Mata-mata e Corinthians – a conveniente casa mal-assombrada no Morumbi

Créditos da imagem: Montagem / No Ângulo

3 de junho de 2000. Uma data especial e constrangedora para os são-paulinos. Especial, porque o time eliminou o Corinthians do Paulistão-2000. Constrangedora, porque foi a última vez que bateu o rival num mata-mata profissional. Neste século, o São Paulo não venceu o Corinthians em nenhum confronto eliminatório. Foram 11 disputas. 11 derrotas – no tempo normal ou nas penalidades. Ao comentar que faltou “malandragem” ao não entregar o jogo com o Guarani, a Torcida Tricolor Independente passou recibo. Mais que o time, é parte dos torcedores que se contorce de medo do Corinthians.

É verdade que tem um azar histórico nessa trajetória. Entre a final do Paulistão de 2003 e a semifinal de 2009, houve o período dourado entre as duas décadas esquecíveis. Especialmente a atual. A primeira, entre 1994 e 2005, teve seus momentos de glória. Até contra o Corinthians, com direito a retorno triunfal de Raí. A segunda é a década da marmota. A do juvenalismo e seu espólio decadente. Incluindo o mais tosco dos herdeiros, Leco. E Raí, agora dirigente, jogando contra o próprio patrimônio. Pois bem… Dentro destes únicos anos de grandeza, o número de mata-matas com o Corinthians foi ZERO. Ou pegaram outra chave, ou – o mais comum – caíram fora antes. Poderiam ter sido pelo menos uns três triunfos. Continuaria em ampla desvantagem, mas 11 a 3 é melhorzinho que 11 a nada.

Aliás, a mesma contagem tricolor – necas – aconteceu em mata-matas contra o Santos. Naquele mesmo Paulistão de 2000, o tricolor foi campeão contra os santistas e foi a última vez. No século 21, os praianos surfaram em todos os encontros. Incluindo aquele que abriu caminho pra sair da fila, em 2002. Como diria o filósofo derrotista George Costanza: “não são vocês, sou eu”. Esqueçam Corinthians e Santos. Desde 2001, perder mata-mata se tornou corriqueiro no Morumbi. Ganhou 4 torneios neste formato. OK, incluem uma Libertadores e um Mundial. E um Super-ultra-hiper-mega-power-paulistão contra o Ituano. E uma final que nem acabou contra o Tigre. De resto, até a Penapolense pode dizer que sentiu o gosto que corintianos e santistas sentiram. Tipo o Pequeno Príncipe se gabando da flor rara, até descobrir que há zilhões delas na Terra. Faz um carneirinho?

Não surpreende que a Independente seja rasa de atribuir a um único time a sina perdedora. Faz parte do show que se espera do fanatismo brasileiro. Dentro e fora do futebol. Se é que o problema realmente é falta de profundidade. Pode ser um jeito de encontrar um bode expiatório e esconder sua própria culpa. Pra levar vantagem em tudo, serviu até como leão-de-chácara em eleição. O medo que ela tem do Corinthians é o mesmo que Leco sente dela, Independente. “Não esquenta, aqui está o dinheirinho do Carnaval!”. Desse tipo de “malandragem”, TTI e Leco entendem. Cada fracasso é uma oportunidade pra torcida organizada. Mais uma benesse em troca de não chutar o pau da barraca. O que interessa mais? O futuro do Sâo Paulo, de Leco ou da Independente? Não responda, cliente Polishop. É uma pergunta retórica.

Se o intervalo ganhador entre 2005 e 2008 fosse regra, em vez de uma exceção no Morumbi Século 21, não importaria o formato do campeonato. Fosse mata-mata, fosse pontos corridos (em que o time também despenca na hora do aperto), o São Paulo estaria provavelmente em vantagem. O Flamengo está aí como prova. Não tem maldição que resista a um trabalho muito bem feito. Culpar fantasma é desculpa de quem prefere ficar debaixo da cama.

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