Sai Sheldon, entra… – a nova estrela da arbitragem

Créditos da imagem: Reprodução UOL Esporte

Michael Bublé, o “original”, em apresentação

Ano passado, após uma de suas performances inesquecíveis (que esqueci…), apontei Ricardo Marques Ribeiro como o dono do show. Pois ele vem sendo superado. Primeiro, pela encarnação do marombado em físico e pensamento: Anderson Daronco. Quando um árbitro progride por supostamente “intimidar os reclamões” com seus músculos, o jogo merece um aviso prévio de “atenção, senhores pais” – de tempos saudosos pra outros marombados de físico e pensamento. Mas até Daronco perde pra outro que, literalmente de cara, já tem jeito de showbizz. É Rafael Traci. Pela semelhança facial, o Michael Bublé do apito.

Traci não é canadense, não canta nos estádios e nem faz humor auto-satírico entre as jogadas. Como performer, não é o tipo dos jogadores. Estes são mais a fim de pagode, funk e sertanejo. O Bublé made in Brazil prefere um tradicional samba de breque. Pausa o jogo a todo momento. Tarimbado em maus métodos (com muito test drive), Sandro Meira Ricci foi dedo duro. Mostrou que Rafael triplica a marcação de faltas em jogos mais visados. O astro da música ama Sinatra e outros cantores antigos. O da arbitragem ama a juizada antiga com suas “faltinhas pra ganhar o jogo”. Com carinho especial por quem, como Tony Bennett, usa a modernidade. Traci se amarra no VAR. Ou melhor: amarra com o VAR. Vale até pisão na unha. Não quer dizer que vá mudar a marcação. Como não mudou duas vezes a favor do Vasco. O importante, amigo internauta, é o breque.

O desempenho agrada a Leonardo Gaciba, atual chefão dos apitadores. Com sua aprovação, Traci tomou o lugar do próprio Ricardo Marques como árbitro FIFA. Gaciba é o responsável por explicar aos árbitros brasileiros como o VAR funciona. Isso explica muita coisa. Fez o vídeo encarnar a noção que nossa cúpula do Judiciário tem de Justiça brasileira: prolixa, demorada e achando que o mundo precisa aprender com ela. Ninguém entendeu, até hoje, como Gaciba subitamente passou a ser reprovado nos testes físicos. Teve que largar a arbitragem, mas só por um tempo. Com ajuda da TV, arrumou um trampo como superior dos ex-colegas. Isso mesmo. Um sujeito precocemente incapaz de apitar é quem determina os melhores e piores. Difícil ser mais Brasil. Seu emprego é a garantia de que árbitro nacional seguirá dando mais ressaca que uísque nacional.

O árbitro com selo verde-amarelo foi o melhor marcador do produto estrangeiro. O Flamengo de Jorge Jesus só perdeu dois pontos em casa. Foi com Traci apitando a partida com mais faltas no campeonato. Porém, a turma da reserva de mercado que não se engane. Luxemburgo sentiu na pele as desafinadas. Bublé não deu justamente a falta que dispensava replay. Nem correu até o VAR. Quando o fez, foi pra não dar o pênalti errado que compensaria a outra lambança. Deu oito minutos de acréscimo. Caberiam doze, por baixo. Mais minutos de tortura num remake (reboot?) do desafio ao galo (urubu?)? Sim, mas a regra é (era) clara. O Vasco poderia ter jogado mais quatro bolas inúteis na área. O Palmeiras poderia ter errado mais quatro contragolpes mal feitos. E, adivinhem, Traci poderia ter parado o jogo mais quatro vezes. Ou até varar a madrugada.

É de se esperar que Rafael Traci dispute com Daronco a vaga brasileira na Copa. Possivelmente, enfrentando também o “Senhor Banana” Wilton Pereira Sampaio – coberto de glórias na Copa América e na Libertadores. Com músculos, pose de coitado ou cara de showman, a arbitragem brasileira promete ser a mais falada do Qatar. Nem que seja como a primeira a ser descartada antes da estreia. Seria uma pena. Traci perderia a chance de olhar pra plateia do Qatar e puxar um “love, love, love” ao som de “Haven’t Met You Yet”. Com aquele breque, é claro…

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