O público não pediu, a crítica não aclamou, mas o São Paulo está de volta. Para quê?

Créditos da imagem: Fernando Dantas/Gazeta Press

Normalmente as pausas no calendário trazem expectativa e ansiedade ao torcedor. No caso dos são-paulinos, porém, boa parte agradeceria se a parada durasse mais um tempo. De preferência, até 2020. Não se trata de “falsos tricolores”, como formadores de opinião com interesses extras e leões de redes sociais acusarão. Simplesmente cansaram de ter esperança após erros se repetirem ou, pior ainda, ganharem inovações bizarras. É um pessoal calejado o suficiente para saber que não é “só” mexer nisso ou naquilo, como pretensos experts acreditam. Neste Feitiço do Tempo, Bill Murray ainda não descobriu como chegar ao dia seguinte – no caso, o ano seguinte.

Vale lembrar que a torcida do SPFC terminou o Campeonato Paulista quase feliz. Muito por conta de uma supervalorização. Em seis partidas, o São Paulo marcou apenas 4 gols, sendo 3 contra o Ituano. A despeito da natural euforia por eliminar o Palmeiras, o rival teve mais chances em ambos os jogos, não se classificando no tempo normal por centímetros de uma chuteira. Na decisão, um bom segundo tempo na partida de ida, mas uma etapa final medrosa no Itaquerão, merecidamente castigada. Reitero: estamos falando do melhor momento da temporada. Se isso é o que teve de mais animador, não admira que mais torcedores tenham caído na real e constatado que esse filme já passou. O final, como não poderia deixar de ser, é sempre o mesmo. O que, registre-se, bate com a consagração do Jason ainda em 2009 – aquele que volta pra morrer na sequência seguinte. Dez anos disso…

Como a desejada hibernação até dezembro não é possível, o desajeitado urso tricolor tem que balançar as banhas em julho. Foi até a caverna achando que haveria reforços na volta, mas de prático só teve a recuperação de Pablo – pelo preço, uma das decepções do primeiro semestre da marmota. Também ouviu Hernanes dizer, provavelmente não pela última vez, que está quase 100 %. Se o urso se preocupa com finanças, descobrirá que um empréstimo foi feito para garantir pagamento de salários e tentar segurar a venda de Antony por alguns meses – e olhe lá. Para não dizer que não veio ninguém, trouxeram Raniel. Um reserva do Cruzeiro para o caso de novas lesões de Pablo. Melhor não contar ao pobre urso que ele se machuca tanto ou mais que o titular. Ou então ele se tranca mesmo na caverna e o clube toma WO até o fim da temporada.

O que pode alterar o pessimismo é um detalhe de risco: o primeiro adversário será o líder Palmeiras, no Morumbi. Quebrar a invencibilidade do rival daria o sopro de boa vontade coletiva que, no futebol praticado no Brasil, traria outros resultados positivos na base da confiança. Difícil será combinar com o adversário. Além de um elenco bem mais completo, o rival readquiriu ritmo na Copa do Brasil – aquela em que o tricolor paulista caiu contra o Bahia. Enquanto isso, o São Paulo não entrou em campo nem para amistosos uniformizados. Se Cuca pensou em esconder o jogo, resta saber como consegue ocultar o que nem encontrou. Até o ápice do ano se deu sob a batuta do tampão Mancini. Por uma série de razões, incluindo lesões e o fim da superconcentração de garotos como Igor Gomes, aquele time não se repetiu. Mesmo que se repita agora, o momento é outro. Passou.

Gostaria muito de dar um prognóstico mais benéfico a meu time de coração. Mas, como já escrevi algumas vezes, não é papel do jornalismo esportivo, profissional ou amador, agir como animador de auditório. O panorama é ruim. Uma eventual boa fase, caso o time vença hoje, tende a ser diluída no decorrer do semestre. Nem o fato de disputar apenas uma competição é grande vantagem, como não foi em 2018. O objetivo mais palpável será, também como ano passado, uma vaga em pré-Libertadores. A julgar por 2019, melhor nem comemorar se acontecer. A marmota de Bill Murray, além de friorenta, é sarcástica.

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