Sobre Leco encabeçando a lista de desculpas para a decepção com André Jardine

Créditos da imagem: R7 Esportes

Então… a culpa é de quem? De todos, menos dele?

Leco é o bode expiatório para toda sacanagem e incompetência no SPFC desde 2011. Quando todos os argumentos jurídicos a favor do golpe de Juvenal Juvêncio foram rebatidos nos debates, restou apelar à pergunta “você prefere o Leco de presidente?”. Ou seja: nem pra isso a palhaçada serviu – sendo que ele chegou ao poder amparado por aqueles mesmos que apoiaram o terceiro mandato jurássico. Agora é a vez de o presidente tricolor ser usado como Biscoito Negresco (justifica tudo) de outra defesa inglória: a do técnico sub-20 André Jardine.

Que Leco é incompetente, não se discute. Mas daí a se tornar o buraco negro das incompetências é coisa que nem um Stephen Hawking dos comentários esportivos deveria fazer. Não sem ficar roxo de vergonha. É como vejo quem afirma que André Jardine foi “obrigado” a escalar mal. Não tem nada que indique isso, tirando tentativas patéticas de parecer bem informado no Twitter – “você não sabe o que eu sei”. O que existe é o desejo desesperado de que, lá no fundo, exista um Guardiola oprimido. Porque acreditar no que salta aos olhos seria mais desesperador ainda. Aceitar que Jardine escala Jucilei e Hudson porque gosta, e não por imposição, é o que falta pra muita gente cancelar o PPV e procurar outra coisa pra assistir. Se não agora, depois que o time ficar fora da Libertadores. Não sou eu que estou prevendo isso. São os que culpam Leco pela barragem rompida.

“Ah, mas na base o Jardine era moderno!”. Nem tanto. Na final da Copinha de 2018, jogou com primeiro volante, segundo volante e meia-atacante, como todo time ordinário. Sim, um dos volantes era Liziero. Mas isso no máximo o tornaria menos anacrônico. E por que não colocou Liziero como titular dos profissionais? Primeiro a desculpa alheia era que não quis mexer na estrutura. Não cola mais. Depois, na Florida Cup, até Gustavo Fernandes especulou (no FOMQ) que a escolha da dupla zumbi podia ser pelos adversários em melhor forma. Aí veio o Paulistão e sobrou culpar o mordomo – digo, presidente. Pra não dizer que inexiste uma conspiração alternativa, também se fala que estaria sendo negociado. Fosse isso, não teria nem ficado no banco. Vai que entra e se arrebenta. Então o jeito é voltar pra estratégia carneirinho do desenho: “é o Leco, é o Leco!”.

Jardine foi efetivado ainda em novembro do ano passado. Quem anunciou foi o próprio Leco, dando spoiler no vídeo que Raí já tinha gravado. A pompa e o conteúdo da filmagem deixava claro, até pra meio entendedor, que o novo técnico podia mexer no que quisesse. Faltou querer. Não porque ele “não pode querer”. É que não quis, mesmo. O que remete à única argumentação “Leco free”: ele não quer pra não magoar os amigos do time. Então, amigo internauta que nada ajuda nas transmissões, não dá nem pra ser técnico de várzea, tipo “Ah, não posso tirar fulano porque ele também quer brincar”. Se isso é defesa, melhor fazer como um advogado que prefere xingar o juiz na mídia. Também não adianta nada, é verdade. Só que é menos constrangedor que retratar o cliente como um bobão. Desse jeito, não arruma emprego nem na Lusa.

Deve-se concluir que Danilo Mironga já quer a cabeça do técnico? Ainda não – até porque Luxemburgo segue rondando atrás de emprego. No dia em que quiser sua demissão, vou exigir que caiam junto aqueles que confiaram a um técnico sub-20, sem experiência em time profissional, a missão de remontar o time pela enésima vez. Especialmente Raí, vulgo “contratei Hernanes e posso fazer besteira por um ano”. Pode, não. Mas voltando ao ponto: se Jardine quiser se firmar, não vai ser contando com culpas alheias. Terá que entender que o que aprendeu na base serve pra base. E só. Que sente e estude. Dia, noite e madrugada. Aluno retardatário ou racha, ou é rachado.

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