A Copa do Lacre é nossa! Só que não…

Créditos da imagem: UOL Esporte

Pela primeira vez, a Rede Globo vai transmitir a Copa do Mundo feminina desde o começo. Não, não é por reconhecer a expansão do futebol feminino. Fosse isso, seus canais a cabo transmitiriam os campeonatos internacionais. Também dariam atenção aos campeonatos daqui. Não se enganem. A Globo está passando a Copa porque existem Fátima Bernardes e toda uma equipe de exaltação feminista. Mas isso é ótimo. Uma vez um músico disse que os críticos mortos vão pro Inferno, condenados a ouvir eternamente aquilo que dizem gostar. As lacradoras e lacradores (ou Lorettas*) não precisarão morrer pra encarar o inferno que é uma partida da seleção feminina. Menos mal que só dura alguns dias.

A fantasia de um espetáculo redentor é tal que Galvão Bueno foi escalado. Dá pra entender. Há alguns anos, pesquisas indicaram que o locutor é querido pelo público feminino. Mais: o entendimento de futebol das telespectadoras se resumia a suas explicações. Com tal mestre, era incrível que soubessem de que lado fica o gol. As TVs estarão ligadas para ver Marta & CIA fazendo, na França, o que os homens não fizeram na Rússia. Só vai precisar combinar com os russos. Ou melhor: francesas, alemãs, japonesas, etc… Talvez até com a Jamaica. Afinal, são NOVE derrotas consecutivas. As seleções de todo o mundo evoluíram. O Brasil não. Continua dependendo de uma ou duas jogadoras no ataque e Formiga se multiplicando. Dava certo quando Marta era mais nova e os outros times tinham buracos defensivos. Agora os buracos são só nossos. Não há “melhor do mundo” que dê jeito.

O(a) Lacração FC culpará a cultura machista. Estarão uns 10 % certas. Parte da responsabilidade não é dos homens. É de apenas um deles. No caso, o técnico Vadão. Perdeu o emprego depois das Olimpíadas, mas voltou. Isso porque sua sucessora acumulou maus resultados. Nada que ele não possa piorar. Daria pra conseguir mais com um treinador que estivesse em 2019, em vez de 1993. Era quando Vadão foi revolucionário no carrossel caipira do Mogi Mirim. Como tantas revoluções brasileiras, não entrou nem pra História. Mas quase ninguém, incluindo Fátima e Maju, sabe disso. Estão ansiosas pra questionar, sob aplausos do auditório e de Bonner, por que Marta ganha menos que Neymar. Isso quando nem tinha acusação de estupro na conversa. Hoje seria questão de honra. Pena que, em 90 minutos, nem vai precisar de print pra melar a acusação dentro de campo.

Não bastasse a decepção com a camisa amarela, o público global vai perceber outro detalhe: as outras equipes evoluíram, mas o esporte segue um porre. Se tem uma coisa que unirá homens, mulheres e transgêneros, é o desagrado de aturar intermináveis 90 minutos de uma partida. Claro que alguns já pensam numa compensação marota. Querem que, por isonomia de gênero, seja decretado ponto facultativo em dia de jogo do Brasil. O presidente vai dizer não. E será pouco. Deveria decretar ponto obrigatório de trabalho. Tudo pra patrulha não obrigar ninguém a perder minutos da existência com isso. Já basta o dinheiro gasto em álbuns e tantos produtos da Copa feminina. Que gasto? Que produtos? Pois é… Não tem nada disso. Vão querer que uma jogadora ganhe mais que Neymar como? Criando a nova CPMF (Contribuição Permanente da Marta Futebolista)?

Pra encerrar, repito o que disse em coluna anterior: escrevo com conhecimento de causa. Vejo a seleção feminina jogar desde os tempos da Formiga sub-20. Eu não assisti ao Michael Jackson no palco, mas vi a Michael Jackson jogar a Copa de 1995. Portanto, Fátimas e Fefitos, tenho o tal lugar de fala. Provavelmente serei um dos poucos sobreviventes do Ibope quando a seleção brasileira for eliminada. Não apenas por patriotismo. Quero ver se o discurso de Galvão será memorável como quando os marmanjos perdem. “Lá vem elas de nooooooovooooo!”…

*homenagem a esta cena de A Vida de Brian:

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