Sylvinho é o maior responsável pela derrota para o Sport e também pela reconstrução corintiana

Créditos da imagem: Rodrigo Coca / Ag. Corinthians

Antes de começar a análise sobre os erros de Sylvinho na derrota para o Sport, é bom reforçar que vejo o novato treinador como o maior responsável pela evolução do Corinthians até aqui. Embora a campanha não seja nada demais, as perspectivas atuais são bem animadoras com vistas a 2022: reforços consagrados que agregaram muito ao time, combinados a uma penca de jovens promissores e jogadores interessantes que vêm sendo recuperados (como Cantillo).

Mas me parece óbvio que Sylvinho foi responsável direto pela derrota contra os pernambucanos, e é importante que aprenda com isso, visto que é iniciante no posto e, tal qual um jovem como Gabriel Pereira, tem muito campo para evolução. A seguir, a lista de erros fatais que atribuo ao treinador hoje:

1 – Jô como titular – o centroavante é um jogador muito útil e que deve continuar no elenco. Mas serve basicamente a duas situações: quando Roger Guedes não estiver em campo; ou quando o time está precisando de um gol, o adversário está retrancado no campo de defesa, e seu trabalho de pivô, cabeceio e boa colocação para rebotes podem fazer a diferença. De resto, não só não joga bem, como prejudica o entorno: Roger Guedes deixa de ser perigoso e participativo para ficar encostado no lado esquerdo; Gabriel Pereira, Renato Augusto e Giuliano ficam sem a opção dinâmica de Guedes à frente, e veem um afastado e pesado Jô sem se associar ao jogo.

2 – Roger Guedes não deve ser escalado pela ponta – o Corinthians conta com um dos poucos atacantes no Brasil que é móvel e consegue ser agudo ao mesmo tempo. O colega Gustavo Fernandes sempre destaca como o futebol de hoje exige a escolha de um jogador para ter o privilégio de não precisar voltar tanto para marcar/recompor. No Corinthians, esta distinção deve ser de Roger Guedes, que, quando joga com Jô, perde o privilégio (por simples incapacidade física do centroavante corintiano). Ou seja, o jogador mais agudo e perigoso do time vira um perseguidor de lateral adversário, ao mesmo tempo em que perde sua principal qualidade, que é a capacidade de ser perigoso quando próximo à área. Ninguém no elenco parece capaz de cumprir a função de Willian pelo lado esquerdo; logo, se não há como evitar a perda de nível nas suas ausências, colocar Roger Guedes na esquerda só acentua a queda, que passa a ser em duas posições. Foi próximo à área que o novo xodó corintiano foi eleito o melhor jogador do campeonato em setembro, e afastá-lo de lá é fazer o time perder um ponto forte.

3 – Demora na substituição – Ok, Sylvinho errou na escalação (ele pode ter pensado em manter o elenco motivado, dando oportunidade a Jô depois de marcar contra o Bahia). Só que o primeiro tempo confirmou exatamente o que já se podia prever ao analisar qual seria a formação do time. Mesmo assim, esperou passar 3/4 do jogo para fazer o que já se imaginaria necessário.

4 – Super-reação na substituição – exatamente quando resolveu corrigir o problema da substituição de Jô, em uma partida que estava empatada, Sylvinho viu a necessidade de tirar o lesionado Cantillo. Então, ousou: tirou o centroavante e o volante, para colocar Adson e Mosquito. Ou seja, a equipe não jogou um minuto sequer com a estrutura que vinha sendo bem-sucedida nas últimas rodadas. Resultado: perdeu totalmente o meio-campo (que ficou apenas com Giuliano e Renato Augusto), e enquanto os comentaristas (que demoraram quase tanto tempo quanto ele para verem a necessidade de tirar Jô) festejavam a substituição que supostamente jogaria o time para frente e “passava o recado de que quer a vitória”, saiu do empate para uma merecida derrota. De lambuja, depois do gol, os rubro-negros se trancaram na área, ou seja, aí sim a partida ficou boa para Jô. Só que o único centroavante do elenco já não podia mais entrar, pois jogou justamente quando a partida não era para ele…

No Brasil precisamos aprender a ser capazes de criticar sem fazer campanha contra e de elogiar sem exaltar. Sylvinho é um treinador promissor, vem fazendo um bom trabalho e tem várias características para se tornar um dos principais técnicos brasileiros (o que nem sequer é difícil, visto o baixo nível médio dos nossos profissionais). Por isso mesmo precisa ser responsabilizado quando erra como hoje, para que possa evoluir. Entre os principais times brasileiros, o Corinthians me parece ter o comandante mais indicado para o seu momento, e o com maior potencial de melhora. Em 2022, já mais experiente, com participação na formação do elenco, pré-temporada e possíveis reforços pontuais (como do volante Ederson, emprestado ao Fortaleza, e de algum bom lateral-esquerdo), é que deverá ser mais cobrado pelo desenvolvimento do trabalho que vem iniciando bem até aqui.

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