo Marques não ser notado num jogo é a mesma de Anderson Martins não entregar uma bola no pé do adversário. As duas coisas vão acontecer. Questão de esperar as apoteoses nada discretas deste mineiro. Aliás, tão querido em seu estado que passou seis anos sem apitar um jogo do Atlético. Depois do reencontro, pelo menos outros dois pedidos de veto. Uma aversão que só pode ser comparada, em termos de Galo, a José Roberto Wright. A turbulência começou em 2009. Justamente o ano em que passou a integrar os quadros da FIFA.

Surpresos? Não deveriam. Se Heber Roberto Lopes ganhou um escudo se fantasiando de Colina roliço, o sonho é de todos. E se sonhar não tem limites, por que não a Copa do Mundo? Com a aposentadoria de Sandro Meira Ricci (e como gostam de três nomes…), a estrada de tijolos dourados está aberta. Em 2022, nosso herói entrará em seu décimo terceiro ano de FIFA. O 13 tem que dar sorte. O público mundial merece ver ao menos um jogo de Ricardo Marques Ribeiro. Ficar relegado a competições só vistas na América do Sul é muito pouco. Imaginem se Shakira tivesse se contentado apenas com os fãs latino-americanos. Só abriria final de Copa América e olhe lá. Sem contar que Ricardão no Qatar seria uma arma secreta pelo hexa. Num inocente França x Marrocos na primeira fase, poderia arrumar uma confusão e expulsar meio time francês. Aí quem segura o menino Ney?

Alguns leitores podem estar revoltados. Como pode um árbitro se destacar mais que as estrelas do espetáculo? Ora, queridinhos… Quem define o estrelato não é o colunista. A este cabe apenas identificar as estrelas. RMR tem todas as credenciais de showman. Que outro homem do apito seria capaz de fazer um desarme de letra como o do vídeo abaixo? Falar de seu talento é uma obrigação de quem cobre o esporte. The show must go on!!!!!

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